Especialistas alertam para a disseminação de novas cepas da Covid-19 no Brasil

Representante do Ministério da Saúde informou que já há quase 4 mil casos de pessoas que apresentaram variantes do vírus no país. 

Da AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS
Brasília/DF

Fotos: GUSTAVO SALES / CÂMARA DOS DEPUTADOS





Especialistas reunidos pela comissão externa da Câmara que acompanha as ações de combate à Covid-19 destacaram nesta terça-feira (1º) a grande probabilidade da disseminação de variantes do vírus por todo o país. A audiência pública discutiu a situação da cepa indiana, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “variante de preocupação global”.


A primeira notícia da variante indiana no Brasil veio em maio, por meio de tripulantes de um navio com bandeira de Hong Kong ancorado na costa do Maranhão. Até agora já foram detectados casos também no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, num total de oito notificações.

De acordo com a técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde Walquíria Almeida, já foram registrados também três casos da variante da África do Sul e 120 da variante do Reino Unido.

Cem variantes

O representante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio, informou que 100 variantes do novo coronavírus já foram identificadas no Brasil e Walquíria Almeida acrescentou que já há quase 4 mil casos de pessoas que apresentaram variantes do vírus no país.

Na audiência pública, ela detalhou as ações do plano de vigilância sanitária, com notificação dos casos, monitoramento de amostras e atualização de informações, além de uma nota técnica específica sobre a variante indiana.

“A gente precisa conseguir passar para a nossa população a mensagem da necessidade de continuar com as medidas de prevenção, de controle e vacinação. A gente precisa que os nossos documentos, as nossas diretrizes sejam atualizadas conforme toda essa situação epidemiológica com esse enfoque nas VOCs” ( sigla em inglês para as variantes do novo coronavírus).

Para evitar discriminação, a OMS mudou a nomenclatura: a variante indiana passa a se chamar Delta, assim como a do Reino Unido é a Alfa, a da África do Sul é a Beta e a P1, detectada em Manaus, é a Gama.

Comunicação

Parlamentares e especialistas cobraram da representante do governo campanhas de esclarecimento à população e Walquíria Almeida admitiu falhas na comunicação com o cidadão comum.


A relatora da Comissão Externa, deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), lembrou que há um cansaço da população em relação às medidas sanitárias, traduzido, por exemplo, na frequência de eventos clandestinos e explicitou a sua preocupação.

“Os estudos estão em andamento, ou seja, a gente ainda nem conseguiu (estudar) uma variante como é a variante Gama, aquela que foi detectada no Brasil, e aí a gente fica muito preocupada com a disseminação rápida que já está acontecendo da variante Delta nos vários países”, observou a deputada.

Disseminação

Rivaldo Venâncio falou dos esforços para atualizar o parque industrial, com a importação de equipamentos para melhorar a identificação de novas variantes. Ele explicou qual é o prognóstico para a ação dessas novas cepas no país.

“É muito provável que daqui a alguns meses a variante indiana, ou a Delta, estará praticamente em todo o território nacional e também muito provavelmente outras variantes irão surgir”, observou.

O assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Fernando Campos, ressaltou que a prevenção é a melhor estratégia para enfrentar as novas variantes, e demonstrou preocupação com as normas sanitárias para o controle dos passageiros nos aeroportos.

“A exigência (internacional) que se faz é que, ao embarcar, até 72 horas antes do embarque, a pessoa tenha um exame de PCR, e que apresente na hora do embarque. E aí, quando chega ao Brasil, não tem nenhum tipo de exigência em relação à solicitação de exame, e sim ele preenche uma declaração de saúde dentro do avião e entrega. E a gente sabe que provavelmente uma pessoa não vai dizer se está com algum sintoma, mesmo que esse sintoma tenha aparecido durante a viagem”, afirmou Campos.

Walquiria Almeida afirmou que o governo já trabalha com a possibilidade de uma terceira onda, fazendo monitoramento constante em trabalho conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz e a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS).

Copa América

Durante a audiência, o assessor técnico do Conass informou que a entidade se posicionou contrariamente à realização da Copa América de futebol no Brasil. Segundo ele, o evento foi classificado como inoportuno e desaconselhável por causa da possibilidade de aglomerações, sendo considerado uma “porta de entrada” para nova variantes do coronavírus.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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