Os irmãos Josh e Benny Safdie passaram anos dirigindo/roteirizando filmes como ''Bom Comportamento'' (2016) e ''Joias Brutas'' (2019) conjuntamente, mas, no ano passado, os dois cineastas acabaram se separando, pela primeira vez. Cada um lançou o seu próprio longa-metragem ao longo de 2025 e, curiosamente, os dois lançamentos foram dramas aclamados com temática esportiva: Benny entregou ''Coração de Lutador: The Smashing Machine'', em outubro, enquanto Josh foi o responsável por ''Marty Supreme'' — filme que estreou nos Estados Unidos em dezembro, mas só chegou aos cinemas brasileiros ontem (22/01).
''Marty Supreme'' gira em torno de Marty Mauser — um vendedor de sapatos pobretão que está disposto a levar aos maiores extremos a sua ambição de se tornar um ícone mundial do tênis de mesa. Embora este personagem seja fictício, todas as características dele são baseadas em Marty Reisman (lenda do pingue pongue, na vida real).
Josh teve a ideia de fazer este filme quando leu o livro ''The Money Player: The Confessions of America’s Greatest Table Tennis Champion and Hustler'', que conta detalhes da vida de Reisman. Muitos dos eventos narrados nesse livro de 1974 foram inclusos na trama de ''Marty Supreme'', mas como este filme não é uma cinebiografia, o roteiro de Ronald Bronstein e Josh Safdie também inclui vários acontecimentos fictícios.
Mesmo estreando só agora em diversos países, ''Marty Supreme'' já é o 2° maior sucesso de bilheteria da história da produtora A24: até o momento, ele arrecadou 99 milhões de dólares ao redor do mundo e está atrás, somente de ''Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo'' (que arrecadou $143 milhões).
A ideia de contar uma história sobre a ascensão de um mesa-tenista pode parecer direcionada a um público muito nichado ou soar como a receita de um drama de superação clichê, mas a verdade é que ''Marty Supreme'' não é nada disso: segundo a crítica geral, Josh Safdie conseguiu subverter totalmente as expectativas do público, ao entregar um roteiro extremamente ágil que é pautado em tensão, autoexigência desmedida e nas dificuldades que um outsider possui de viver o ''sonho americano'' — ou seja, é uma mistura de ''Joias Brutas'' com ''Rocky'', ''O Urso'' e ''O Brutalista'', mas com tênis de mesa no lugar das apostas, do boxe, da culinária e da arquitetura.
Toda a complexa trama de ''Marty Supreme'' é conduzida pela brilhante atuação de Timotheé Chalamet, no papel de Marty Mauser: embora o ator de 30 anos já tenha entregado desempenhos incríveis em filmes como ''Me Chame Pelo Seu Nome'' (2017), ''Duna: Parte 2'' (2024) e ''Um Completo Desconhecido'' (2024), diversos críticos estão afirmando que, em ''Marty Supreme'', ele entregou ''a melhor performance de toda a sua carreira, até agora'' — tanto que este trabalho colocou Chalamet como o grande favorito ao próximo Oscar de ''Melhor Ator'' e já rendeu a ele o Critics Choice Awards de ''Melhor Ator'' e o Globo de Ouro de ''Melhor Ator em Filme de Comédia''.
Desde 2017, Timotheé Chalamet vem emendando uma atuação digna de Oscar após a outra. Porém, para nós, brasileiros, é uma pena que o tardio favoritismo dele ao prêmio de ''Melhor Ator'' venha exatamente no ano em que Wagner Moura representa o Brasil na mesma categoria.
Por fim, vale lembrar, também, que o elenco coadjuvante de ''Marty Supreme'' também se destaca, pelas boas atuações de Gwyneth Paltrow, Odessa A'Zion e, até mesmo, do rapper Tyler The Creator, que, aqui, fez a sua estreia como ator.
Confira o trailer do filme:
''Marty Supreme'' já está em cartaz no Cinemark de Lages, mas (infelizmente) apenas em versão dublada.
