COLUNA NAY FAVA — Terapias Integrativas durante a pandemia: uma percepção sobre a ética profissional

A personal trainer e terapeuta integrativa, Yoga Teacher, Nay Fava estreia sua coluna no LD. 

Por NAY FAVA, colunista do LD
Lages/SC



As práticas integrativas complementares, são técnicas e ferramentas que auxiliam no bem-estar, prevenção de patologias (unindo-se ao tratamento recomendado), e redução de sintomas físicos e mentais. As práticas integrativas e complementares (PICs) já são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), obtendo diversos estudos dos benefícios destes instrumentos terapêuticos, adaptados de forma correta e exercidos multidisciplinarmente, tem fornecido resultados satisfatórios na prevenção de doenças. As terapias promovem a ligação entre a mente e o físico, com o meio onde está inserido, fornecendo perspectivas diferentes de autocuidado e mudando suas percepções frente aos empecilhos cotidianos.


As terapias integrativas complementares, ao longo dos anos, obtiveram sua prática difundida em diversos países, como uma ferramenta de auxilio quando seu uso é exercido de maneira prudente, seguindo as normas e diretrizes dos conselhos da área. No Brasil,  em 2006, foi estabelecida no Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), através da Portaria GM/MS nº 9712, adaptando as PICS nos serviços de atenção básica. Em 2017, PNPIC foi ampliada em 14 novas PICS a partir da publicação das Portaria nº 849, seguido em  2018, com a Portaria nº 702, mais 10 recursos terapêuticos integraram o rol de PICS do Ministério da Saúde, dados estes, observados fidedignamente e acompanhados através do site do governo federal.

Atualmente, estamos vivenciando, a pandemia ocasionada pelo o Coronavirus, onde afeta toda a população no que tange a aspectos biopsicossociais, em escalas mundiais. Além dos problemas ocasionados de ordem biológica, pessoas que foram afetadas pelo Covid, familiares das vítimas, profissionais da área da saúde, sofreram sequelas psicológicas imensuráveis, e aquelas que estão ainda experenciando este grande infortúnio, sentem seus estados emocionais fragilizados e suas estruturas psíquicas abaladas. Vários estudos científicos analisados durante a pandemia, já enfatiza os impactos socioeconômicos, psicológicos e físicos na população mundial, em escalas maiores ou menores, observados subjetivamente.

Algumas atitudes propiciam vários prejuízos a saúde física e mental das pessoas em geral, tais como o isolamento social, medo de uma possível contaminação, informações em excesso sobre a pandemia, elevação de pensamentos negativos e autodestrutivos, dentre outros. Esses comportamentos demasiados, geram problemas de ordem psicossomática, complicando a qualidade de vida dos sujeitos que estão vivenciando tais situações.

Através dessa contextualização, que as PICS são ferramentas importantes a serem utilizadas durante a pandemia, complementando a diminuição de agravos nos aspectos psicológicos, fortalecendo a promoção de saúde.

Existe vários tipos de terapias que são oferecidas, por terapeutas capacitados e devidamente registrados nos conselhos, propiciando atendimentos de excelência a seus pacientes.

Os benefícios vividos e os relatos das pessoas que recorrem a estas ferramentas, são imensos, melhorando significativamente a qualidade de vida dos mesmos. Dentro desta perspectiva, podemos citar: melhora da autoestima, diminuição da fadiga, disposição mental, alivio de dores físicas, harmoniza a mente e o físico, autoconhecimento, eleva o estimulo de resiliência fazendo com que o indivíduo tenha mais facilidade na resolução dos problemas cotidianos, etc.

Além de serem utilizadas como recursos terapêuticos para diversas doenças como estresse, dores, depressão, dentre outras, as PICs servem também como tratamento paliativo para doenças crônicas, tomando todas as precauções e análises para um trabalho conjunto com outras áreas como a medicina e psicologia, pois pacientes com comorbidades que procuram esses atendimentos, normalmente estão realizando alguma psicoterapia ou tomam alguma medicação de uso contínuo, por isso, se torna imprescindível o bom senso no direcionamento da aplicação de determinada terapia que deve ser indicada.

Existem vários tipos de terapias complementares, onde atualmente são 29 terapias contempladas na legislação brasileira e oferecidas pelo SUS. Citarei algumas delas, resumidamente, que são oferecidas por terapeutas profissionais autônomos e no sistema único de saúde: Acupuntura que é uma terapia milenar que utiliza agulhas para estimular meridianos e pontos do corpo; Aromaterapia que utiliza os óleos essências para o equilíbrio físico e mental; Cromoterapia que utiliza técnicas das cores, estimulando a estabilidade do físico, mental e emocional; Meditação, forma usada para o indivíduo alcançar conexão com a mente, e que proporciona bem-estar e relaxamento; Reiki,  terapia que utiliza a imposição de mãos com uso de símbolos para manipulação da energia vital (chamada de “ki” ou “chi”) e que promove equilíbrio, bem-estar e relaxamento; Yoga, prática que inclui diferentes posturas do corpo (asanas), técnicas de respiração (movimentos respiratórios conscientes chamados de pranayamas), promovendo o equilíbrio e harmonia. Sendo uma forma de interiorização que ajuda a alcançar bem-estar e relaxamento, além do domínio do corpo pela mente.

Um ponto de suma importância a ser explicitado, é a maneira como as terapias integrativas vem sendo aplicadas por pseudo terapeutas, que fomentam a terminologia ¨cura¨ de maneira errônea, ou divulgam informações sem respaldo cientifico algum, prometendo tratamentos inexistentes e milagres utópicos. Com a intensidade de divulgações da internet, temos uma avalanche de informações e promessas que ludibriam e persuadem a mente de pessoas que necessitam de auxílio para tratar diversos problemas de ordem emocional, onde os profissionais que não respeitam as normas de aplicação e conduta deste tipo de intervenção, se apropriam das técnicas com a finalidade de ganhar dinheiro desenfreadamente, sem respeitar o quanto isso pode ser nocivo para quem permite e confia em receber as ferramentas.

Com a velocidade da divulgação nas mídias sociais, observamos certos estereótipos que degradam a classe desta profissão, fornecendo a impressão de que o terapeuta é uma pessoa sem credibilidade. Isso ocorre também, pela o desrespeito da própria classe, em não seguir normas de conduta para aplicabilidade e divulgação dos seus trabalhos, dando brechas para que a mídia através de opinião leiga e sem conhecimento, se aproprie destas falácias.

Em contrapartida, a positividade tóxica, não deve ser romantizada e nem aceita como direcionamento milagroso para as soluções da vida, pois é necessário estar atento ao que de fato, é realidade, aceitando os problemas dos quais vivenciamos, e buscar alternativas que não sejam baseadas em atos utópicos e fictícios para a solução de problemas.    

O terapeuta integrativo, tem uma responsabilidade imensurável em suas mãos, pois tem o contato direto com o ser humano, e deve ter ética profissional, sendo cauteloso ao divulgar seus serviços nas mídias sociais, onde temos essa hiperconectividade expansiva que atinge as massas com sua abrangência. Além disso, no momento do atendimento, também é importante seguir as regras profissionais, como por exemplo,  aplicar corretamente anamnese, explicar detalhadamente o procedimento a ser aplicado, manter a clareza sobre determinados resultados, como deve-se proceder tal pratica terapêutica aliada a outras áreas, elencando com a multidisciplinaridade, observar prudentemente as patologias e comorbidades  que o indivíduo possa ter, dentre muitas outras características que contribui para um atendimento correto.

Sobre essas concepções enfatizadas, deixo explicitado que não são condescendências ou presunções quando afirmo que a ética profissional deve ser seguida cautelosamente, e o respeito com o humano, sobrepuja quaisquer atos para ganhos financeiros ou elevações de ego, pois é de suma importância o olhar minucioso e a atenciosidade quando alguém confia nos seus serviços, favorecendo consequentemente, o respeito mútuo a estes profissionais que são tão necessários para diversos aspectos de nossas vidas.

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