Nesta sexta-feira (06/03), o documentário ''The Groove Under The Groove'' chegou ao catálogo da Netflix, de maneira muito discreta: o aviso do lançamento ocorreu ontem e, até o momento, os responsáveis pelas redes sociais do streaming não fizeram nenhum post para falar exclusivamente disso. Porém, este é um documentário que PRECISA ser assistido pelo maior número possível de brasileiros - afinal, ele conta a história de um tesouro nacional extremamente subestimado: o percussionista Paulinho da Costa.
Ao longo de seus 60 anos de carreira, Paulinho construiu um histórico de mais de 6 mil gravações profissionais. Ele é, certamente, o percussionista mais requisitado de todos os tempos — e o currículo dele, com certeza, deixará vocês, leitores, de queixo caído!
Paulinho nasceu no Rio de Janeiro, em 1948, e começou a sua carreira musical na cidade maravilhosa. Durante esses primeiros anos atuando como percussionista, ele chegou a trabalhar na bateria da Portela e a acompanhar artistas como Arthur Verocai e Bola Sete. Entretanto, Paulinho só conquistou o reconhecimento merecido depois que se mudou para Los Angeles, em 1973.
A princípio, a ida dele para os Estados Unidos seria apenas para acompanhar o pianista brasileiro Sérgio Mendes, em alguns shows que ele faria por lá. Porém, ao passar um certo tempo na terra do Tio Sam, o percussionista acabou estabelecendo um networking bem mais sólido do que o que ele possuía no Brasil: antes mesmo do fim da década de 1970, Paulinho lançou os seus dois primeiros discos como artista solo e começou a ser chamado para gravar a percussão de álbuns icônicos, como “All n’ All” (Earth, Wind & Fire, 1977), “Foot Loose & Fancy Free” (Rod Stewart, 1977), “Destiny'' (The Jacksons, 1978), ''Blondes Have More Fun'' (Rod Stewart, 1978), “Love Tracks” (Gloria Gaynor, 1978), ''I Am'' (Earth, Wind & Fire, 1979) e ''Off The Wall'' (Michael Jackson, 1979).
Nas décadas seguintes, a carreira de Paulinho em solo estrangeiro se solidificou ainda mais. Afinal, ele gravou a percussão do single beneficente ''We Are The World'' (1985), contribuiu nas trilhas sonoras de filmes como “Purple Rain” (1984), “A Cor Púrpura” (1985) e “Star Wars: Os Últimos Jedi” (2017), gravou mais dois discos solo e participou de vários outros álbuns internacionais extremamente cultuados — tais como “Give Me The Night'' (George Benson, 1980), ''Triumph'' (The Jacksons, 1980), “Raise” (Earth, Wind & Fire, 1981), “The Dude” (Quincy Jones, 1981), “Thriller'' (Michael Jackson, 1982), “True Blue'' (Madonna, 1986), ''Dancing on The Ceiling'' (Lionel Richie, 1986), ''Tutu” (Miles Davis, 1986), “Bad'' (Michael Jackson, 1987), ''Like a Prayer'' (Madonna, 1989), ''Under The Red Sky'' (Bob Dylan, 1990), ''Seal'' (Seal, 1990), ''Let's Talk About Love'' (Celine Dion, 1997) e ''Stadium Arcadium'' (Red Hot Chili Peppers, 2006).
Paulinho aparece no videoclipe de ''La Isla Bonita'' - um grande clássico da cantora Madonna:
Em meio a tudo isso, Paulinho também chegou a colaborar com alguns medalhões da música brasileira — vide As Frenéticas (no álbum “Caia na Gandaia”, de 1978), João Gilberto (no EP ''Brasil'', de 1981), Ney Matogrosso (nos álbuns “Pecado”, de 1978 e ''...Pois É'', de 1983), Rita Lee (no álbum “Bombom”, de 1983) e Djavan (nos álbuns “Lilás”, de 1984 e “Flor de Lis”, de 1987). Mesmo assim, o reconhecimento que Paulinho possui no Brasil sempre foi muito menor do que o que ele merece possuir.
Contudo, as coisas parecem estar (finalmente) mudando: em fevereiro de 2026, Paulinho virou garoto-propaganda da Johnny Walker e, nesta semana, ele foi capa da mais recente edição da Billboard Brasil — isso tudo para promover o documentário que acaba de chegar à Netflix.
“The Groove Under The Groove” é dirigido por Oscar Rodrigues Alves e Alan Terpins. Entre os músicos que concederam depoimentos exclusivos para esse documentário, estão gigantes como Quincy Jones, Will I.Am, George Benson, Carlinhos Brown, Verdine White e o próprio Paulinho da Costa, claro.
Espero que “The Groove Under The Groove” preste uma justiça histórica a Paulinho, apresentando esse grande talento nacional a milhões de brasileiros.
A coluna de Lucas Couto no Lages Diário tem o patrocínio de:
