Michael Jackson ganha cinebiografia chapa-branca que deixa as polêmicas do cantor para a sequência

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(Foto: Divulgação/Lionsgate)


Por mais que cinebiografias de cantores populares estejam sendo lançadas de modo cada vez mais frequentes e Michael Jackson seja um dos maiores artistas musicais de todos os tempos (se não, o maior da história), eu confesso que achava que ele nunca iria ganhar uma cinebiografia - afinal, na vida dele, há um capítulo que permanece até hoje como uma incógnita.

É vero que ninguém nunca conseguiu provar que, durante as décadas de 1990 e 2000, o Rei do Pop teria cometido abuso sexual contra crianças (tanto que, por esse motivo, ele foi legalmente absolvido das acusações que recebeu), mas, ao mesmo tempo, nunca houve uma prova cabal que comprovasse que M.J não cometeu tais crimes - o que, para mim, torna delicada a ideia de fazer um filme que afirma que tais ocorridos aconteceram de maneira X ou Y. 

Porém, ao optar por dividir a história de Michael em DOIS longas-metragens, o diretor Antoine Fuqua conseguiu adiar um pouco o desafio de ter que abordar as acusações de pedofilia enfrentadas pelo cantor. O primeiro filme estreia hoje (21/04) nos cinemas do mundo inteiro e acompanha a vida do Rei do Pop, desde a infância até a época de lançamento do álbum ''Bad'' (1987). 

Os atores escalados para interpretar Michael, nos filmes de Fuqua, são dois: Juliano Valdi, de 12 anos, dá vida ao Rei do Pop, nas cenas que reproduzem a era do The Jackson 5, enquanto o estreante Jaafar Jackson (sobrinho do Rei do Pop) é quem interpreta Michael, na fase adulta. De acordo com a grande maioria dos críticos, Juliano e Jaafar entregam desempenhos surpreendentes que nem parecem vindos de atores iniciantes - mas quem está sendo apontado como o maior destaque deste filme é o experiente ator Colman Domingo, que interpreta com maestria o violento Joe Jackson (pai de Michael). 


A equipe de maquiagem do filme deixou Colman Domingo idêntico a Joe Jackson... e a atuação de Colman já está sendo cotada ao próximo Oscar de ''Melhor Ator Coadjuvante'' (Foto: Montagem/Divulgação)  



Entretanto, por mais que as atuações de ''Michael'' estejam sendo elogiadas, o mesmo não pode ser dito do roteiro de John Logan, que aborda a vida pessoal do Rei do Pop de forma extremamente rasa. Essa falta de um enredo sólido faz com que este longa-metragem pareça mais um amontoado de videoclipes do que um filme propriamente dito. 

Segundo o site Rotten Tomatoes, ''Michael'' conta, atualmente  com a aprovação de apenas 27% dos críticos. Mesmo assim, a previsão dos analistas do site BoxOffice Pro é de que, só nesta primeira semana de exibição, este filme arrecadará mais de 200 mil dólares, ao redor do mundo. Muitos acreditam que a bilheteria total deste longa-metragem irá ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão - o que faria ''Michael'' se tornar a cinebiografia de maior arrecadação cinematográfica da história.


Confira o atual ''Top 3 cinebiografias que mais renderam bilheteria'':

 🥇''Oppenheimer'' (2023): US$ 975, 8 milhões

🥈''Bohemian Rhapsody'' (2018): US$ 910, 8 milhões

🥉''Sniper Americano'' (2014): US$ 547,7 milhões


(Dados: BoxOfficeMojo)


No Cinemark de Lages, ''Michael'' está sendo exibido diariamente, tanto em versão legendada quanto em versão dublada. Assista ao trailer do filme: 





As primeiras décadas de vida de Michael

Nascido em 1958, Michael Jackson começou a sua carreira musical com apenas 6 anos de idade, integrando o grupo The Jackson 5, ao lado de seus quatro irmãos mais velhos (Jackie, Marlon, Jermaine e Tito). Esse quinteto era empresariado por Joe Jackson e surgiu a partir da gananciosa vontade que Joe tinha de lucrar com o talento musical dos filhos. 

Joe era autoritário e violento com todos os membros do grupo, mas Michael era, sem dúvidas, o principal alvo das cobranças do pai - afinal, desde cedo, Michael demonstrava ser o mais talentoso e carismático dos cinco irmãos. Por diversas vezes, o caçula recebeu punições físicas de Joe, por errar um ou outro passo de dança ou desafinar em algum momento dos shows. Isso tudo fez com que Michael se tornasse um adulto com um perfeccionismo extremo e uma auto-cobrança exagerada - o que foi muito bom para a carreira musical do Rei do Pop, mas péssimo para o psicológico/emocional dele (foi por causa desses traços de personalidade que Michael fez dezenas de cirurgias plásticas ao longo da vida e ficava extremamente estressado quando fazia turnês, por exemplo). 




Em 1969, o The Jackson 5 se tornou um grande sucesso, ao lançar o seu álbum de estreia, através da famosa gravadora Motown Records. A partir disso, Michael começou a gravar um álbum atrás do outro: quando o cantor completou 18 anos de idade, em agosto de 1976, ele já tinha 10 álbuns lançados com os irmãos e 4 álbuns como artista solo. 

Em 1976, os membros do The Jackson 5 decidiram migrar para a gravadora Epic Records, uma vez que a Motown não dava liberdade para eles gravarem as próprias composições. Porém, como a antiga gravadora tinha direitos legais sobre o nome do grupo, o The Jackson 5 foi obrigado a se tornar The Jacksons. 

Michael pôde gravar algumas das suas primeiras composições autorais, nos discos ''The Jacksons'' (1976), ''Goin' Places'' (1977) e ''Destiny'' (1979), mas, mesmo assim, ele não deixou de ser visto como ''o garoto engraçadinho do The Jackson 5''. A virada de chave na carreira do cantor só aconteceu em 1979, quando ele uniu forças com o produtor Quincy Jones e lançou uma verdadeira obra-prima, em carreira solo: o disco ''Off The Wall''. 


Este álbum de 1979 é totalmente composto por maravilhas sonoras, a exemplo de ''Rock With You'', ''Workin' Day and Night''''Off The Wall'' e ''Don't Stop Til' You Get Enough''.




O megassucesso comercial de ''Off The Wall'' fez Michael Jackson se tornar muito maior que o próprio The Jacksons. Aos olhos do público que comparecia aos shows, os demais integrantes do quinteto acabaram se tornando meros coadjuvantes daquele artista que estava no topo do mundo - e esse protagonismo de Michael ficou ainda mais intenso, quando o cantor lançou o álbum ''Thriller'', em 1982. 

O videoclipe cinematográfico que foi produzido para a faixa-título de ''Thriller'' não somente revolucionou a indústria dos videoclipes musicais, como também contribuiu muito para o álbum em questão se tornasse o mais vendido de todos os tempos e permanecesse assim até os dias de hoje (foram mais de 51 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo). 


Embora esse videoclipe icônico tenha sido dirigido pelo cineasta John Landis (de ''Um Lobisomem Americano em Londres''), ele foi idealizado pelo próprio Michael - afinal, o Rei do Pop queria entregar o videoclipe musical mais grandioso que já havia sido feito. 



Vale lembrar, porém, que as vendagens de ''Thriller'' também tiveram relação com o estouro de singles como ''Billie Jean'', ''Beat It''''Human Nature'' e ''Wanna Be Startin' Something'', que, assim como a faixa-título, também integram o repertório deste álbum. 

Ao perceber o sucesso astronômico de ''Thriller'', Michael decidiu se dedicar apenas à sua carreira solo. Porém, em 1984, a pedido de seus irmãos e de seu pai, ele lançou um último álbum com o The Jacksons (''Victory'') e fez uma turnê de despedida com o grupo - ainda que em meio a contragosto. 

No ano seguinte, Michael e Lionel Richie uniram forças, compondo juntos a canção ''We Are The World'' - que foi lançada em um compacto cujas vendas foram totalmente revertidas para o combate à fome na Etiópia. A gravação dessa música reuniu Michael, Lionel e vários outros gigantes da música estadunidense (a exemplo de Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Ray Charles e Bob Dylan). 

No final da década de 1980, Michael começou a sofrer cada vez mais com o Vitiligo Universal (doença que acabou tirando a pigmentação da pele dele de maneira muito agressiva). Quando o cantor veio a público para promover o álbum ''Bad'' (1987), muitas pessoas estranharam que a pele dele estava bem mais clara - e, assim, começaram a surgir boatos falsos de que ele mesmo havia se embranquecido por, supostamente, ''sentir vergonha de ser negro''. 




Essas fake news não impediram ''Bad'' de ser um álbum de enorme sucesso, mas, infelizmente, os anos seguintes da vida de Michael Jackson seriam marcados por polêmicas ainda maiores... porém, isso é assunto para vermos na segunda parte da cinebiografia do cantor. 


A coluna de Lucas Couto no Lages Diário tem o patrocínio de:

                         

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