Olimpíadas: Brasil faz bela campanha e termina em sua melhor colocação no quadro de medalhas

Com duas medalhas a mais do que o recorde conquistado na Rio 2016, Brasil sobe uma posição no quadro de medalhas ficando em 12º lugar. 

Por Maurício Santos do LD

📷 Ana Marcela Cunha, da maratona aquática; Isaquias Queiroz, da canoagem; e Rebeca Andrade, da ginástica artística, são alguns dos atletas que conquistaram medalhas de ouro para o Brasil em Tóquio 2020. (Fotos: REUTERS)

LAGES — Após duas semanas de muita emoção, madrugadas em claro, nervos à flor da pele, os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 que ocorreram em 2021 se encerraram neste domingo (8), e encerrou com uma bela campanha para a delegação brasileira, que bateu seu próprio recorde de medalhas em uma única edição dos jogos que era de 19 na Rio 2016 e chegou a 21 em Tóquio 2020, além de igualar o recorde de ouros conquistados nos jogos do Rio com sete medalhas douradas. 


Nada se compara à grandes potências em Olimpíadas como Estados Unidos que totalizaram 113 medalhas, sendo 39 de ouro, e China com 88 (38 de ouro), mas para um país que investiu cerca de 17% a menos no ciclo olímpico (2017 a 2021), em relação aos quatro anos anteriores aos Jogos do Rio 2016, os atletas do Time Brasil nome dado ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), conseguiram superar as dificuldades sejam de falta de recursos, patrocinadores e até condições de treinamento como foi o caso do atleta Darlan Romani que fez seu treinamento em um terreno baldio e sem a presença do técnico, o cubano Justo Navarro impedido de deixar a ilha caribenha devido à pandemia da Covid-19, mas que se superaram batendo próprios recordes, fazendo marcas históricas com os melhores desempenhos do Brasil nas modalidades, mesmo quando não faturavam medalhas. 

📷 Hebert Conceição, Bia Ferreira e Abner Teixeira foram medalhistas olímpicos em Tóquio. (Fotos: COB)

Das 21 medalhas conquistadas, quatro vieram de dois esportes debutantes em Olimpíadas. Italo Ferreira conquistou o ouro no surfe, e o skate trouxe três medalhas de prata com Kelvin Hoefler e Rayssa Leal, no skate street, e o catarinense Pedro Barros, no skate park

📷 Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros, do skate, e Italo Ferreira, do surfe, foram medalhistas na primeira participação dos respectivos esportes em Olimpíadas. (Fotos: REUTERS)

Além do skate, outro esporte que também deu três medalhas ao Brasil na Tóquio 2020 foi o boxe, com uma de cada cor. Hebert Conceição com o ouro, Bia Ferreira com a prata e Abner Teixeira com o bronze fizeram história com o melhor desempenho do Brasil na modalidade. 

Rebeca Andrade que foi a nossa porta-bandeira na cerimônia de encerramento, garantiu duas medalhas inéditas para o Brasil na modalidade no naipe feminino em jogos olímpicos. Uma prata no individual geral e um ouro na final do Salto.

Alison dos Santos, o Piu, nos 400m com barreiras e Thiago Braz — ouro na Rio 2016 no salto com vara — conquistaram o bronze nos Jogos de Tóquio 2020, e faturaram medalhas para o Brasil no atletismo.  

📷 Alison dos Santos nos 400m com barreiras, e Thiago Braz no salto com vara foram medalhistas de bronze para o Brasil no atletismo. (Fotos: GASPAR NÓBREGA / COB)

Marthine Grael e Kahena Kunze conquistaram o bicampeonato olímpico na Vela 49er FX — repetindo o feito conquistado pelas duas nas águas do Rio de Janeiro em 2016. A vela é um dos esportes que mais conquistaram medalhas para o país em Olimpíadas com 19 no total, juntamente com o Atletismo, atrás apenas do judô que totaliza 24 medalhas. Das águas ainda vieram as medalhas de ouro de Ana Marcela Cunha, na maratona aquática e de Isaquias Queiroz, da canoagem, ambas as primeiras de ouro nas respectivas modalidades para o Brasil, além dos bronzes na natação com Fernando Scheffer — que antes das Olimpíadas chegou a treinar em um açude no Rio Grande do Sul — e Bruno Fratus que veio de um decepcionante 6º lugar nos Jogos do Rio conseguiram chegar em terceiro nas finais dos 200m e 50m livres, respectivamente. 

📷 Martine Grael e Kahena Kunze, da vela, e os nadadores Bruno Fratus e Fernando Scheffer, conquistaram medalhas para o Brasil. (Fotos: REUTERS e COB)

O judô e o vôlei de praia, talvez tenham obtidos de certo modo desempenhos abaixo do que se esperava. Com favoritos em diversas categorias e a modalidade recordista em medalhas para o país em jogos olímpicos com um total de 24, o judô trouxe duas medalhas de bronze com os gaúchos Daniel Cargnin e Mayra Aguiar. No vôlei de praia, infelizmente nenhuma das duplas se classificaram para a disputa de medalhas — pela primeira vez desde a entrada da modalidade nas Olimpíadas em 1996. 

📷 Mayra Aguiar e Daniel Cargnin medalharam para o judô brasileiro nos Jogos de Tóquio. (Fotos: REUTERS)

O Brasil ainda conquistou uma medalha inédita no tênis, com a dupla Laura Pigossi e Luisa Stefani que já haviam feito história ao chegar nas semifinais e na disputa pelo bronze conquistaram a medalha para o Brasil no naipe de duplas feminino.
 
📷 Laura Pigossi e Luisa Stefani conquistaram inédita medalha para o Brasil no Tênis. (Foto: AFP)

Nos esportes coletivos, o balanço foi meio a meio. Favorito a ganhar medalhas tanto no masculino quanto no feminino no futebol e no vôlei de quadra, o Brasil conquistou duas, sendo uma de ouro com o futebol masculino e uma prata no vôlei feminino. No futebol feminino, a seleção acabou parando nas quartas contra o Canadá e, no vôlei masculino, o Brasil acabou ficando abaixo do que se esperava e terminou a Tóquio 2020 sem medalha ao ser derrotado na disputa do bronze para a Argentina. 

Brasil fez história, mesmo sem ganhar medalhas

Hugo Calderano, nas quartas do tênis de mesa; Ana Sátila, na final do slalom feminino, e Darlan Romani em quarto no arremesso de peso, fizeram as melhores campanhas do país nessas modalidades. (Fotos: REUTERS)

A delegação brasileira conquistou feitos históricos em algumas modalidades, mesmo sem ganhar medalhas, exemplo disso foi a canoagem slalon com Ana Sátila que levou o Brasil a uma final no naipe feminino pela primeira vez. No Tênis de Mesa, Hugo Calderano também chegou a um inédito top 8 no individual masculino e também por equipes acompanhado de Gustavo Tsuboi e Vitor Ishiy. 

No arremesso de peso, Darlan Romani conquistou a melhor colocação do Brasil na modalidade com um quarto lugar com uma marca de 21,88m. 

Já nos saltos ornamentais, Kawan Pereira colocou seu nome na história do Brasil na modalidade ao colocar o país pela primeira vez numa final da plataforma de 10 metros, terminando em 10º lugar com 393,85 pontos. 

Lucas Verthein conseguiu igualar a melhor marca do Brasil no remo chegando uma semifinal olímpica terminando em 12º lugar no geral na disputa do single skiff. 

Mas esses não foram os únicos esportes a fazerem história em Olimpíadas para o Brasil. No Badminton, Ygor Coelho conquistou a primeira vitória brasileira na modalidade. No ciclismo BMX, Renato Rezende conquistou a melhor colocação do Brasil com um 14º lugar. Já no ciclismo MTB, Henrique Avancini chegou em 13º lugar. 

No hipismo adestramento, o Brasil conquistou sua melhor colocação com um 26º lugar de João Victor Oliva e no tiro com arco, o Brasil igualou a melhor campanha com Marcus D'Almeida terminando na oitavas de final.

O Brasil terá três anos para se preparar para os Jogos de Paris 2024, e esperamos que os nossos atletas tenham mais visibilidade, mais apoio de patrocinadores, apoio dos governos sejam eles de qualquer viés ideológico em todas as esferas, investindo cada vez mais, pois o esporte é essencial, pois esporte é vida, esporte é bem estar, esporte é um futuro melhor para qualquer pessoa, o esporte transforma. De nós brasileiros, apoio não irá faltar para empurrar e que em 2024 o Brasil consiga fazer uma campanha tão bela quanto foi em Tóquio e supere marcas e que chegamos com mais modalidades brigando por medalhas e conquistas individuais e coletivas. 

BRASIL NAS OLIMPÍADAS DE TÓQUIO 2020: 

🥇 OURO: 07 MEDALHAS 
  • Italo Ferreira (surfe masculino)
  • Futebol Masculino
  • Rebeca Andrade (ginástica artística - salto)
  • Martine Grael e Kahena Kunze (vela 49er FX)
  • Hebert Conceição (boxe)
  • Isaquias Queiroz (canoagem velocidade)
  • Ana Marcela Cunha (maratona aquática 10km)
🥈PRATA: 06 MEDALHAS
  • Kelvin Hoefler (skate)
  • Rayssa Leal (skate)
  • Pedro Barros (skate)
  • Bia Ferreira (boxe)
  • Rebeca Andrade (ginástica artística - individual geral)
  • Vôlei de quadra feminino 
🥉BRONZE: 08 MEDALHAS
  • Abner Teixeira (boxe)
  • Mayra Aguiar (judô)
  • Daniel Cargnin (judô)
  • Bruno Fratus (natação)
  • Fernando Scheffer (natação)
  • Alison dos Santos (atletismo - 400m com barreiras)
  • Thiago Braz (atletismo - salto com vara)
  • Luisa Stefani e Laura Pigossi (tênis)


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