''O Diabo Veste Prada 2'' é inferior ao primeiro filme, mas passa longe de ser uma sequência caça-níquel

0
Miranda (Meryl Streep) e Andy (Anne Hathaway), em cena de ''O Diabo Veste Prada 2'' (Foto: Divulgação/20th Century Studios)


Nesta semana, ''O Diabo Veste Prada 2'' chegou aos cinema, dando continuação a uma história que muitas pessoas achavam que havia se encerrado no primeiro filme. 

Essa aguardada sequência traz Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci desempenhando os seus respectivos papéis de Andy Sachs, Miranda Priestley, Emily Charlton e Nigel Kipling, pela primeira vez desde 2006. Assim como os atores citados, os personagens em questão também estão 20 anos mais velhos, mas continuam com toda a sua essência (ou, ao menos, com boa parte dela). 

A trama de ''O Diabo Veste Prada 2'' começa com Miranda (chefe da revista Runway) sendo ''cancelada virtualmente'', após ter dado declarações polêmicas durante uma entrevista. Nesse mesmo período, um vídeo onde Andy desabafa sobre a importância do jornalismo acaba viralizando na Internet e coloca a personagem de Anne Hathaway em evidência. Com isso, Miranda decide recontratar Andy, para que ela ajude a Runway a recuperar a sua credibilidade. 

Por mais que, em 2014, Lauren Weisberger tenha escrito uma sequência para o livro ''O Diabo Veste Prada'', a roteirista Aline Brosh McKenna (mesma responsável pela adaptação cinematográfica do primeiro livro) optou por contar uma história totalmente inédita, neste segundo longa-metragem  —afinal, a sequência literária ''A Vingança Veste Prada: O Diabo Está de Volta'' não foi muito bem-recebida pelo público e a ideia de Aline funciona bem melhor: este novo filme aborda questões bastante atuais, como a cultura do cancelamento e a realidade do jornalismo em um mundo dominado pelo imediatismo e pela IA. 

De tal modo, ''O Diabo Veste Prada 2'' consegue levantar discussões que acabam justificando a realização desta sequência. Porém, o fato de Aline ter criado um roteiro do zero também teve o seu lado negativo: mesmo trazendo uma história melhor que a de ''A Vingança Veste Prada'', ''O Diabo Veste Prada 2'' não consegue atingir o nível de qualidade do primeiro filme.

Esta continuação causa um certo estranhamento, por ser mais pautada em jornalismo do que em moda. Além disso, ela diminui a carga de veneno da personagem mais marcante da franquia: todos nós sabemos que o que garantiu o sucesso do primeiro filme foi o fato d'a atuação incrível de Meryl Streep, como Miranda Priestley, ter sido utilizada como a base da trama... porém, infelizmente, o roteiro de ''O Diabo Veste Prada 2'' deixou Miranda bem apagada e até deu a ela uma espécie de arco de redenção — o que, para mim, soou como uma relevação do assédio moral em ambiente de trabalho.

Em certos momentos, Meryl Streep entrega alguns relances da antiga Miranda, mas, no geral, a lendária atriz de 76 anos não ganhou espaço para brilhar tanto quanto no primeiro filme. 

Ao invés de Miranda, quem mais se destaca, em ''O Diabo Veste Prada 2'' é uma outra vilã. Porém, vou evitar escrever mais sobre isso, para não entrar no campo dos spoilers.

Só irei destacar que Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci estão, novamente, impecáveis. As atuações dos três acabam contribuindo bastante para que ''O Diabo Veste Prada 2'' subverta as expectativas do público que esperava uma mera sequência caça-níquel. 


Este filme está sendo exibido diariamente, no Cinemark de Lages. Confira o trailer: 



A coluna de Lucas Couto no Lages Diário tem o patrocínio de:

                         


Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)