Orelhões entram em fase final de desativação e devem desaparecer do Brasil até 2028

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Implantado em escala nacional em 1972, durante décadas, foi mantido pelas concessionárias de telefonia fixa como obrigação contratual. 


Foto: José Cruz / Agência Brasil

Os telefones de uso público, popularmente conhecidos como orelhões, caminham para a extinção definitiva no Brasil. Segundo cronograma oficial, os cerca de 30 mil equipamentos ainda em operação no país deverão ser desativados até 31 de dezembro de 2028, encerrando um serviço que marcou gerações e já chegou a ultrapassar 1,5 milhão de terminais instalados em todo o território nacional.

Introduzidos em escala nacional em 1972, os orelhões tornaram-se um dos principais símbolos da comunicação urbana no país. O projeto, assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, destacou-se pelo design funcional e pela adaptação ao espaço público, consolidando-se como referência internacional. Durante décadas, o serviço foi mantido pelas concessionárias de telefonia fixa como obrigação contratual, dentro da política de universalização do acesso às telecomunicações.

Fim das concessões e mudança de modelo regulatório

O processo de retirada dos orelhões está diretamente relacionado ao encerramento dos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), firmados em 1998 e concluídos em dezembro de 2025. Com o término desses acordos, a manutenção dos telefones públicos deixou de ser uma exigência compulsória, abrindo espaço para a adaptação do serviço ao regime de autorizações, regido por normas do setor privado.

De acordo com a Anatel, a mudança de modelo foi motivada pela necessidade de estimular investimentos em infraestrutura moderna, especialmente em redes de banda larga. Nesse contexto, as operadoras passaram a negociar com o poder público a substituição das antigas obrigações por compromissos voltados à ampliação da conectividade digital no país.

Operação residual em áreas sem cobertura móvel

Apesar do cronograma de desligamento, parte dos telefones públicos seguirá ativa de forma temporária. Aproximadamente 9 mil orelhões permanecerão em funcionamento em localidades onde não há cobertura mínima de telefonia móvel 4G, garantindo o acesso ao serviço de voz em regiões com infraestrutura limitada. A maioria desses equipamentos está concentrada no estado de São Paulo, e sua localização pode ser consultada no portal oficial da agência reguladora.

Segundo a Anatel, as empresas assumiram o compromisso de manter a oferta de comunicação por voz — inclusive por meio dos orelhões — até o prazo máximo de 2028, utilizando qualquer tecnologia disponível, nas localidades em que sejam as únicas prestadoras do serviço.

Distribuição por operadoras e investimentos previstos

Atualmente, a operadora com maior número de equipamentos em funcionamento é a Oi, que mantém 6.707 unidades ativas. Outras concessionárias, como Vivo, Algar e Claro, já iniciaram o desligamento de suas redes, restando cerca de 2 mil orelhões sob responsabilidade conjunta dessas empresas.

No Paraná, a Sercomtel ainda opera cerca de 500 telefones públicos nos municípios de Londrina e Tamarana, cuja retirada depende de adequações contratuais específicas.

Como contrapartida ao fim do serviço tradicional, as operadoras comprometeram-se a realizar investimentos estruturais relevantes, incluindo a implantação de fibra óptica em áreas desassistidas, expansão da cobertura móvel com tecnologia mínima 4G, instalação de cabos submarinos e fluviais, ampliação da conectividade em escolas públicas e construção de data centers.

Solicitação de retirada e canais oficiais

Além dos equipamentos incluídos nas obrigações contratuais, ainda existem orelhões cuja manutenção não é mais obrigatória. Nesses casos, a retirada pode ser solicitada diretamente às operadoras. Se não houver atendimento, o pedido pode ser formalizado junto à Anatel pelo telefone 1331 ou pelo portal eletrônico da agência.

Com o avanço das tecnologias móveis e digitais, a desativação dos orelhões simboliza o encerramento de um ciclo histórico das telecomunicações no Brasil, ao mesmo tempo em que reforça a transição para um modelo centrado em conectividade de alta capacidade e serviços digitais.

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