Depois que as denúncias explodiram, o vice-prefeito perdeu qualquer voz política que ele teria no mandato de Carmen. Inconformado, Jair não somente furou o pneu da Prefeita, como também assumiu a identidade de arqui-inimigo dela, ao começar a postar diversos vídeos no Instagram repletos de alfinetadas e indiretas à Carmen. Porém, nem todos os direitos de vice-Prefeito foram tirados dele: como Jair foi democraticamente eleito, Carmen não possui a autoridade de afastá-lo totalmente do cargo… então ele continua recebendo salário normalmente.
A única coisa que pode acabar tirando os direitos políticos de Jair é uma hipotética condenação determinada pela Justiça, nas ações penais onde ele responde como réu.
O Caso Jair Junior repercutiu no Brasil inteiro e chegou a virar notícia em portais como o G1, o Metrópoles, a CNN e, agora, o UOL. Para preservar a integridade do excelente texto que o UOL publicou sobre as denúncias, disponibilizarei ele na íntegra, a seguir (ou seja, os próximos parágrafos foram escritos por Felipe Pereira, e não por mim):
Ex-namorada acusa Vice-Prefeito de Lages (SC) de agressão e sufocamento
Por Felipe Pereira
Jair Junior se livrou do processo de Impeachment graças a uma decisão da Justiça (Foto: Reprodução/Instagram)
O vice-prefeito de Lages (SC), Jair Júnior (ex-Podemos, sem partido), foi denunciado por ter agredido, sufocado e raptado a ex-namorada. Segundo a acusação do MP (Ministério Público), ela relatou que só pôde ir para casa depois de se humilhar e dizer que o amava.
O que aconteceu
Acusação também aponta perseguição. De acordo com o MP, a vítima deixou a residência do agressor após ter sofrido violência e foi para uma delegacia. Jair Júnior perseguiu a ex-namorada e chegou a atravessar o carro na frente da moto em que ela e a irmã estavam. O UOL omitiu seu nome para preservar sua identidade.
Procurada, a defesa de Jair Júnior disse que não comentaria o caso porque ele está sob segredo de Justiça e a produção de provas ainda está pendente. O advogado Guilherme Ramos não sinalizou se a defesa vai alegar inocência.
A vítima e sua irmã conseguiram registrar o boletim de ocorrência. Enquanto a vítima relatava a sequência de agressões aos policiais, o vice-prefeito ficou rodando pelas imediações da delegacia.
Jair Júnior foi preso em flagrante. O caso aconteceu em 22 de março do ano passado. O vice-prefeito foi libertado no dia seguinte, depois de pagar fiança.
O UOL teve acesso à investigação. O documento elaborado pelo Ministério Público mostra um comportamento violento reiterado por parte de Jair Júnior. Também documenta os hematomas sofridos pela ex. O material foi publicado anteriormente pelo site Upiara.net
A prisão levou à abertura de um processo de impeachment. A Justiça de Santa Catarina determinou o cancelamento do procedimento. Argumentou que a Câmara de Vereadores de Lages se baseou em uma lei que só pode ser aplicada a prefeitos.
O que está em curso é uma ação penal. Ela tramita em sigilo de Justiça. Nela, Jair Júnior é réu por quatro crimes:
-Cárcere privado;
-Lesão corporal;
-Invasão de dispositivo informático (celular);
-Ameaça
Vice furou pneu de carro da prefeita
As informações sobre a violência doméstica foram obtidas por meio de outro processo. Lages é administrada por Carmen Zanotto (Cidadania), que rompeu com o então aliado.
Ele se vingou furando o pneu do carro usado pela prefeita. Câmeras de segurança mostram Jair Júnior entrando na prefeitura no feriado de Páscoa do ano passado. Ele se dirige ao carro usado por Carmen e crava um prego no pneu.
O Ministério Público acusou o vice-prefeito de dano ao patrimônio público. O resultado da investigação de violência doméstica foi incluído no caso para explicar o contexto agressivo.
O caso está em andamento. O Ministério Público apresentou denúncia, mas falta a Justiça marcar depoimentos.
Sem aceitar o rompimento
O documento do MP relata que Jair Júnior e a vítima namoraram por cerca de um ano. Antes da prisão, ele já tinha demonstrado comportamento violento.
O vice-prefeito a agrediu no dia da posse, diz o MP. Em 1º de janeiro do ano passado, dia em que Jair Junior tomou posse no cargo, ele foi violento porque ela não teria publicado uma foto do casal em suas redes sociais, aponta o MP.
O relacionamento não durou. A vítima terminou o namoro na sequência, mas Jair Júnior não deixou a ex em paz.
Jair Junior toma posse, horas antes de agredir a ex, de acordo com o MP (Foto: Reprodução/Instagram)
Ficar solteira não adiantou. Jair Júnior fazia "rondas" indo a lugares em que a ex poderia estar. Também usava amigos para monitorá-la. Se ela estivesse fora de casa à noite, recebia mensagens exigindo que fosse embora daquele lugar.
O vice-prefeito chegou a usar um perfil oficial da administração municipal para espionar a ex. Bloqueado nas redes sociais, ele acompanhava a mulher com quem namorou pela conta da Secretaria Municipal de Água e Saneamento, que ele também comandava. A informação também consta na acusação do MP.
Jair Júnior também armava barracos. Ameaçou um homem que tomava sorvete com a ex, e insistia em lhe mandar flores. O entregador reportava que a destinatária não queria receber o buquê, mas Jair Júnior repetia seguidamente a atitude.
O comportamento invasivo se manifestava de outras formas. O agressor estacionava na frente do prédio da vítima e aproveitava quando um vizinho entrava. Uma vez no edifício, apertava de maneira insistente a campainha do apartamento da ex. Ninguém abria a porta.
De joelhos implorando pela vida
Na noite de 21 de março do ano passado, a mulher aceitou falar com o vice-prefeito. De acordo com o MP, ele estacionou na frente do prédio dela às 23h e ambos conversaram no carro. A vítima estava decidida a pôr um ponto final na situação.
Ao ouvir que não havia futuro para o namoro, Jair Júnior teria raptado a ex. Ele saiu dirigindo com o veículo, perambulou por Lages e decidiu levar a mulher para sua casa.
O agressor tirou o celular da vítima e exigiu o desbloqueio. Diante da negativa, trancou as portas da residência e impediu que ela saísse. Foram horas tentando descobrir a senha.
O fracasso irritou ainda mais Jair Júnior, que apelou para a violência. O vice-prefeito obrigou a vítima a entrar no seu quarto e a sufocou algumas vezes. O ar-condicionado foi ligado para tentar abafar o som e não alertar os vizinhos.
Por fim, Jair Júnior conseguiu acessar o celular da vítima. De acordo com o Ministério Público, ele apagou mensagens incriminadoras que havia mandado para ela. Também deletou conversas da ex com a irmã, porque descreviam crimes cometidos por ele.
A Vítima e agressor atravessaram a madrugada no quarto. Ainda segundo o MP, a ex foi libertada perto das 12h do dia seguinte, depois de enfrentar um ritual de humilhação para garantir a sobrevivência, dizer que o amava e prometer não contar à polícia o que tinha acontecido na noite de 21 para 22 de março.
Perseguição e prisão
A vítima ficou pouco tempo em casa. O vice-prefeito estava à espreita na vizinhança e percebeu quando a ex e a irmã dela deixaram o prédio de moto. Ele seguiu o veículo insistindo para não irem à delegacia. Numa tentativa de intimidação, atravessou seu carro na frente da moto. Depois, pediu com insistência que não contassem o que houve.
O comportamento levou à prisão. Ele foi libertado na audiência de custódia depois de pagar fiança. No primeiro momento, Jair Júnior pediu afastamento do cargo de vice-prefeito para se dedicar à sua defesa.
A mulher mudou de cidade. Depois, beneficiada por medidas protetivas, voltou a morar em Lages e aguarda o julgamento do caso. Na acusação, o MP relatou que o exame de corpo de delito indicou que as lesões nos braços e rosto são compatíveis com o tipo de agressão relatadas pela vítima.
O processo está na justiça. Testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas na última segunda-feira (2). O Ministério Público pede condenação. Não há data para sair a sentença.
Em caso de violência, denuncie
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Link para a matéria do UOL aqui.
