Nota importante: As opiniões expressas nesta matéria não expressam necessariamente a opinião editorial do Lages Diário. Somente a do colunista que escreveu este texto.
Nesta terça-feira (19/05), o trailer do polêmico filme ''Dark Horse'' foi oficialmente divulgado - e o conteúdo dele confirmou que o roteiro que vazou na Internet, no último sábado (17), realmente é verídico.
Para os que não sabem, ''Dark Horse'' se vende como uma cinebiografia de Jair Bolsonaro e se passa na época em que o ex-Presidente tomou uma facada, enquanto fazia campanha eleitoral, em 2018. Porém, como o roteiro ficou a cargo de Mário Frias e a produção teve envolvimento direto de Flávio r̵a̵c̵h̵a̵d̵i̵n̵h̵a̵ Bolsonaro, ''Dark Horse'' acabou se transformando em uma fanfic com fortes indícios de encobrir lavagem de dinheiro.
Já no trailer, nós vemos cenas onde pessoas poderosas planejam o assassinato de Jair Bolsonaro — isso é uma desonestidade altamente descarada, pois, na vida real, ninguém nunca encontrou qualquer evidência de que Adélio Bispo teria agido a mando de alguém.
Além disso, o trailer de ''Dark Horse'' também retrata Jair Bolsonaro como uma espécie de Super-Homem que ''defende a Floresta Amazônica de forma nacionalista'', ''incomoda pedófilos de Hollywood'' e ''é contra o sistema''. Isso tudo não poderia estar mais distante da realidade — afinal, Bolsonaro sempre teve uma postura entreguista e submissa em relação aos Estados Unidos, nunca demonstrou preocupação com a Amazônia (tanto que o desmatamento na floresta aumentou 60% durante o governo dele*), nunca teve um posicionamento significativo contra a pedofilia (embora muitas pessoas tenham caído na fake news do ''Kit Gay'', que ele espalhava para se autopromover) e sempre esteve de braços dados com o sistema (chegou até a interferir diretamente no comando da PF, para blindar Flávio Bolsonaro de investigações).
*fonte: Instituto nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Confira o trailer oficial de “Dark Horse”:
Mas calma, que esse trailer novo é só a ''ponta do Iceberg''. Eu (Lucas Couto) li o roteiro vazado do começo ao fim e descobri que o filme sobre Jair Bolsonaro inventa várias outras mentiras. Selecionei as cinco mais bizarras, para contar a vocês:
- No roteiro que Mário Frias escreveu em parceria com os irmãos Cyrus e Noah Nowrasteh, vários assassinos contratados ficam decepcionados ao ver que Aurélio Barba (personagem que representa Adélio Bispo) foi preso e falhou na missão de matar Jair Bolsonaro. Com isso, esses assassinos decidem tentar concluir a missão que Aurélio não conseguiu cumprir. Bolsonaro, então, sofre um segundo atentado, enquanto ainda está internado, e acaba lutando contra vários esquerdistas, em frente ao Hospital Albert Einstein, até decidir escapar por um túnel secreto de emergência — Nada disso aconteceu!
- Durante o filme, Jair Bolsonaro terá a sua vida salva por pílulas mágicas dadas por uma personagem chamada Dolores. O roteiro dá a entender que Dolores é uma espécie de fantasma que ajuda Jair a cumprir o seu ''propósito divino'' - Nem preciso comentar nada sobre essa santificação messiânica que o roteirista fez, né?
- Haverá uma cena de flashback que suavizará a nojenta ocasião em que Bolsonaro ameaçou agredir fisicamente a deputada Maria do Rosário e disse que ''nunca a estupraria porque ela não merece''. No roteiro, Bolsonaro não faz ameaça alguma e apenas diz ''eu não sou estuprador e, se eu fosse, não iria estuprar você''.
Relembre o momento real, aqui:
-Em “Dark Horse”, um dos mandantes da facada é um traficante poderoso que Jair Bolsonaro prendeu “heroicamente”, na época em que ele serviu no exército — Não há indício algum de que Bolsonaro teria prendido qualquer traficante, durante a sua vida.
-A cena final de “Dark Horse” será a mais polêmica do filme, pois ela insinua que o OUTRO mandante de Adélio Bispo teria sido ninguém menos que ALEXANDRE DE MORAES. O nome de Alexandre não é mencionado, mas o roteiro se refere ao personagem como um ''homem careca e poderoso que parece ser juíz da Suprema Corte''. - Essa é uma insinuação gravíssima e sem base evidencial alguma. Cabe até um processo contra os roteiristas responsáveis por isso…
Filme “patriota” só com gringos
Quem interpretará Jair Bolsonaro, neste filme, é o ator estadunidense Jim Caviezel — que possui posições políticas bastante polêmicas e, recentemente interpretou Tim Ballard, no também altamente ficcional ''Som da Liberdade'' (2023). Aliás, o elenco de “Dark Horse” é majoritariamente composto por atores estrangeiros — Jim Caviezel atua ao lado de vários outros “gringos” (vide Esai Morales, Lynn Collins e Tank Jones).
Como “Dark Horse” conta com pouquíssimos atores brasileiros, todos os diálogos dele foram rodados em inglês.
Até mesmo o diretor do filme é estrangeiro — Cyrus Nowrasteh nasceu, foi criado e mora nos Estados Unidos (aliás, ele é muito lembrado pelo delirante documentário “The Path to 9/11”, que tenta culpabilizar o Democrata Bill Clinton pelos ataques do 11 de setembro).
As investigações em torno de “Dark Horse”
Há muitas suspeitas em torno do fato de ''Dark Horse'' ter custado R$ 134 milhões para ser feito — afinal, além deste ser um orçamento mais caro que o de qualquer outro filme brasileiro já lançado, também é maior que o de várias superproduções estrangeiras (a exemplo de ''Parasita'', ''Conclave'', ''Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo'', “Corra”, “Fragmentado”, ''Moonlight: Sob a Luz do Luar'', ''A Substância'', “Anora” e ''Godzilla Minus One'').
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou que o filme teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro (dono do banco Master). Porém, ao ser confrontado com a existência de áudios e prints vazados que desmentiam isso, Flávio acabou admitindo o recebimento, mas afirmou que foi um patrocínio privado integralmente utilizado para a produção de ''Dark Horse''.
No entanto, Mário Frias complicou a situação de Flávio, ao negar publicamente que o filme tinha utilizado dinheiro do Banco Master. No dia seguinte, Frias percebeu que isso piorou a barra do amigo e, então, acabou admitindo que ''Dark Horse'' foi parcialmente feito com fundos de Vorcaro (coisa que Frias já sabia há meses, de acordo com áudios vazados hoje, pelo The Intercept).
Flávio também se contradisse várias vezes: ele declarou, por exemplo, que ''não é próximo de Vorcaro'', embora as conversas vazadas dos dois incluam mensagens como ''Estou e estarei contigo Sempre, Irmão''. O 01 também afirmou que não teve contato com Vorcaro pessoalmente, mas, logo depois, admitiu que visitou o banqueiro na prisão.
Eduardo Bolsonaro também está sendo investigado, por seu envolvimento na produção de ''Dark Horse'' — uma das linhas de investigação da PF tem o objetivo de descobrir se o 03 estaria (ou não) utilizando o título de produtor executivo como fachada para financiar as suas despesas nos Estados Unidos. Inicialmente, Eduardo negou que possui envolvimento executivo no filme, mas, quando o The Intercept vazou provas de que ele assinou contrato de financiamento, o bananinha acabou admitindo a verdade.
Além disso, a produção de ''Dark Horse'' está sendo processada por não ter pago os direitos autorais da música que é tocada no trailer (''Survivor'', de Beyoncé) e nem a locação de R$ 5.000 de uma cafeteria paulistana que serve de cenário para o filme.
Um filme sobre ISSO TUDO seria muito mais interessante que a fanfic sem-vergonha que será ''Dark Horse'', hein.
P.S: “Dark Horse” chegará aos cinemas brasileiros no dia 11 de setembro (como se, nessa data, já não houvessem tragédias suficientes para nós lamentarmos).
