Um Lageano tocará no Rock in Rio, na mesma noite que o Foo Fighters! Conheça JC Matias







Faz menos de seis meses, desde que o baterista JC Matias deixou Lages, para concentrar a sua carreira musical em São Paulo, mas esse curto período já foi o suficiente para ele se estabelecer muito bem por lá: primeiro, JC se tornou professor da escola de música Bateras Beat (que é famosa por empregar alguns dos melhores bateristas do Brasil) e, mais recentemente, ele ingressou na banda de apoio de Giovanna Moraes — cantora paulistana que será uma das atrações do Rock in Rio 2026. 

O convite para trabalhar com Giovanna veio por intermédio do guitarrista dela (Thommy Moraes) e foi consequência dos vídeos ''baterísticos'' que JC posta regularmente, no Instagram. Segundo o instrumentista lageano, esse é um exemplo prático de que as redes sociais podem servir como grandes aliadas para os músicos: ''você até pode atuar na sua cena local como músico e fazer com que as pessoas fiquem te conhecendo de forma orgânica, mas, assim, você fica limitado à sua cena e às pessoas que te conhecerem pessoalmente. Se você quiser crescer muito mais, é necessário dar uma estudada sobre como funciona o algoritmo e sobre como as pessoas usam as redes sociais pra promover o trabalho delas. Você tem que encarar a sua rede social como uma vitrine, como um portfólio... e tem que ter paciência, pois é na insistência que as pessoas vão te conhecendo'' — declarou ele, durante uma entrevista exclusiva concedida ao Lages Diário. 

JC já fez os seus dois primeiros shows como baterista de Giovanna Moraes e, ainda neste ano, acompanhará a cantora em várias outras apresentações. Porém, o show que JC mais está empolgado para realizar com ela é, sem dúvidas, o do Rock in Rio. 

No mesmo dia em que JC recebeu o convite para entrar na banda de Giovanna, ele foi pesquisar mais sobre o trabalho da cantora e, logo de cara, se deparou com a informação de que ela se apresentará no Rock in Rio 2026. Contudo, a primeira reação do baterista foi duvidar que estava sendo escalado para esse show: ''eu fiquei incrédulo e só fui acreditar que eles me queriam para essa gig quando ouvi da boca deles isso. Eu não esperava que a primeira banda que me chamasse pra tocar, aqui em São Paulo, me levaria pro maior festival de música do país. Saí do ensaio com as passagens compradas e com a sensação de gratidão aos céus, por terem botado essas pessoas em meu caminho. Afinal, o sonho de qualquer músico é tocar no Rock in Rio uma vez na vida. Tenho certeza que vou passar por uma fase de muito nervosismo, às vésperas do evento'' — disse JC, ao autor desta matéria.


O show de Giovanna Moraes, no Rock in Rio 2026, abrirá as atividades do palco Global Village, no dia 4 de setembro (mesma data em que gigantes como Foo Fighters, Rise Against, The Hives, Capital Inicial, Nova Twins, Detonautas, Biquíni, Di Ferrero e Paulinho Moska também se apresentarão na Cidade do Rock). Ao acompanhar Giovanna, JC se tornará O SEGUNDO LAGEANO A TOCAR NESSE ICÔNICO FESTIVAL!!*


*O único lageano que tocou no Rock in Rio, antes de JC, é o pianista Luiz Gustavo Zago, que acompanhou/dirigiu a Nova Orquestra e os rappers Rael, Baco Exu do Blues, Agir e Rincôn Sapiência, no show “Hip Hop Hurricane” (ocorrido no Palco Sunset, durante o Rock in Rio de 2019). 

 
A carreira de JC, até agora


Nascido em 1995, João César Matias sempre demonstrou ter um apreço enorme por música: ele começou a tocar bateria ainda criança e, com apenas 14 anos de idade, já possuía uma banda autoral, com um amigo (Vinicius Beber) e com dois de seus primos (Gabs e Ana Matias). Essa banda se chamava Janejon e chegou a fazer um sucesso considerável na cena musical lageana — a ponto de ter aberto um show da Restart e tocado em duas edições da Festa Nacional do Pinhão. 




A Janejon encerrou as suas atividades em 2011, mas, pouco tempo depois disso, JC, Gabs e Vinicius montaram a banda Lovit, com o guitarrista Mateus Rosa. Esse projeto também durou pouco, mas foi o embrião de uma banda muito bem-sucedida que surgiria alguns anos depois (falarei sobre isso daqui a três parágrafos...).


Em 2014, JC já possuía um acervo grande de composições próprias e já dominava diversos outros instrumentos musicais, além da bateria. Por isso, ele decidiu se aventurar a gravar sozinho todas as linhas de voz, guitarra, baixo, teclados e bateria de um álbum autoral. Esse projeto one-man-band foi batizado de Arconde e acabou rendendo, não apenas um, mas sim DOIS álbuns de estúdio — que foram respectivamente chamados de ''Multiverso'' (2014) e ''A Chama da Vela'' (2018). 



JC manteve o Arconde durante cinco anos. Através desse projeto próprio, ele fez vários shows (acompanhado de músicos contratados) e chegou a gravar uma música com o vocalista Teco Martins, do Rancore. Porém, em meio a isso, JC também trabalhou como baterista da banda florianopolitana Magnólia (de 2016 a 2019) e fez shows pontuais com artistas/grupos como Marcão Britto (guitarrista do Charlie Brown Jr), Digão (vocalista do Raimundos) e Emo All Stars. 


JC morou em Florianópolis, durante todo esse período em que ele se dedicou ao Arconde e à Magnólia. Enquanto isso, os já citados Gabs Matias e Mateus Rosa estavam dando os primeiros passos da Ondastral, aqui em Lages — os dois formaram tal banda em 2015, mas passaram cinco anos penando para fazer o projeto emplacar (muito por causa do constante entra-e-sai de bateristas e baixistas que marcou aquele início do grupo). Porém, em 2020, a Ondastral finalmente encontrou a sua formação ideal: a partir do momento em que Gabs e Mateus passaram a tocar com JC (na bateria) e Vitor Xavier (no contrabaixo), a banda lageana não apenas se estabilizou, como também acabou se tornando uma enorme referência, na cena do pop rock catarinense. 


Dentro da Ondastral, JC gravou o EP ''Toda Origem é Natural'' (2020), o álbum ''Pare de Noiar'' (2023) e os singles ''Em Brasa'', ''Pá Virada'', ''O Mundo Pode Ser Nós Dois'', ''Sexta-Feira Linda'', ''Morena Gold'', ''Moletom'' e ''A Vida Me Chamou''. Além de atuar como baterista, ele também ganhou espaço para contribuir criativamente em composições como ''Sozinho'', ''Oficina do Diabo'', ''Tapa na Cara'', ''Possibilidades''''Nós Somos Tudo Lixo'' e ''Sinfonia de Deus'' (essas duas últimas foram compostas somente por JC). 




Entre 2020 e 2026, a Ondastral tocou em quatro edições da Festa Nacional do Pinhão, participou do Planeta Atlântida de 2024 e chegou a abrir shows de gigantes como Vitor Kley, Supla, Armandinho, Rancore, CPM 22, Diogo Defante, Braza e Dazaranha. Contudo, em meio a todo esse sucesso da Ondastral, JC também trabalhou como professor de bateria e integrou alguns grupos paralelos: durante o final de 2021, ele foi baterista da VENVS (banda de curta duração liderada por Lívia Elektra, ex-vocalista do Fake Number) e, entre 2025 e 2026, ele fez parte da banda de metal Dead Jungle Sledge

Como JC nunca parou de estudar música e sempre utilizou as redes sociais como ferramenta estratégica de divulgação, ele acabou chamando a atenção de diversos músicos cultuadíssimos, já na época em que a Ondastral esteve em atividade — entre os bateristas que já elogiaram virtualmente as habilidades dele, estão nomes como Eloy Casagrande (Slipknot/Ex-Sepultura), Alê Iafelice (Rancore), Alexandre Magno (Pense), Luana Dametto (Crypta), Gabriela Abud (ex-Nervosa), Thales Stipp (Di Ferrero), Pinguim Ruas (ex-Charlie Brown Jr) e Vitor Peracetta (Bad Luv). 


Mesmo assim, JC nunca deixou de sentir na pele que o atual mercado da música brasileira é muito limitado, para os artistas que moram longe de São Paulo. Em determinado momento, João César decidiu que iria se mudar para a capital paulista e convidou os demais integrantes da Ondastral a ir com ele — porém, como Gabs, Mateus e Vitor tinham barreiras que os impediam de sair de Lages, JC acabou se mudando para São Paulo sozinho.

O ex-baterista da Ondastral só começou a fazer shows com Giovanna Moraes em agosto deste ano (a estreia dele aconteceu no sábado passado, 02/08, durante o festival João Rock, de Ribeirão Preto). Porém, em julho, JC gravou as linhas de bateria da canção ''Vai me Ver na TV'' — que fará parte do álbum de inéditas ''Rumo a Tokyo'' (a ser lançado por Giovanna, na véspera do Rock in Rio).



Confira, abaixo, alguns momentos dos primeiros shows de JC como baterista de Giovanna Moraes: 











Não é só tocar bem!


Quando JC foi chamado para se reunir com Giovanna Moraes pela primeira vez, a cantora paulistana já estava convencida de que ele é um exímio baterista (afinal, ela assistiu a diversos vídeos do Instagram dele, antes de fazer tal convite). Entretanto, JC dificilmente teria sido contratado por Giovanna, se ele não tivesse passado no teste que estava sendo feito naquela primeira reunião — estou falando, é claro, do teste do bom convívio interpessoal. 

No decorrer dos seus mais de 15 anos de carreira profissional, JC acabou descobrindo que, no meio da música, ser uma pessoa simpática e de fácil convívio é algo tão essencial quanto habilidade técnica: ''estudar música e tocar bem é  apenas uma fração do esquema. Conta muito - e, às vezes, conta até mais - se você é uma pessoa boa de se relacionar e se você se dá bem com a galera com a qual você tá tocando. Além disso, se você está na banda de um (a) artista solo, você tem que entender a proposta do (a) artista e o seu lugar no projeto'' — declarou ele, ao Lages Diário. 


Quando perguntado sobre mais conselhos que ele daria aos músicos lageanos que querem se dar bem na profissão, JC respondeu: ''faça por amor, pois, somente assim, você vai perseverar nas muitas dificuldades dessa profissão. E tente descobrir as várias formas que existem para se viver de música, pois nem só de palco e glamour vive o músico. A maioria dos músicos que eu conheço atua em mais de uma frente. O resumo de tudo o que eu disse é: mantenha-se estudando, esteja sempre antenado, seja uma pessoa legal e seja confiável, pois, assim, muitas portas se abrirão!''.

 



A coluna de Lucas Couto no Lages Diário tem o patrocínio de:

                         



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