PIB: governo reduz projeção de crescimento para 2% em 2026

Além do PIB, o governo também reduziu a projeção da inflação para 4,9% ante 5,1% previsto anteriormente. 

Foto: Marcello Casal Jr.  / Agência Brasil

O Ministério da Fazenda revisou para baixo as projeções de crescimento da economia brasileira para 2026 e 2027. Segundo o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta terça-feira (22), a estimativa para o PIB em 2026 passou de 2,3% para 2%. Para 2027, a previsão caiu de 2,5% para 2,3%.

A revisão considera principalmente os efeitos da política monetária restritiva, com juros elevados afetando a atividade econômica, especialmente os setores de serviços e indústria.

Já a projeção para o IPCA em 2026 também foi alterada. A estimativa passou de 5,1% para 4,9%, mas permanece acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.

A meta oficial é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

De acordo com a SPE, a revisão considera os resultados do IPCA registrados até julho, além da melhora nas expectativas de inflação e da manutenção da Taxa Selic em nível contracionista.

A Fazenda também projeta uma desaceleração da atividade econômica no segundo semestre, em meio aos efeitos defasados da política monetária sobre o consumo e o crédito.

Serviços e indústria têm novas projeções

Entre os principais setores da economia, as estimativas para 2026 foram revisadas da seguinte forma:

  • Serviços: de 2,4% para 1,8%;
  • Indústria: de 2,1% para 1,7%;
  • Agropecuária: de 1,8% para 2,8%.

A expectativa de crescimento maior para a agropecuária ajuda a compensar parte da redução nas projeções para serviços e indústria.

No setor de serviços, a SPE aponta o desempenho mais fraco observado no primeiro semestre e os efeitos da política monetária sobre a demanda doméstica como fatores para a revisão.

O endividamento das famílias também aparece entre os fatores que podem limitar o consumo. Segundo o relatório, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas alcançou o maior nível da série histórica no segundo trimestre.

Projeção para 2027 combina PIB menor e inflação maior

Para 2027, além da redução na estimativa de crescimento econômico, a Fazenda elevou a previsão de inflação.

As novas projeções são:

  • PIB: de 2,5% para 2,3%;
  • IPCA: de 3,6% para 3,8%.

Um dos fatores considerados para a inflação maior é a possibilidade de El Niño mais intenso, com impactos sobre a produção agrícola e os preços dos alimentos.

A avaliação da SPE é que eventuais perdas na produção de grãos podem provocar efeitos posteriores sobre outros produtos, incluindo as carnes.

Efeito dos juros sobre a economia

O boletim também considera que os efeitos de uma eventual redução da Selic devem ocorrer gradualmente na economia, com reflexos sobre crédito, consumo e investimentos.

A expectativa é de que setores mais dependentes das condições de financiamento, como indústria, construção civil e serviços, sejam beneficiados conforme o custo do crédito diminua.

A redução do custo de capital também pode contribuir para a recuperação dos investimentos ao longo do período.

Cenário tem fatores de risco

A Secretaria de Política Econômica destacou ainda uma série de fatores que podem alterar as projeções econômicas.

Entre eles estão:

  • impactos do El Niño sobre a produção e os preços dos alimentos;
  • variações nos preços do petróleo;
  • condições de crédito para famílias e empresas;
  • comportamento da demanda interna;
  • desempenho das exportações;
  • atividade da indústria extrativa;
  • impactos de conflitos internacionais sobre os preços de energia.

Projeções orientam planejamento do governo

O Boletim Macrofiscal reúne projeções utilizadas pelo governo federal para acompanhar o cenário econômico e atualizar parâmetros do planejamento fiscal e do Orçamento da União.

Os dados também servirão de referência para o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado na quinta-feira (24) pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Entre os principais indicadores acompanhados estão o PIB, IPCA e INPC, utilizados nas estimativas de receitas, despesas e demais componentes das contas públicas.



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