Nesta sexta-feira (13), uma lista intitulada ''Post Next 50'' foi publicada no website do jornal estadunidense The Washington Post. Segundo os redatores do portal, trata-se de uma lista feita para celebrar personalidades que despontaram recentemente nos Estados Unidos, mas já surgem como potenciais ícones futuros. Entre os 50 famosos listados, está o ator brasileiro Wagner Moura.
A descrição que a redatora Jada Yuan fez para Wagner foi a seguinte:
Um dos mais lindos momentos de 'O Agente Secreto' é simplesmente Wagner Moura.O superstar brasileiro de 49 anos, que acabou de receber a sua primeira indicação ao Oscar, interpreta um cientista que está fugindo da brutal Ditadura Militar de seu país, neste aclamado filme de época que é situado em 1977 e dirigido por Kleber Mendonça Filho. Ciente de que há uma recompensa por sua cabeça, o personagem de Moura dá passos em falsos na rua - em pleno Carnaval. E por um catártico momento, ele se junta à festa, dançando samba, mesmo com a sua vida correndo perigo.Assim como o personagem Marcelo, Moura também conhece bem o Carnaval. Foi onde o ator se apaixonou pela fotógrafa Sandra Delgado, com quem ele é casado, mora em Los Angeles e possui três filhos. ''Acho que naquela cena do filme, Marcelo se deixou levar por aquela alegria coletiva e amor cultural'', disse Moura.''O Agente Secreto'' é o primeiro papel de Moura em seu próprio país e em sua própria língua nativa, em mais de uma década. Isso se deve, parcialmente, ao fato de que a carreira internacional dele decolou, depois que ele interpretou Pablo Escobar na muito bem-sucedida série ''Narcos'', da Netflix, mas Moura também acredita que isso também tem a ver com perseguições do ''conservador ditatorial'' Jair Bolsonaro (ex-Presidente do Brasil que, agora, cumpre pena de 27 anos, por tentativa de golpe de estado). Segundo Moura, Bolsonaro tornou ''impossível'' ser artista no Brasil.Kleber Mendonça Filho conhece Moura há 20 anos e roteirizou ''O Agente Secreto'' já com o amigo na cabeça. ''Eu tinha plena confiança de que ele carregaria o filme com o carisma dele'', disse Kleber. Agora, Moura é o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator e o primeiro sul-americano a vencer o prêmio de ''Melhor Ator'', em Cannes, em mais de 80 anos.Ser politizado é um elemento central do que Moura é. Ele se formou em Jornalismo antes de se voltar para o Teatro - e utilizou essa experiência, na hora de interpretar um repórter de guerra, no filme ''Guerra Civil'', de Alex Garland. Neste verão, Moura estará excursionando por festivais de teatro europeus, com uma adaptação interativa da peça ''Um Inimigo do Povo'', de Henry Ibsen, que ele ajudou a roteirizar. Sua estreia como diretor foi em ''Marighella'' - um filme cujo lançamento foi empacado por Bolsonaro, durante dois anos, pois se trata de uma obra sobre um guerrilheiro afro-brasileiro que lutou contra a Ditadura Brasileira, na década de 1960. Em breve, Moura entregará o seu segundo filme ''Last Night at The Lobster'', que ele define como ''uma história de Natal anti-capitalista que envolve a demissão de funcionários de fast-food''.Durante a divulgação de ''O Agente Secreto'', Moura (que conseguiu a sua cidadania estadunidense durante o governo Biden e se define como um ‘’cidadão americano orgulhoso'') se provou como um ator que apoia causas, não somente vestindo fitas, mas também dando a cara à tapa e declarando abertamente as suas crenças políticas. Ele não hesita em chamar a guerra em Gaza de ''genocídio'' ou em descrever as ações do ICE como ''racistas''. ''Eu acho que a imigração é parte da fundação deste país. Mas independente de como você pensa politicamente, não se pode tratar seres humanos assim'', disse Moura.No momento, o ator está esperando para ver se ''O Agente Secreto'' é capaz de repetir o sucesso que ''Ainda Estou Aqui'' conseguiu no Oscar 2024. Este é mais um filme excelente sobre o custo humano das Ditaduras militares e pode trazer duas vitórias seguidas na premiação: ''quando o filme de Walter Salles ganhou, os brasileiros tomaram as ruas como se a gente tivesse vencido a Copa do Mundo'', diz Moura com grande orgulho.
Os três trabalhos pelos quais Wagner Moura é mais lembrado, nos Estados Unidos, são ''Narcos'' (2015-2018), ''Guerra Civil'' (2024) e ''O Agente Secreto'' (2025)
Além de Wagner Moura, a redação do The Washington Post também incluiu, na lista ''Post Next 50'', nomes como Zohran Mamdani (atual Prefeito de Nova York), Sierra Ferrell (cantora folk) e Kai Trump (neta de Donald Trump) - ou seja, trata-se de uma lista bastante diversa, com escolhas selecionadas, tanto por redatores progressistas quanto por redatores conservadores. Descubra todos os 50 nomes da lista aqui.
