Mesmo após o término dos Beatles ocorrer em 1970, o lendário Paul McCartney conseguiu manter uma carreira solo extremamente bem-sucedida que rendeu discos antológicos como ''RAM'' (1971), ''Red Rose Speedway'' (1973), ''Band on The Run'' (1973), ''Tug of War'' (1982), ''Pipes of Peace'' (1983) e ''New'' (2013). Porém, mesmo assim, Paul não esconde que ainda sente falta da época em que ele tocava ao lado de Ringo Starr e dos falecidos John Lennon e George Harrison — essa saudade fica evidente, no novo álbum ''The Boys of Dungeon Lane'', que chegou às plataformas digitais nesta sexta-feira (29/05).
Quase todas as canções deste trabalho recém-lançado giram em torno das memórias de infância/adolescência de Paul. O próprio título do álbum faz referência à rua Dungeon Lane - onde o artista residia, quando morava em Liverpool.
Ao longo deste disco, Paul canta a respeito de seus falecidos pais (na faixa ''Salesman Saint''), de seu cotidiano na juventude (nas faixas ''Lost Horizon'', ''Days We Left Behind'' e ''Home To Us''), de sua primeira paixonite juvenil (na faixa ''As You Lie There'') e de experiências vividas com amigos (nas faixas ''Mountain Top'', ''Down South'' e ''We Two''). Todos nós sabemos que Macca se tornou um membro dos Beatles durante essa juventude em Liverpool, então é claro que, neste disco, todos os demais integrantes do Fab Four acabaram sendo homenageados de alguma forma: ''Days We Left Behind'', ''Down South'' e ''We Two'' possuem letras que falam sobre John e George, enquanto ''Home To Us'' foi gravada com a participação especial de Ringo (o eterno baterista dos Beatles divide vocais com Paul e toca bateria, nesta canção).
No entanto, o maior parceiro de Paul McCartney, neste álbum, é Andrew Watt —produtor musical que possui apenas 35 anos de idade, mas já trabalhou com Rolling Stones, Ozzy Osbourne, Elton John, Lady Gaga, Pearl Jam e vários outros gigantes, além do próprio Paul. A primeira colaboração de Andrew com o ex-Beatle ocorreu em 2023, quando Macca participou de uma das faixas do álbum ''Hackney Diamonds'' (que Andrew produziu, para os Rolling Stones), mas, em ''The Boys of Dungeon Lane'', os dois trabalharam juntos de maneira mais intensa, assinando conjuntamente a produção do disco e a autoria das canções ''As You Lie There'', ''We Two'', ''Come Inside'', ''Never Know'' e ''Home to Us''.
Ouça ''Home to Us'':
Andrew também chegou a contribuir como guitarrista/tecladista, durante a gravação das faixas ''As You Lie There'', ''Ripples in a Pond'', ''We Two'', ''Come Inside'', ''Never Know'', ''Home To Us'' e ''Life Can Be Hard''. Entretanto, a grande maioria dos sons que são ouvidos, em ''The Boys of Dungeon Lane'', foram gravados pelo próprio Paul.
Além de Andrew Watt e Ringo Starr, os únicos colaboradores que participaram das gravações deste álbum são: Chrissie Hyndie (backing vocal de ''Home to Us''), Sharleen Spiteri (backing vocal de ''Home to Us''), Ben Foster (arranjador de cordas de ''Salesman Saint'', ''Momma Gets By'' e ''Life Can Be Hard''), Giles Martin (coarranjador de cordas em ''Life can Be Hard'') e Mike Davis (trompetista de ''Salesman Saint'').
As habilidades de Paul McCartney como multi-instrumentista permitiram que ele gravasse sozinho as faixas ''Lost Horizon'', ''Days We Left Behind'', ''Down South'', ''Mountain Top'' e ''First Star of The Night'' - aliás, o artista britânico já havia seguido esse formato One-Man-Band, nos álbuns ''McCartney'' (1970), ''McCartney II'' (1980) e ''McCartney III'' (2020).
''The Boys of Dungeon Lane'' é um álbum autobiográfico que é bastante intimista, mas, ao mesmo tempo, muito bem-produzido. Na opinião deste que vos escreve, é o melhor trabalho de inéditas de Paul desde ''New'' (2013).
Ouça, abaixo, a psicodélica faixa ''Mountain Top'':
