Estiagem em SC: Epagri divulga manejos recomendados para diminuir prejuízos nos cultivos

Segundo o meteorologista Clóvis Corrêa, a previsão para os meses de maio, junho e julho é de chuva abaixo da média histórica devido à atuação do fenômeno La Niña. 

Por GISELE DIAS da ASCOM EPAGRI
Florianópolis/SC

Foto: MAURÍCIO SANTOS / ARQUIVO LD

A Epagri divulga medidas para que os agricultores possam enfrentar a estiagem em Santa Catarina, que persiste desde 2019, principalmente na região Oeste. A falta de chuva vem impactando os rios catarinenses: das 34 estações hidrológicas de monitoramento de nível de rios da Epagri/Ciram no estado, 20 apresentam situação de estiagem. Segundo o meteorologista Clóvis Corrêa, a previsão para os meses de maio, junho e julho é de chuva abaixo da média histórica devido à atuação do fenômeno La Niña.


O gerente de extensão rural e pesqueira da Epagri, Darlan R. Marchesi, ressalta que a Empresa, além de desenvolver tecnologias que auxiliam os agricultores, também operacionaliza Políticas Públicas disponibilizadas pela Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural. Iniciativas que possibilitam investimentos nas propriedades para mitigar a restrição hídrica em cultivos agrícolas e produções pecuárias. Confira a seguir as indicações importantes da Epagri que podem ser adotadas para enfrentar a estiagem na área rural.

Orientações básicas

  • Procure apoio nos escritórios municipais da Epagri. Os técnicos estão preparados para orientar em práticas, tecnologias e políticas públicas.
  • Acompanhe as previsões metereológicas da Epagri/Ciram.
  • Sempre que possível, faça o planejamento para enfrentar a estiagem: implante e ou amplie a capacidade de reservas de água no solo e em cisternas. 
  • Invista em reservatórios dimensionados para maior disponibilidade, principalmente onde há produção animal.
  • Poços artesianos podem ser opções complementares, mas é importante sempre procurar profissionais habilitados e critérios técnicos.

Práticas estruturantes

  • Implante e/ou amplie a capacidade de reserva de água na propriedade.
  • Capte a água da chuva para armazenar no próprio solo, mas também em reservatórios e cisternas. Conheça o Kit Solo Saudável e o programa Cultivando água e protegendo o solo. Essas políticas públicas fornecem subsídios aos agricultores com enquadramento para aquisição de sementes de adubos verdes, proteção e recuperação de nascentes, terraceamento, cobertura do solo e armazenamento de água.
  • Proteja as nascentes e, se viável, utilize a proteção de Fonte Modelo Caxambu, de baixo custo e alta eficiência.
  • Faça avaliação da qualidade do solo em profundidade: perfil cultural. Se necessário, em caso de compactação e adensamento, escarifique e implante imediatamente culturas com sistema radicular bem desenvolvido.
  • Faça análise química e física do solo, corrija a fertilidade do solo.
  • Utilize sistema de rotação de culturas, com plantas de cobertura do solo e Semeadura Direta.
  • Implante práticas mecânicas de conservação do solo e da água como: terraços e curvas de nível.

Pecuária

  • Faça a orçamentação alimentar, ou seja, calcule a demanda de forragens e a oferta de reservas de alimento para período mínimo de 154 dias.
  • Em caso de balanço negativo, descarte de animais: inicie por aqueles que jamais produzirão leite, seguidos de vacas com problemas sanitários, reprodutivos e/ou com idade avançada e por último as vacas com baixa produtividade.
  • Produza alimentos concentrados na propriedade e utilize alternativas balanceadas de rações contendo soja em grão, casquinha de soja, cereais de inverno (trigo, farelo de trigo e outros).
  • Procure os técnicos da Epagri para calcular a viabilidade técnica e econômica desses alimentos, em substituição ao milho e farelo de soja.
  • Faça semeadura e sobressemeadura das pastagens de inverno quando o solo apresentar condições de umidade.
  • A médio e longo prazo, implante pastagens perenes de alto potencial produtivo, tolerantes ao estresse hídrico, como é o caso do capim-pioneiro e do Tifton 85.
  • Implante e/ou amplie a capacidade de reserva de água da propriedade, tanto para abastecimento dos animais, quanto para irrigar pastagens, se for o caso.
  • Melhore a disponibilidade de água de qualidade ofertada aos animais nos piquetes.

Grãos – cereais de inverno e plantas de cobertura do solo

  • Planeje para semear as culturas na melhor época, de acordo com o zoneamento.
  • Acompanhe previsões climáticas e escalone a semeadura.
  • Utilize sementes fiscalizadas ou certificadas de boa procedência e selecione as variedades mais indicadas para a região.
  • Adeque a densidade de semeadura. Caso as previsões apontem para redução nas precipitações, poderá ser utilizada a estratégia de reduzir as populações de plantas.
  • Se necessário, utilize semeadoras com hastes sulcadoras.
  • Faça Semeadura Direta, com mínimo revolvimento, monitorando as áreas para que tenham palhada suficiente, preferencialmente acima de 10 toneladas de massa seca por hectare.
Apicultura

  • Monitore apiários para evitar a morte ou enfraquecimento das colônias.
  • Forneça alimento proteico e energético. O bife proteico deve ser colocado próximo às crias.
  • Evite abrir as caixas, pois há perda de calor, gasto de energia e alimento para elevar a temperatura novamente.
  • Em dias frios, não pulverize com ácido oxálico para controle de varroa, pois poderá ocorrer o congelamento dentro do ninho;
  • Instale “alvado invertido”. Emergencialmente pode ser utilizado um sarrafo na parte central do alvado.
  • Coloque o poncho ou entretampa horizontal. Emergencialmente pode ser utilizado entretampa de ráfia.
  • Utilize poncho ou entre tampa vertical nas colmeias que for necessário.

Piscicultura

  • Acompanhe a qualidade de água nos viveiros: monitore oxigênio dissolvido (>4 mg/L), a alcalinidade (> 30 mg/L) e a transparência (entre 25 a 40 cm).
  • Controle adubações, fertilizações ou arraçoamentos em caso de falta de água, com oxigênio baixo e transparências abaixo de 25 cm.
  • Utilize biometrias e a tabela de alimentação (Epagri) para alimentação para tilápias. 
  • Evite drenagens e corrija possíveis vazamentos nas comportas.
  • Apenas renove a água de forma pontual quando os parâmetros não estejam adequados. Se necessário, reduza cerca de 10 a 20% do volume, posteriormente, eleve o nível novamente.

Informações adicionais e entrevistas: Darlan Marchesi, gerente de extensão rural e pesqueira da Epagri. Fone: (48) 98800-6558.

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