16 estados perdem mais de 40% da água tratada antes de chegar aos consumidores, aponta estudo

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Levantamento do Instituto Trata brasil mostra que o Brasil desperdiça 39,53% da água tratada na distribuição. Alagoas lidera o ranking de perdas, enquanto Piauí apresenta o melhor desempenho.


Foto: Canva / Ilustrativa

O Brasil ainda enfrenta um desafio significativo na gestão dos sistemas de abastecimento. Dados do Instituto Trata Brasil, com base no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) de 2024, revelam que 39,53% da água tratada produzida no país é perdida antes de chegar aos consumidores.

O índice representa um volume expressivo de desperdício, equivalente a cerca de 4,8 mil piscinas olímpicas por dia, resultado de problemas como vazamentos nas redes, ligações irregulares, falhas operacionais e erros de medição.

Norte e Nordeste concentram os maiores índices

A análise dos dados mostra que as maiores perdas estão concentradas principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Entre os estados com os piores resultados estão:

  • Alagoas: 66,90%
  • Roraima: 65,97%
  • Pará: 57,33%
  • Maranhão: 56,68%
  • Acre: 56,48%
  • Sergipe: 55,10%

Todos registram índices muito acima da média nacional, indicando desafios estruturais para a eficiência dos sistemas de distribuição.

Ao todo, 16 estados brasileiros apresentam perdas superiores a 40%, percentual considerado elevado para os padrões do setor.

Piauí, assim como Sul e Centro-Oeste apresentam melhores resultados

Na outra ponta do ranking, o Piauí lidera com o menor índice de perdas do país, registrando 24,61%, sendo o único estado que já atende à meta nacional estabelecida para 2033.

Também se destacam:

  • Goiás: 27,13%
  • Mato Grosso do Sul: 30,60%
  • Distrito Federal: 31,55%
  • Tocantins: 31,58%
  • São Paulo: 32,15%
  • Paraná: 33,40%
  • Santa Catarina: 34,97%

Os números demonstram que parte dos estados já está mais próxima dos níveis considerados adequados para a gestão eficiente dos recursos hídricos.

Santa Catarina fica abaixo da média nacional

Entre os estados do Sul, Santa Catarina apresentou perda de 34,97%, ficando abaixo da média brasileira de 39,53%. O desempenho catarinense é melhor que o registrado no Rio Grande do Sul (39,25%) e próximo ao do Paraná (33,40%).

Apesar do resultado relativamente mais favorável, o índice ainda permanece distante da meta nacional de 25%, prevista para a próxima década.

Meta é reduzir perdas para 25% até 2033

A Portaria nº 788/2024 estabelece que os sistemas de abastecimento devem reduzir as perdas na distribuição para 25% até 2033. Para especialistas do setor, alcançar esse objetivo exigirá ampliação dos investimentos em infraestrutura, modernização das redes e adoção de tecnologias de monitoramento.

Além dos impactos ambientais, a redução do desperdício pode diminuir custos operacionais, aumentar a eficiência dos serviços e ampliar o acesso da população à água tratada.

Com o tema ganhando relevância no debate público, o Instituto Trata Brasil também lançou a iniciativa "Voto no Saneamento", que busca ampliar a discussão sobre saneamento básico durante o período eleitoral e incentivar a inclusão do tema nos planos de governo dos candidatos.




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