Estudo "Efeito ACATE 2066 — Do Improvável ao Inevitável" indica que a receita anual do setor de tecnologia pode alcançar cerca de R$ 239 bilhões em 2066 e representar quase 18% do PIB estadual.
O ecossistema de tecnologia de Santa Catarina traça uma rota ambiciosa para as próximas décadas: consolidar o estado entre os cinco maiores polos de inovação do mundo até 2066. A projeção integra o estudo “Efeito ACATE 2066 – Do improvável ao inevitável”, desenvolvido pela ACATE, que apresenta cenários de crescimento econômico, geração de empregos e expansão empresarial no setor.
O levantamento indica que a receita anual do setor de tecnologia pode alcançar cerca de R$ 239 bilhões em 2066 — um crescimento expressivo em relação à estimativa de R$ 49,5 bilhões para 2026. Atualmente, o segmento já representa uma parcela relevante da economia catarinense, com participação de 7,75% no PIB estadual, índice que pode avançar para 17,9% nas próximas décadas.
Além do faturamento, o impacto econômico previsto é ainda mais amplo. A projeção aponta que cada real gerado pela tecnologia tende a multiplicar em 2,4 vezes a produção total da economia. Nesse cenário, o setor poderá gerar R$ 1,1 trilhão em arrecadação fiscal e mais de R$ 11 trilhões em renda acumulada para a população ao longo de 40 anos.
Geração de empregos e desafio por talentos
O crescimento projetado também deve refletir diretamente no mercado de trabalho. A expectativa é de mais de 300 mil empregos diretos até 2066, além de um impacto ampliado em toda a cadeia produtiva.
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam que a formação e retenção de profissionais qualificados será um dos principais desafios. A expansão sustentável do setor dependerá da capacidade de acompanhar a demanda por mão de obra especializada, especialmente em áreas estratégicas da transformação digital.
Ecossistema mira empresas bilionárias
Outro indicador relevante do estudo é a projeção de criação de até 163 unicórnios — startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. O número reforça a intenção de posicionar Santa Catarina como um ambiente propício para o surgimento de empresas com atuação global desde sua origem.
Oito ciclos tecnológicos moldam o futuro
A estratégia de crescimento está estruturada em oito ciclos de cinco anos, cada um alinhado a tendências tecnológicas globais. Entre os principais destaques estão:
- Inteligência Artificial Generativa (2026–2031): foco na expansão e consolidação da base tecnológica;
- Computação Quântica (2031–2036): avanço para liderança regional na América Latina;
- Convergência Bio-Digital (2036–2041): integração entre tecnologia e agroindústria;
- Economia Espacial (2046–2051): desenvolvimento de soluções com satélites para monitoramento ambiental;
- Inteligência Planetária (2061–2066): uso de redes globais de sensores e IA para gestão de recursos da Terra.
Planejamento de longo prazo e visão estratégica
As projeções foram elaboradas com base em modelos estatísticos e metodologias reconhecidas internacionalmente, como análise de cenários e backcasting. O estudo considera um horizonte de 40 anos e reforça que os números não são previsões exatas, mas diretrizes estratégicas que dependem de fatores como políticas públicas, investimentos e cenário econômico.
Santa Catarina no mapa global da inovação
Com histórico consolidado no setor tecnológico e um ecossistema integrado entre empresas, universidades e governo, Santa Catarina busca transformar potencial em protagonismo global. A proposta apresentada pela ACATE funciona como um guia estratégico para posicionar o estado como referência internacional em inovação nas próximas décadas.
*Com informações de Gabriela da Silva, da Dialetto.

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