Pandemia é oportunidade de se reinventar, vender e comprar pela internet

Aos que compram: facilidade, conforto, comodidade e a segurança de comprar de dentro de casa e receber no próprio endereço, a poucos passos dos cômodos protegidos da família. Aos que vendem: uma luz no final do túnel.
 
Por DANIELE MENDES DE MELO da ASCOM PML*,
Lages/SC

Foto: Divulgação

Nas primeiras semanas e até por meses, milhões de pessoas se sentiram enclausuradas dentro de suas próprias casas e as famílias tiveram de exercitar a paciência, tolerância e o bom senso em nome da harmonia na convivência. Do lado de fora das portas, o silêncio ensurdecedor do isolamento social, lockdown e o desespero de comerciantes que se viram obrigados a descer as grades de seus estabelecimentos para proteger funcionários e clientes da disseminação desta catástrofe biológica da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), sem saber por quanto tempo este congelamento das atividades iria perdurar.
 
A baixa circulação de pessoas afetou principalmente os micro e pequenos negócios, que estão sofrendo com a queda no consumo. Depois das perdas, prejuízos financeiros, queda na produção e nas vendas e baixas de colaboradores com demissões inesperadas e praticamente não planejadas, houve as reaberturas, adaptações para horários reduzidos e mobilizações para uma remodelação da comercialização, em contraponto ao infeliz fechamento de empresas.

Nasce, aí, um novo momento de contenção de gastos e a busca de segurança pelas pessoas, realizando suas compras on-line para não ter de frequentar locais públicos e, assim, correr o risco de contaminação diante das aglomerações de público. Abrir um novo canal de comercialização de produtos e serviços surgiu como uma ferramenta urgente para afrontar a crise econômica provocada pela pandemia e passar por cima dos obstáculos.
 
Haja criatividade para colocar a imaginação e o planejamento a vapor, fazendo sair “fumaça” da cabeça de quem tem o sangue do empreendedorismo nas veias. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que o e-commerce ganhou força e passou a ser a melhor opção de venda, “pois o consumidor recebe seu produto em casa, com o menor contato físico possível”.
Parcela da população empreendedora está passando por sua primeira experiência com a compra on-line, e outro perfil, que anteriormente se mostrava resistente, agora deu uma chance ao próprio negócio. “Para acompanhar esses novos hábitos de consumo, é importante que o empreendedor aproveite a oportunidade para entender como o cliente procura, age, espera e gasta pela Internet. Neste cenário de crise, o usuário quer saber o que as marcas estão fazendo e como podem contribuir para melhorar a situação, uma vez que elas podem servir de exemplo para as pessoas”, detalha o Sebrae.
 
A segurança em receber uma encomenda de um local onde há casos de Covid-19 existe, sim. A probabilidade de uma pessoa infectada contaminar itens comerciais é baixa e o risco de contrair o vírus que causa a Covid-19 do contato com uma embalagem que foi manipulada, transportada e exposta a diferentes condições e temperaturas também é baixo.

Foto: Divulgação

Os consumidores estão priorizando a compra on-line de itens essenciais:
  • As vendas de supermercados tiveram um aumento de 16%, e a taxa de conversão média no setor aumentou 8,1%;
  • As visitas a sites de saúde (como alimentos naturais, vitaminas e higiene) aumentaram 11%, e as vendas dispararam 27%;
  • A visita a páginas de utensílios domésticos teve um aumento de 33%, e Além de todos os tipos de delivery, que tiveram uma alta taxa de procura
Conforme análise do Sebrae, os setores não essenciais precisaram se fortalecer como marca, pois o consumo está, gradativamente, retornando neste começo de pós-crise. “Por isto cresce ainda mais a importância do propósito. As empresas e marcas precisam tomar muito cuidado para não serem vistas como oportunistas pelos seus consumidores, que estão mais sensíveis”, justifica o Sebrae, evidenciando, ainda: “Esta é a hora em que todos precisam se reinventar, focando a experiência do cliente e agregando valor na decisão de compra. Por isto, vale lembrar que o e-commerce não vende produtos, ele envia solução. Os empreendedores devem lembrar ser importante tratar seus clientes como pessoas e mostrar para eles que existem pessoas do outro lado da tela também”.
 
Dicas de sucesso nas vendas pela tela do celular ou computador
  • Evitar estratégias caras;
  • Comunicar-se com os clientes;
  • Explorar os formatos disponíveis;
  • Estar atualizado e de olho nas plataformas;
  • Diversificar os canais de venda, e
  • Pensar em longo prazo
No link https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/protocolosderetomada os empresários podem absorver as orientações de saúde para a retomada dos negócios de varejo, alimentação, beleza, moda, negócios pet, saúde e bem-estar, construção civil, turismo, artesanato, automotivo, logística e transportes, indústria, economia criativa e serviço educacionais, a partir das medidas de saúde. É possível baixar os e-books com informações gerais e de cada segmento: Mercearias, minimercados e supermercados; lojas de rua e lojas de shopping; feiras livres; panificadoras e confeitarias; bares, restaurantes e lanchonetes; Microempreendedores Individuais (MEIs) de alimentação; salões de beleza, barbearias, maquiadores e clínicas de estética; loja de vestuário, loja de calçados, lojas de acessórios e atacarejo; negócios pet; academias de ginástica; clínicas de saúde; SPA; Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI); lojas de materiais de construção; indústria da construção; lojas de móveis; indústria do mobiliário; escritórios de arquitetura e projetos; agências de turismo; meios de hospedagem; turismo em áreas naturais; turismo e negócios e eventos; artesanato; peças, acessórios e serviços de reparação automotiva; serviços de delivery; transporte por aplicativo e táxi; transporte escolar; transporte de cargas - fracionadas; transporte de cargas - rodoviário; indústria de base tecnológica e energia; eventos culturais; games; audiovisual; cursos livres; escolas, e empreendedores independentes das vendas diretas.

Foto: Divulgação

Definições de amparo ao empreendedor em nível municipal
 
Em Lages, os decretos nº: 17.908, de 24 de março e 17.959, de 06 de abril deste ano, abordam decisões para o fomento dos empresários e cidadãos lageanos. Entre as quais, prorrogação dos prazos dos vencimentos, sem cobrança de juros e multa, do Imposto Sobre Serviço (ISS) e da data de vencimento para pagamento da Taxa de Fiscalização, Localização e Funcionamento (TFLF).
 
Estiveram suspensos por 90 dias, os seguintes procedimentos: Inscrição em dívida ativa de débitos municipais; ajuizamento de execução fiscal; encaminhamento de protesto de dívidas de origem tributária e não tributária; e cobrança administrativa e responsabilização de contribuintes por dívidas de origem tributária e não tributária. Do mesmo modo, esteve prorrogado o prazo de vencimento, sem cobrança de juros e multas, da tarifa de água dos meses de abril, maio e junho de 2020, enquadrada na categoria residencial social, respeitando os critérios estabelecidos no regulamento dos serviços de água e esgoto, da Secretaria Municipal de Águas e Saneamento (Semasa).
 
A Sala do Empreendedor, uma das subdivisões na frente dos trabalhos da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo, continua com seus serviços prestados especialmente aos Microempreendedores Individuais (MEIs) do município, oferecendo atendimento de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h. O suporte não deixou de ser oferecido, somente houve suspensão dos trabalhos por 15 dias no começo da pandemia, em respeito às normas de coibição de novos casos do vírus, sem prejuízos aos empresários pelo tempo com as tarefas interrompidas. “A Secretaria trabalhou normalmente neste período da pandemia, prestando total atendimento aos MEIs, tanto para aqueles que quiseram abrir o seu negócio, quanto àqueles que procuraram os serviços para renovar seu alvará, mantendo-se todos os cuidados, como distanciamento social e uso de máscara e álcool gel. O Município, através da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo, em parceria com o Orion Parque, executou o Programa de Aceleração de Pequenos Negócios. Houve diversas lives e palestras on-line, auxiliando o pequeno empreendedor a passar por esta crise e até aprimorar suas atividades econômicas”, defende o diretor de Desenvolvimento da Secretaria, Amauri Bacci.
 
Respaldo do poder estadual
 
Quanto ao Governo do Estado de Santa Catarina, há uma série de medidas adotadas pela União, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc) para mitigar os impactos às empresas catarinenses, especialmente às micro e pequenas. Trata-se das seguintes iniciativas:
  • Carência e postergação de dois a seis meses dos contratos de financiamento em andamento, para pequenas e médias empresas;
  • Linhas de Microcrédito e Capital de Giro para Micro e Pequenas empresas. Disponibilidade é de R$ 100 milhões de recurso próprios do BRDE;
  • Microcrédito para financiamento de R$ 5 mil a R$ 20 mil - taxa de 1% ao mês (BRDE);
  • Capital de Giro para Micro e Pequena empresa financiamentos de R$ 20 mil a R$ 200 mil, juros reduzidos de 0,74% ao mês - considerando a Selic 3,75% a.a. Até 18 meses de carência + 30 meses amortização - Prazo total 48 meses. Sem necessidade de garantia real;
  • Ampliação do Programa Microcrédito Juro Zero de R$ 3 mil para R$ 5 mil, por operação, para MEI com juros pagos pelo Estado. A projeção é de R$ 70 milhões de recursos próprios;
  • Linha de Crédito Badesc Emergencial para micro e pequenos empreendedores em até R$ 150 mil, com carência de 12 meses e amortização em 36 meses. Juros subsidiados parcialmente pelo Estado. A disponibilidade é de R$ 50 milhões em recursos próprios;
  • Projeto de subvenção de juros para pequenos empreendimentos rurais, pelo Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), com juros de 2,5% ao ano, pagamento em 36 meses e carência de 12 meses. Recursos disponíveis são R$ 1,5 milhão da SAR. A expectativa é alavancar R$ 60 milhões em investimentos no meio rural e pesqueiro de Santa Catarina;
  • Criação de programas de financiamento pós-crise para investimento e ampliação da disponibilidade dos programas acima com recursos do BNDES;
  • Prorrogação nos prazos de obrigações acessórias da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF);
  • Prorrogação de 90 dias para recolhimento de ICMS aos contribuintes optantes pelo Simples Nacional, e
  • Prorrogados por 90 dias os prazos de recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS) das empresas do Simples e por 180 dias o deferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e ISS dos microempreendedores individuais (MEIs).
Governo Federal criou e ampliou ideias de apoio
 
Propostas estão fazendo parte do novo fôlego na vida da classe empresarial brasileira. E, na prática, são as da sequência:
  • Criação do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), destinado ao desenvolvimento das microempresas e empresas de pequeno porte, instituído pela Lei nº 13.999, de 18 de maio de 2020. As operações de crédito podem ser utilizadas para investimentos e capital de giro isolado ou associado ao investimento. Significa que as micro e pequenas empresas podem utilizar os recursos obtidos para aplicar em investimentos (adquirir máquinas e equipamentos e realizar reformas) e/ou para despesas operacionais (salário dos funcionários; pagamento de contas como água, luz e aluguel e compra de matérias-primas e mercadorias, entre outras). O prazo máximo de pagamento das operações contratadas no âmbito do Pronampe é de 36 meses;
  • Sanção do auxílio emergencial de R$ 600 a microempreendedores individuais e trabalhadores informais. Instituído em abril, para conter os efeitos da pandemia sobre a população mais pobre, MEIs e os trabalhadores informais, o auxílio emergencial começou com parcelas de R$ 600 ou R$ 1.200 (no caso das mães chefes de família), por mês, a cada beneficiário. Inicialmente projetado para durar três meses, o auxílio foi estendido para o total de cinco parcelas. E desde 17 de setembro está sendo pago o auxílio emergencial residual no valor de R$ 300, quantia que se estenderá por até quatro parcelas mensais totais e será devida até 31 de dezembro de 2020. No total, as parcelas de R$ 300 serão pagas para mais de 16,3 milhões de pessoas, no montante de R$ 4,3 bilhões. Os pagamentos acontecem mediante calendário definido pelo Ministério da Cidadania e são realizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) (com informações da Agência Brasil);
  • Oportunização, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de um conjunto de medidas de apoio aos pequenos negócios para beneficiar quem enfrenta dificuldades de caixa por conta da crise, consiste na expansão da linha BNDES Crédito Pequenas Empresas;
  • Oferecimento de linha de crédito para pagamento da folha salarial de pequenas e médias empresas. Recursos no valor de R$ 40 bilhões visam segurar empresas em meio à crise de consumo causada pela pandemia do novo Coronavírus;
  • Oferta do Proger Urbano Capital de Giroprograma do Governo Federal com o objetivo de promover geração de renda por meio da oferta de linhas de crédito com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no investimento de longo prazo a pequenos negócios, cooperativas e associações de produção;
  • Facilitação do acesso à linha de crédito vinculada ao Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). Resolução do Ministério da Economia e Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) alterou regras do Programa, que se destina a financiar atividades produtivas do MEI e da microempresa com faturamento anual de até R$ 200 mil por ano, e
  • Prorrogação do pagamento dos tributos federais do Simples Nacional. Os impostos relativos ao Simples de março, abril e maio ganharam um prazo maior de seis meses para pagamento.
*Com informações do Portal do Empreendedor/Sebrae, Governo de Santa Catarina e Agência Brasil. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enquete: participe e vote em quem você acha que será a rainha da Festa do Pinhão 2019

Lages a Nova Iorque com a Azul, a partir de junho

Internautas reagem a Mario Motta na bancada do ‘Jornal Nacional’