Tecnologia de Iluminação Artificial proporcionará segunda safra de Lúpulo em SC

Este é o primeiro resultado da parceira público-privada entre o Grupo Fienile, a Ambev e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). 

Por Daniela Pereira 

📷 Tecnologia de iluminação artificial irá proporcionar segunda safra de lúpulo em SC. (Foto: GRUPO FIENILE / DIVULGAÇÃO) 

LAGES — As pesquisas do mestrando Hyan de Cásio Pierezan sobre “Suplementação Luminosa na Cultura do Lúpulo” estão sendo realizadas desde o início do ao na Fazenda Santa Catarina da Ambev em uma parceria do Grupo Fienile, da Ambev e da UDESC. Hyan faz as avaliações e pesquisas para o seu projeto de mestrado, a Ambev cedeu a área para poder fazer as avaliações e o Grupo Fienile cedeu os módulos led para que eles realizem a pesquisa sobre a suplementação luminosa. “Na cultura do lúpulo os benefícios dos módulos led é que a cultura em si, indicada em faixas de latitude de 35 a 55 graus. Como em Lages tem 27 graus de latitude, tem uma duração do dia um pouco menor do que o ideal para a cultura, então a suplementação luminosa com led vai servir para compensar a falta de luminosidade nessas regiões, em determinadas épocas de cultivo.” Explica Hyan, que informa que eles suplementam a diferença necessária para a cultura completar o ciclo, entre 2 e 4 horas a mais por dia, dependendo da variedade.

As pesquisas ainda estão sendo realizadas, mas o professor Leo Rufato, PhD em Fruticultura e Fisiologia de Plantas, professor de fruticultura, viticultura e culturas alternativas (Lúpulo e Cannabis ) da UDESC já adiantou que apenas com produção luminosa conseguiram produzir de 30% a 40% a mais do que uma produção normal até agora. Ele explica que trata-se de uma tecnologia inovadora no Brasil na qual três pontos merecem destaque: primeiro por ser uma cultura que não temos registros de longo cultivo no país, que é o Lúpulo, e a suplementação luminosa com led, que vem a ser uma novidade no Brasil tanto para o Lúpulo quanto para as outras culturas, em segundo lugar a parceria público-privada na qual o Grupo Fienile, como empresa de tecnologia privada, aposta em uma cultura nova que é o Lúpulo, com o Apoio da Ambev, e em terceiro lugar a UDESC que é pioneira na pesquisa do cultivo de lúpulo no Brasil, uma vez que defendeu a primeira tese de doutorado na cultura de Lúpulo de todo o Brasil, e agora terá a primeira dissertação de mestrado defendida no país com suplementação luminosa em parceria com o Grupo Fienile e Ambev. “São pontos que poucas pessoas têm a possibilidade de trabalhar, que é a parceria público-privada.” Comemora.

Para Felipe Sommer, da Ambev, os resultados até agora são muito positivos. Ele verificou que após a poda da colheita deste ano (eles precisaram antecipar a colheita este ano), uma segunda safra de lúpulo se manifestou. Foi observado que a planta quis continuar o crescimento mesmo após a poda e eles creditaram isso à tecnologia de suplementação luminosa. “Duas semanas após a poda já estava com o início robusto de produção de flores com ramos laterais uma planta que tem pouquíssimo tempo de desenvolvimento e se comparar com as plantas sem suplementação luminosa, mesmo com sistema de condução montado, não apresentaram crescimento vegetativo.” Comemora.

A tecnologia de iluminação artificial, a suplementação luminosa, leva o nome de Tecnologia Irriluce, do Grupo Fienile, e consiste na irrigação de luz de luz na lavoura, utilizando uma técnica que adapta lâmpadas de led aos pivôs de irrigação, ainda na fábrica de pivôs, em empresas parceiras do Grupo. A iluminação artificial otimiza o processo de fotossíntese da planta, complementando, inclusive, a quantidade de horas-luz necessária por dia para que a planta se desenvolva em locais nublados, onde o inverno é mais rigoroso, como o que acontece por exemplo no Sul do Brasil. A sede do grupo está em Patos de Minas, Minas Gerais, e além desde projeto em Lages, SC, a tecnologia já está presente em várias regiões do país, como a Bahia, Rio Grande do Sul e em outras cidades de Minas Gerais, onde dezenas de pesquisadores, entre mestres e doutores, realizam pesquisas com a qualidade do solo, a capacidade de absorção d’água, o crescimento da cultura, a qualidade nutricional da planta, a ação da luz sobre a planta, o efeito sobre insetos e microrganismos, e até mesmo o efeito de diferentes cores de luz, entre muitos outros aspectos.


O CEO do Grupo Fienile, o agricultor Gustavo Alexandre Grossi, comemora os primeiros resultados frutos da parceria com a Ambev e a UDESC e explica que o principal intuito neste primeiro momento é a validação da tecnologia, por isso estão firmando parcerias como essa por todo o Brasil, até mesmo para ver como funciona em tipos diferentes de clima e de solo. “Temos agricultores de diferentes culturas em vários estados do país igualmente comprometidos em, além de adquirir e investir na tecnologia, também são conscientes e apoiam a realização de pesquisas na propriedade para acompanhar os resultados obtidos.” Explica.

Tecnologia Irriluce do Grupo Fienile

A Tecnologia Irriluce surgiu após uma infinidade de pesquisas realizadas na propriedade de Gustavo em Monte Carmelo, MG. Ele teve essa ideia há sete anos, quando percebeu que uma parte da sua produção de soja estava maior e com melhor aspecto, entrou em contato com especialistas para verificar o motivo daquela diferença e nada foi constatado, até que depois de um tempo ele próprio conseguiu perceber ao caminhar de madrugada pela fazenda que a luz de um poste que iluminava a rodovia era a mesma luz que iluminava aquele pedaço mais desenvolvido da sua plantação, e desde então ele não parou mais de tentar difundir a importância desta luz aos agricultores do país e do mundo afora.

A tecnologia de Suplementação Luminosa tem mostrado resultados em diferentes culturas como soja, milho, cana, algodão e diferentes culturas HF (hortifruti) tanto indoor quanto outdoor. O Diretor de Pesquisa do Grupo Fienile, o engenheiro agrônomo, Miranda Lemes, explica que o projeto trabalha a estrutura do solo em profundidade, a nutrição equilibrada das plantas, uso de técnicas sustentáveis e o manejo de pragas agrícolas como doenças, insetos e plantas daninhas. No caso de manejo de plantas daninha, por exemplo, a Universidade Federal de Uberlândia, através de pesquisas realizadas pelo time do professor Dr. Edson Aparecido Santos, Docente do curso de Agronomia, tem desenvolvido estratégias de manejo de plantas daninhas em condições de suplementação luminosa com resultados promissores, econômicos e sustentáveis que em breve serão divulgados. Dr. Ernane salienta ainda: “A suplementação luminosa outdoor é um processo tecnológico que tem permitido saltos produtivos através da integração de técnicas modernas de cultivo que são potencializadas pela luz artificial. Em diferentes regiões do país o manejo racional do cultivo associado com a suplementação luminosa tem possibilitado produções maiores e produções potencialmente mais sustentáveis. A suplementação luminosa com diferentes cores também tem aberto possibilidades de manejo de pragas agrícolas e das respostas das plantas. Temos resultados da pesquisa em instituições dedicadas e resultados de observações críticas em áreas comerciais e estamos em constante melhoria das tecnologias já utilizadas, assim como prospectando novas tecnologias que beneficiem o Agro. Uma revolução está acontecendo no campo”.

No campo experimental do Grupo Fienile localizado em Monte Carmelo, MG, na última safra foi colhido um experimento realizado com quatro cultivares de milho e um dos cultivares mostrou um resultado positivo, com uma colheita 301,5 sacas por hectare. O Diretor de Operações do Grupo Fienile, Matheus Iida explica que é um resultado muito inovador, pois não se vê uma produtividade neste patamar na região, o que corresponde a um aumento de produtividade de mais de 35% de algumas culturas. “Pensando num panorama nacional para o agronegócio, quando você tem um aumento de produtividade considerável, é preciso entender o impacto que isso se dará em microrregiões e macrorregiões, um resultado em cadeia no agronegócio.” Complementa.


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