Com conteúdo acessível, Rádio Projeto Releituras “toca livros” para pessoas com dificuldade de leitura

O objetivo é ampliar a oferta de conteúdo acessível às pessoas cegas e de baixa visão, assim como para quem possui dificuldade de leitura. 

Por MAURÍCIO FRIGHETTO da ASCOM FAPESC
Florianópolis/SC

Foto: DIVULGAÇÃO

O Projeto Releituras – Livro Acessível, que desde 2017 produz audiolivros com interpretações no estilo de radionovelas, agora possui uma rádio na internet. O site reúne programas inéditos e material já disponibilizado em outras mídias. O objetivo é ampliar a oferta de conteúdo acessível às pessoas cegas e de baixa visão, assim como para quem possui dificuldade de leitura. 


De acordo com Maria de Fátima Medeiros e Silva, fundadora e coordenadora do projeto, muitas pessoas com deficiência de visão relataram dificuldades durante a pandemia, inclusive para obter livros acessíveis. “Fiz entrevistas com pessoas cegas e de baixa visão durante a pandemia e só escutava gente dizendo ‘adoro livro’ e ‘adoro rádio’. Aí bateu a eureka: ‘vou fazer uma rádio’”, relata. Há cinco meses entrou no ar a “Rádio Projeto Releituras – a rádio que toca livros”. 

Os audiolivros, que foram produzidos por voluntários, são a principal atração da programação. Mas também há programas novos, como o Era uma Vez, que traz histórias infantis, parlendas, trava-línguas, piadas e ditados populares. Há ainda música e programas especiais de artistas como Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi.

O início

Maria de Fátima começou a prestar atenção nos audiolivros por uma questão pessoal. “Tenho degeneração de córnea e pode ser que eu venha a ficar cega. Algo pessoal me conscientizou para o problema. Quando eu procurei por audiolivros, eu os achei chatos, só com uma pessoa narrando”.

Junto com o professor do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas (DLLV) da  Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) José Ernesto de Vargas, ela criou um projeto de extensão em 2017. Os voluntários aprendem técnicas de narração e interpretação antes de gravar os audiolivros. Atualmente, apesar de ser uma iniciativa independente, o projeto foi adotado pela Biblioteca da UFSC.

Além de ser úteis para pessoas cegas e de baixa visão, os materiais também são usados por quem possui outras dificuldades, como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA), dislexia, pacientes de hospitais, idosos, analfabetos e analfabetos funcionais.

Uma startup

O projeto Releituras é filantrópico. Mas, para poder participar do programa Centelha, que visa estimular a criação de empresas a partir da geração de novas ideias, Maria de Fátima e outros três sócios criaram a startup VI Mídia – Voz Inclusiva. “É basicamente uma produtora com conteúdos de acessibilidade para distribuir na área de educação”, diz.

A startup foi uma dos 28 projetos escolhidos pelo Centelha. O programa busca disseminar a cultura do empreendedorismo inovador em todo território nacional, incentivando a mobilização e a articulação institucional dos atores nos ecossistemas locais, estaduais e regionais de inovação do país.

O Centelha é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e pela Finep, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), operado pela Fundação Certi e executado em Santa Catarina pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc). De R$ 1,68 milhão em recursos, R$ 1,1 milhão vem da Finep e R$ 580 mil da Fapesc.

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