''Eu tive a honra de trabalhar no júri do festival de Cannes ano passado. Uma noite, eu sentei no fundão do enorme teatro de Palais e assisti com enorme admiração o Wagner Moura nos conduzir até o Recife da década de 1970 e depois nos levar para um lugar reservado para performances transcendentais: para o coração da vida. O júri acabou premiando ele com o troféu de ''Melhor Ator''.No Brasil, o cara já é uma lenda há anos. E ele já vinha trabalhando fora do Brasil há algum tempo. Porém, no ano passado, Moura entrou de vez no circuito mundial.Também no festival de Cannes, Robert De Niro fez um discurso dizendo que ''Fascistas deveriam temer a arte''. O fato de Moura ter vivido sob o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023, faz dele alguém que entende que a democracia e a liberdade são coisas pelas quais você tem que lutar todos os dias (essa é uma ideia que o nosso, ocasionalmente, alienado país está começando a perceber agora). Moura não tem medo de usar o humanizador e provocador poder da arte como uma arma. Seja em ''O Agente Secreto'', no filme ''Marighella'', que ele dirigiu (e que também denuncia a Ditadura Militar Brasileira), ou na peça de teatro ''An Enemy of The People'', que ele estrelou ano passado e que é baseada no livro homônimo de Ibsen (o quanto você está disposto a lutar pela verdade?) - ele é uma força da política e da humanidade, um cara que nós desesperadamente precisamos. Quando o De Niro disse que os fascistas deveriam temer a arte, ele estava falando de artistas como Wagner Moura. O tipo de artista que nós precisamos mais do que nunca agora. ''
Atualmente, Wagner Moura está repleto de trabalhos internacionais agendados para os próximos anos: ele participará dos filmes ''11817'', ''The Last Day'', ''O Aroma da Pitanga'', ''Diga o Nome Dela'', ''Last Night at The Lobster'', ''The Outsider'', ''Flash of The Gods'' e ''Ascenso''. Quase todos esses trabalhos vieram por consequência da enorme visibilidade midiática que Wagner ganhou, após o seu desempenho em ''O Agente Secreto''.
Aliás, um dos trabalhos que Wagner Moura realizou após ''O Agente Secreto'' já está sendo exibido: na série ''Maul: Lorde das Sombras'' (que está recebendo novos episódios, na Disney+, todas as segundas-feiras), o artista baiano é quem dubla o personagem Brandon Lawson, em inglês.
Mais dois brasileiros na TIME100!
Além de Wagner Moura, a nova seleção de ''100 Pessoas mais Influentes do Mundo'' feita pela revista TIME também incluiu outros dois brasileiros: os engenheiros agrônomos Luciano Moreira e Mariangela Hungria, que trabalham na Fiocruz e na EMBRAPA, respectivamente.
Luciano Moreira, à esquerda e Mariangela Hungria, à direita (Foto: Divulgação/Montagem)
Luciano foi listado na seção ''Inovadores'', por estar liderando uma iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz/Fiocruz que visa utilizar a bactéria Wolbachia para combater a dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos. Essa iniciativa vem se mostrando bastante eficaz e está repercutindo no mundo inteiro — tanto que, antes mesmo da TIME Magazine incluir Luciano na TIME100, a revista científica Nature já havia listado ele como ''uma das 10 pessoas que mais influenciaram a ciência mundial, no ano de 2025”.
Mariangela, por sua vez, aparece na seção ''Pioneiros'', graças ao seu trabalho agrônomo revolucionário que utiliza bioinsumos capazes de substituir fertilizantes químicos sintéticos. Essa inovação que Mariangela lidera, através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), traz benefícios no combate ao aquecimento global, gera uma economia anual de R$ 124,8 bilhões aos agricultores do Brasil, aumenta muito a produção de soja e ainda possibilita uma alimentação mais orgânica aos brasileiros — por esse motivo, em 2025, a World Food Prize Foundation concedeu a ela o ''Prêmio Mundial da Alimentação'' (também conhecido como o ''Nobel da Alimentação'').
