Ministro André Mendonça também determinou o afastamento do diretor de Inteligência da Polícia Federal. Julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.
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| Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues e o ministro do STF, André Mendonça. (Fotos: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil e Carlos Moura / SCO / STF) |
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão foi tomada após um pedido apresentado pelo partido Novo.
Horas depois, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão de Mendonça. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o relator, somando três votos favoráveis à manutenção da medida. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Com isso, a decisão liminar de Mendonça permanece válida até a retomada da análise pelo colegiado.
Mendonça aponta suposto monitoramento pela PF
Na decisão, Mendonça afirmou que teria sido alvo de monitoramento por parte da área de inteligência da Polícia Federal durante mais de 30 dias.
Segundo o ministro, pelo menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026. Mendonça classificou a situação como grave e afirmou que o acompanhamento de um ministro do STF pela inteligência policial teria ocorrido de forma ilícita.
O caso veio à tona após o ministro Alexandre de Moraes divulgar um documento atribuído à inteligência da PF. O relatório apresentava suspeitas e inferências relacionadas à atuação de Mendonça como relator das investigações envolvendo o Banco Master.
Mendonça questionou a autenticidade do documento divulgado, destacando que ele não possui assinatura, timbre ou elementos que permitam confirmar oficialmente sua autoria.
Relatórios provocam disputa entre ministros do STF
A divulgação do relatório ocorreu em meio a uma troca de documentos e acusações entre integrantes do Supremo relacionada à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o Banco Master e seu antigo controlador, Daniel Vorcaro.
Mendonça havia tornado públicas mensagens recuperadas do celular de Vorcaro que, segundo a Polícia Federal, teriam como interlocutor o ministro Alexandre de Moraes.
Uma das mensagens menciona um contrato de R$ 131 milhões envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Em outro trecho, Vorcaro aparenta buscar informações sobre uma possível operação da Polícia Federal contra ele.
Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro.
Maioria mantém afastamento de Andrei Rodrigues
A sessão extraordinária da Segunda Turma foi convocada após a decisão de Mendonça. Com os votos de Fux e Nunes Marques, o colegiado alcançou maioria para manter, por enquanto, o afastamento do diretor-geral da PF.
O pedido de vista de Gilmar Mendes suspendeu a conclusão do julgamento, mas não interrompeu os efeitos da liminar.
O caso permanece relacionado à investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e aos questionamentos sobre a atuação de órgãos de inteligência durante o andamento das apurações.


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