Homem Aranha 4 já é a maior bilheteria de 2026. Isso quer dizer que não existe crise no gênero de heróis?



O filme ''Homem Aranha: Um Novo Dia'' chegou aos cinemas no dia 29 de julho e, em apenas 10 dias, conseguiu arrecadar mais de 1,6 bilhão de dólares em bilheteria — o único longa-metragem que conseguiu arrecadar tal quantia de maneira mais rápida que essa foi ''Vingadores: Ultimato'' (2019), que é amplamente reconhecido como o auge do cinema de super-heróis. 

Desde a última quarta-feira (05/08), esse novo filme do Homem Aranha ocupa o 1° lugar, no ranking das maiores bilheterias de 2026 — ou seja, ele desbancou, até mesmo, grandes êxitos comerciais como ''A Odisséia'', ''Toy Story 5'', ''Michael'' e ''Super Mario Galaxy: O Filme'', que já estão em cartaz há bem mais tempo. 


Confira o Top 5 Maiores Bilheterias de 2026 (Dados do último domingo, 09/08, revelados pelo site Box Office Mojo): 

1° lugar: Homem Aranha: Um Novo Dia --> $1,665,088,528
2° lugar: A Odisséia -->$1,104,804,890
3° lugar: Toy Story 5 -->$1,093,981,614
4° lugar: Michael -->$1,016,068,388
5º lugar: Super Mario Galaxy: O Filme --> $1,012,214,826



Além disso, em maio deste mesmo ano, a série ''Spider-Noir'' (que colocou Nicolas Cage para viver um Homem Aranha de um universo alternativo) foi um grande sucesso de audiência, na Prime Video.


Porém, será que isso significa que os filmes/séries de super-heróis não estão desgastadas para a maioria do público? 🤔🤔🤔🤔


Na opinião do colunista que vos escreve, a crise no gênero de super-heróis existe sim e começou em 2021, quando os executivos da Marvel Studios decidiram aumentar drasticamente a frequência de lançamentos da empresa — a partir daquele ano,  a narrativa transmidiática do universo Marvel começou a incluir, não somente filmes, mas também várias séries/minisséries que foram lançadas através do streaming Disney+. Esse excesso de lançamentos começou a comprometer a qualidade de várias obras, desgastou bastante o gênero de super-heróis e, também, gerou um grande problema para o público: ficou MUITO MAIS DIFÍCIL acompanhar o andamento dos eventos do Universo Cinematográfico da Marvel, visto que quase todos os filmes e séries situados neste universo estão conectados a obras previamente lançadas — para entender o filme X, é necessário assistir antes a minissérie Y, o filme Z... e nem todas as pessoas estão dispostas a isso. 

O êxito comercial de obras como ''Pantera Negra: Wakanda Para Sempre'' (2022), ''Guardiões da Galáxia Vol.3'' (2023), ''Deadpool & Wolverine'' (2024), ''Spider Noir'' (2026) e ''Homem Aranha: Um Novo Dia'' (2026) prova que certos heróis da Marvel ainda atraem muitos espectadores. Porém, esse público ficou bem mais seletivo do que era antigamente: se, há alguns anos, a empresa em questão conseguia lucrar muito com filmes de heróis pouco conhecidos (vide os hoje amados Guardiões da Galáxia, que eram praticamente anônimos, antes de estrearam nas telas, em 2014) , o mesmo não acontece mais, nos tempos atuais — afinal, o excesso de lançamentos recentes de super-heróis fez com que grande parte do público passasse a ignorar obras como ''Os Eternos'' (2021), “Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis” (2021), ''Ms.Marvel'' (2022), “Cavaleiro da Lua” (2022), ''Thunderbolts'' (2025) e ''Magnum'' (2026), que são protagonizadas por personagens não tão famosos da Marvel. 

A DC (principal concorrente da Marvel) não leva tão à risca a ideia de interligar os seus lançamentos audiovisuais, mas, mesmo assim, também saiu prejudicada, nessa crise — por mais que ''The Batman'' (2022) e ''Superman'' (2025) tenham tido grande êxito comercial, obras como “The Flash” (2023), “Shazam: Fúria dos Deuses” (2023), “Besouro Azul” (2023) e “Supergirl” (2026) foram fracassos retumbantes de bilheteria. 

Para mim, está claro que nomes icônicos como Homem-Aranha, Pantera Negra, Deadpool, X-Men, Superman e Batman continuam atraindo multidões para as salas de cinema. Porém, o público não está mais disposto a assistir qualquer filme/série que venha com o selo da Marvel ou da DC — somente os heróis que JÁ TÊM uma alta credibilidade prévia com os espectadores continuam imunes, perante a atual crise. 

Aliás, os executivos da Marvel Studios perceberam bem isso. Não à toa, o vindouro filme “Vingadores: Doutor Destino” será protagonizado por super-heróis que, em sua maioria, são velhos queridinhos do público — o plano original da Marvel era conceder holofotes maiores a personagens que foram introduzidos após “Vingadores: Ultimato” (2019), mas, por consequência da atual crise, até mesmo o Capitão América de Chris Evans, o Professor Xavier de Patrick Stewart e o Magneto de Ian Mckellen foram trazidos de volta às telas. Além disso, quem interpretará o vilão Doutor Destino é Robert Downey Jr (antigo intérprete do Homem de Ferro), e não um ator que nunca participou do Universo Marvel. 

De tal modo, não há dúvidas de que “Vingadores: Doutor Destino” será um sucesso de bilheteria tão grande quanto “Homem Aranha: Um Novo Dia” está sendo. Contudo, o êxito deste 5º Vingadores será mais uma prova de que, atualmente, os únicos filmes de herói que se saem bem nas bilheterias são aqueles que apostam no que é seguro. Os selos da Marvel ou da DC, em alguma obra para cinema ou TV, deixaram de ser uma garantia de sucesso comercial. 


A coluna de Lucas Couto no Lages Diário tem o patrocínio de:

                         






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