NR-1 entra em vigor a partir de maio e exige nova atração das organizações com a saúde mental no trabalho.
Por Vicente Pardo da Agência Ecomunica
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| Foto: Vitaly Gariev/Unsplash |
A partir de 26 de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, passará a exigir que empresas brasileiras incluam riscos psicossociais, como estresse, assédio e sobrecarga emocional, na gestão de riscos ocupacionais.
A mudança reforça a necessidade de atenção à saúde mental, um tema cada vez mais crítico. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, somente em 2024 mais de 470 mil profissionais foram afastados do trabalho por transtornos relacionados aos riscos psicossociais.
Para a psicóloga, especialista em liderança e cultura organizacional e CEO da Unnittá Consulting, Cíntia Bortotto, a atualização da NR-1 impacta significativamente a forma como as empresas cuidam da gestão de pessoas. “A saúde mental deixa de ser uma pauta relacionada ao bem-estar e passa a ser uma gestão de risco para a organização”, destaca.
Com o objetivo de auxiliar empresas nesse processo de adaptação, a especialista listou cinco passos para que as empresas se preparem para este novo cenário.
1 - Reconhecer a saúde mental como parte da gestão do negócio
Segundo Cíntia, é preciso compreender quais fatores da rotina profissional reforçam os riscos ocupacionais, como a pressão excessiva por resultados, jornadas prolongadas ou falta de autonomia.
“São fatores que impactam diretamente na produtividade, no clima organizacional e na retenção de talentos. Precisamos reforçar que os riscos emocionais são tão importantes quanto os riscos físicos. Eles também precisam ser identificados, avaliados e acompanhados de maneira estruturada”, explica.
2 - Incluir saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
Com a atualização da NR-1, os riscos psicossociais passam a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o que exige diagnóstico e monitoramento contínuo.
A especialista explica que, na prática, as empresas precisarão mapear os fatores organizacionais que possam impactar na saúde das pessoas trabalhadoras e estabelecer planos de ação para diminuí-los ou evitá-los.
3 - Líderes capacitados
Como toda mudança, a liderança da empresa tem um papel central na prevenção de problemas de saúde mental no trabalho. Por isso, capacitar gestores para reconhecer sinais de estresse, esgotamento ou conflitos internos é fundamental.
“As lideranças são as primeiras a perceber mudanças de comportamento em seus times. Quando essas figuras estão preparadas, conseguem agir preventivamente, evitando que situações evoluam para crises maiores”, conclui Cíntia.
4 - Cultura organizacional forte e canais de escuta
A cultura da empresa deve estimular o diálogo, a confiança e a segurança psicológica. De acordo com a especialista, estes são aspectos que tendem a reduzir os riscos psicossociais.
“Empresas que escutam as pessoas com frequência conseguem ajustar processos e práticas antes que os problemas se tornem estruturais”, comenta a psicóloga. Segundo ela, um instrumento eficiente são os canais de escuta, como pesquisas de clima ou rodas de conversa, que ajudam a identificar problemas precocemente.
5 - Integrar saúde mental à gestão de pessoas
Mais do que cumprir uma exigência legal, se preparar para a NR-1 é uma oportunidade de rever a cultura organizacional da empresa e reforçar o papel da liderança.
Cíntia explica que organizações que incorporam cuidado ao bem-estar tendem a apresentar crescimento no engajamento e no desempenho das pessoas. “A nova norma só reforça algo que já era evidente no mercado. Empresas que cuidam das pessoas e equilibram a exigência pelo desempenho são também as que conseguem sustentar melhores resultados”, conclui a especialista.

