Névio Fernandes, o jornalista que contava histórias das Lagens

Presente diariamente na vida dos lageanos, Névio Fernandes foi uma espécie de testemunha viva da história do Planalto Catarinense. 

Por RAUL ARRUDA FILHO da ASCOM PML 

📷 Névio Fernandes morreu na última 
quinta-feira (22). (Foto: FABRÍCIO 
FURTADO / FCL)
LAGES — Névio Fernandes, o decano do jornalismo lageano, faleceu na manhã de 22 de julho, aos 87 anos.  Homem calmo, gentil, sempre disposto a fornecer uma palavra de alento e esperança aos que necessitavam, iniciou no jornalismo aos 13 anos de idade, quando fundou “A Cidade”, jornal que era escrito à mão e distribuído aos amigos. Algum tempo depois, começou a colaborar com os jornais Guia Serrano e Região Serrana – o que lhe garantiu o reconhecimento como profissional exemplar. 

Em 1956, a convite do empresário José Paschoal Baggio, integrou a equipe jornalística do Correio Lageano, onde, por 39 anos, foi editor-chefe. Nesse período, publicou quase dez mil artigos sobre a história e a cultura do Planalto Catarinense.

Presente diariamente na vida dos lageanos, Névio Fernandes foi uma espécie de testemunha viva da história do Planalto Catarinense. Durante as últimas décadas acompanhou alguns dos mais importantes eventos da política regional e seus desdobramentos entre os habitantes de Lages. Seus textos, escritos em estilo direto, sem dar espaço aos apostos e às explicações acessórias, prima pela objetividade, pela análise criteriosa e imparcial. Partindo dos acontecimentos cotidianos, mas de incontestável relevância, Névio Fernandes, com rara habilidade, estabelecia um quadro lírico, impregnado de poesia e sabor narrativo.

Ao lado da obra de Walter Dachs, os escritos de Névio Fernandes fornecem substância ao que há de mais significativo no registro historiográfico da Região Serrana. Ao resgatar acontecimentos que poderiam passar despercebidos, provou que é possível fornecer significado e consistência ao que é invisível aos olhos.

Em paralelo, mas de forma complementar, durante nove anos presidiu a Associação Lageana dos Escritores (ALE), período em que solidificou a instituição e deu-lhe uma identidade. A edição de livros, a busca por patrocínios, as conversas de incentivo aos jovens, o imenso carinho pelo fazer literário – são essas qualidades que ficarão na memória daqueles que tiveram o prazer de desfrutar de sua companhia.

Sit tibi terra levis, Névio Fernandes (1934 - 2021).   


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