Saiba como foi o sábado de Rock e Reggae da 36ª Festa Nacional do Pinhão

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(Fotos: DAROSA Films/Divulgação)


Depois de várias noites consecutivas protagonizadas por Sertanejo, Pagode ou Música Nativista, a 36ª Festa Nacional do Pinhão teve um sábado dominado por Rock e Reggae: os shows principais que ocorreram no Parque Conta Dinheiro, na noite de ontem (06/06), foram os de Armandinho, Marcão Britto & Thiago Castanho (ex-integrantes do Charlie Brown Jr.), Capital Inicial e Raimundos. 

Quem acompanha a minha coluna sabe que eu, Lucas Couto, sou um grande fã de todos esses artistas/grupos citados. Por esse motivo, o proprietário do Lages Diário (Maurício Ferreira dos Santos) pediu que, além de escrever informações sobre os shows da noite passada, eu também desse as minhas impressões pessoais sobre cada um dos espetáculos. 

Vale lembrar que eu tive a oportunidade de entrevistar alguns dos artistas de ontem - então, este texto também incluirá relatos meus a respeito da novela que foi essa busca pelas entrevistas. 




(Foto: DAROSA Films/Divulgação)


Armandinho 

O regueiro Armandinho subiu ao palco da Arena do Pinhão às 20 horas e 30 minutos deste sábado (06/06). Ele realizou um show pautado em sucessos antigos como ''Balanço da Rede'', ''Outra Noite que se Vai'', ''Desenho de Deus'', ''Reggae das Tramanda'', ''Outra Vida'' e ''Toca Uma Regueira Aí'' - embora o cantor gaúcho tenha o costume de lançar composições novas regularmente, a música mais recente que ele cantou ontem foi ''Eu Sou do Mar'' (hit de 2015).

Foi uma apresentação repleta de clássicos que foram cantados a plenos pulmões pelo público. Porém, quem já teve a oportunidade oportunidade de ver Armandinho anteriormente pode ter ficado com a impressão de que este show de ontem ficou no ''mais do mesmo'' - eu sei disso porque já fui a alguns outros shows dele e achei que este foi muito parecido com os que eu já havia assistido.

Armandinho não aceitou dar entrevistas para nenhum veículo de imprensa (somente para os funcionários da AME, que é produtora da 36ª Festa Nacional do Pinhão). Por isso, infelizmente, não tive a oportunidade de entrevistá-lo. 






Marcão Britto & Thiago Castanho tocam Charlie Brown Jr. 

Após o término do show de Armandinho, os guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho subiram ao palco do Parque Conta Dinheiro, para fazer um tributo ao Charlie Brown Jr. (lendária banda de rock que eles ajudaram a fundar).

Alguns minutos antes do show começar, eu consegui entrevistar Marcão e Thiago, no backstage da Festa do Pinhão. Minha pergunta sobre a proposta do espetáculo foi uma das duas perguntas selecionadas pelos agentes deles (haviam diversos jornalistas disputando uma entrevista com eles... foi uma honra ter sido selecionado!). 

Embora o show da dupla tenha sido em formato acústico, a ausência de guitarras elétricas não comprometeu o ânimo da apresentação - isso, não somente porque Marcão e Thiago utilizaram violões cheios de pedais de distorção e tocaram em pé o tempo inteiro, mas também porque o repertório que eles tocaram ontem inclui vários clássicos populares - vide ''Proibida Pra Mim'', ''Céu Azul'', ''Tudo Que Ela Gosta de Escutar'', ''Papo Reto'' e ''Só os Loucos Sabem'' (aliás, para delírio dos fãs do Capital Inicial, esta última foi tocada com a participação especial de Dinho Ouro Preto). 

Porém, os fãs mais underground da banda também foram agraciados: além dos hits, o show de ontem também incluiu lados B subestimados como ''Hoje Sou Eu Que Não Mais Te Quero'' e ''Uma Criança Com o Seu Olhar''

O fato d'o vocalista Rafael Carleto ser parecido com Chorão e ter a voz idêntica à dele empolgou muita gente da plateia, mas me incomodou um pouco: para mim, ele soou como uma versão genérica de Chorão. Acredito que, para este tributo ao Charlie Brown Jr, Marcão e Thiago deveriam ter seguido o exemplo da Legião Urbana (que escalou André Frateschi, para prestar tributo a Renato Russo) e escalado algum vocalista que lembrasse menos o cantor homenageado - entre 2022 e 2024, os dois guitarristas fizeram turnês ao lado de Egypcio (vocalista do Tihuana) e funcionou bem melhor. 

Na minha opinião, os momentos em que Marcão, Thiago ou Dinho assumiram os vocais acabaram rendendo a maioria dos pontos altos do show. 





(Foto: Divulgação/Instagram @dinhoouropreto)


Capital Inicial

À meia noite, o Capital Inicial subiu ao palco, sem o seu baterista-fundador Fê Lemos (que está afastado do grupo há mais de um mês, por motivos que eu já expus em minha coluna). No lugar de Fê, estava Gui Amaral —jovem baterista que, sinceramente, trouxe uma solidez de ritmo bem maior ao Capital.

O carisma enorme do vocalista Dinho Ouro Preto cativou a plateia do começo ao fim — e a ótima entrega instrumental de Gui Amaral, Flávio Lemos (baixista) Fabiano Carelli (guitarrista base) e Nei Medeiros (tecladista) compensou o desempenho ruim de Yves Passarell (guitarrista principal que vem regredindo cada vez mais, tecnicamente). 

Durante o show, a banda de Dinho tocou 12 das 14 músicas presentes no álbum ''Acústico MTV’’, de 2000 (foram elas: “O Passageiro”, “O Mundo”, “Todas as Noites”, “Tudo que Vai”, “Eu vou Estar”, “Leve Desespero”, “Primeiros Erros”, “Música Urbana”, “Fátima”, “Veraneio Vascaína”, “Independência” e “Natasha”). Mesmo assim, sobrou espaço para um cover de ''Tempo Perdido'' (clássico da Legião Urbana) e para as baladas ''Olhos Vermelhos'', ''Não Olhe Pra Trás'' e ''À Sua Maneira''. 

Por mais que os membros do Capital Inicial tenham lançado o EP de inéditas “Movimento'', em novembro do ano passado, nenhuma canção desse trabalho fez parte do show de ontem — aliás, todas as músicas que o Capital lançou depois de 2004 ficaram de fora do setlist. Foi um espetáculo retrô bem parecido com o que o grupo realizou no CentroSerra Convention Center, em novembro de 2024. 

Assim como Armandinho, o Capital Inicial também não concedeu entrevistas a representantes da imprensa que não estavam à serviço da AME. Por isso, eu, infelizmente, não pude entrevistar a banda. 





Raimundos


Em um determinado momento do show do Capital Inicial, eu tive que sair da plateia, para comparecer à coletiva que os membros do Raimundos concederam à imprensa. Fiz uma pergunta sobre o álbum ''XXX'', que a banda está divulgando atualmente. Confira, no Instagram do Lages Diário, o vídeo da minha entrevista com eles: 


Eram quase duas horas da manhã, quando Digão (vocalista/guitarrista), Marquim (guitarrista), Caio Cunha (baterista) e Jean Moura (baixista) subiram ao palco da Festa Nacional do Pinhão. Porém, a grande maioria do público permaneceu firme e forte, até o fim do show do quarteto - em determinado momento, Digão chegou a expressar que ficou lisonjeado ao ver que tanta gente havia ficado até tarde, só para ver os Raimundos. 

A passagem anterior dos Raimundos por Lages havia sido em 2000, quando o vocalista Rodolfo Abrantes, o baterista Fred Castro e o falecido baixista Canisso ainda faziam parte da banda. Hoje, Digão é o único membro remanescente daquela formação e ocupa, não somente o posto de guitarrista, mas também o de vocalista. 


A abertura do show foi catártica, com as proibidonas ''Puteiro em João Pessoa'' e ''O Pão da Minha Prima''. Porém, logo depois, a banda suavizou um pouco o seu conteúdo lírico, ao tocar ''20 e Poucos Anos'' (clássico de Fábio Jr que os Raimundos transformaram em punk rock, no DVD ''MTV Ao Vivo'', de 2000). 

Já nessas primeiras músicas, deu pra ver que a atual formação do grupo está bastante entrosada - Digão comanda muito bem a plateia e entrega ótimas performances vocais, enquanto Marquim, Caio e Jean ajudam a cativar ainda mais o público e demonstram técnica instrumental (como Marquim e Caio já estão no Raimundos há mais de 20 anos, a qualidade das performances deles já era esperada, mas Jean, que ingressou em 2023, surpreendeu bastante o público). 

Depois disso, a banda continuou alternando canções pesadas com hits um pouco mais pop: a pegada Hardcore/Metal de músicas como ''Rapante'', ''Tora Tora'' e ''Eu Quero Ver o Oco'' era equilibrada por composições do naipe de ''I Saw You Saying'', ''Reggae do Manêro'', ''Mulher de Fases'', ''Me Lambe''''A Mais Pedida'' e ''Aquela''.

É claro que a maior parte do espetáculo de ontem foi composto por músicas da formação original dos Raimundos, mas Digão também fez questão de tocar algumas músicas recentes, para mostrar que ele, Marquim, Caio e Jean não querem viver só de nostalgia: em meio aos clássicos da era-Rodolfo, a banda tocou ''Cuidado Com Esses Cara Aí'' e ''Nas Nuvens'', que foram lançadas no álbum ''XXX'' (2025). 

O show de ontem só não contou com mais músicas lançadas após a saída de Rodolfo devido ao limite de tempo imposto pela organização da Festa: ''Um Doce'' e ''Mas Vó'' estavam no setlist dos Raimundos, mas acabaram não sendo tocadas - assim como ''Esporrei na Manivela'' (música do álbum ''Lavô tá Novo'', de 1995) acabou sendo substituída por ''Tora Tora'' (faixa do mesmo álbum, tocada a pedidos do público. 


Na minha opinião, foi, sem sombra de dúvidas, o melhor show da noite. Por mais que, atualmente, o Raimundos não seja mais o mesmo grupo que era há 26 anos, ainda é uma experiência divertidíssima ir a um show que inclui tantos clássicos enérgicos. 


A coluna de Lucas Couto no Lages Diário tem o patrocínio de:

                         


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