Ceasa conta atualmente com três unidades no Estado, nas cidades de São José, Blumenau e Joinville.

Por EVERTON GREGÓRIO da CÂMARA LAGES,
Lages/SC

📷 Aline Borba / Câmara Lages

A opinião é unânime: receber em Lages uma Central de Distribuição de Alimentos, que é o que define um Ceasa, seria bom para o produtor, o empresário e, principalmente, para quem tem fome. Gera movimentação de renda, criação de empregos diretos e indiretos, maior facilidade e redução de custos com o transporte do alimento produzido ou comprado não só para os municípios da serra, como para o meio-oeste e a região oeste, também distantes dos centros de distribuição existentes: São José, Blumenau e Joinville.

Mas para tudo isso deixar de ser um desejo, um sonho, existe o desafio da operacionalização deste serviço, como a disponibilização de um terreno, estudo de viabilidade técnica, além da decisão governamental. “Com certeza é muito importante, vai trazer renda para os colonos, para os mercados, para a população da região serrana. (...) Vai ajudar muito os comércios menores, que não têm condições de ir de caminhão pra buscar esses alimentos”, reforçou Osni Freitas - Bugre (PDT), um dos vereadores proponentes da audiência.

Outro autor da reunião, o vereador Ivanildo Pereira (PL) lembrou que já na segunda semana de vereança, ele, Osni e Amarildo Farias (PT) levantaram a bandeira de um Ceasa em Lages. “Agora já faz três anos, trouxemos um modelo para este Ceasa e estamos felizes porque o gabinete do nosso deputado Marcius esteve aberto, nos levou até o secretário da agricultura, e isso é uma grande importância, o pequeno produtor não tem onde colocar para vender o que eles plantam na região. No Ceasa eles poderão comercializar com os empresários que ali vão se instalar”, explicou o edil, que espera que a ideia possa se tornar uma realidade em nossa região.

Presidente da Ceasa em Santa Catarina, José Angelo Di Foggi confirmou que todos têm noção da importância de uma central na região serrana, entretanto, ressalta que é necessário um estudo técnico de viabilidade e sugeriu a criação de uma comissão no intuito de colocar no papel o planejamento devido e o investimento para a construção da unidade, assim como a cooperação do poder público, tanto nas administrações municipais como nas empresas de fomento à técnica agrícola. O gestor da Ceasa também destaca que a Serra não é apenas um celeiro, como comercializa hoje 11% do volume de 332 mil toneladas movimentadas anualmente apenas no Ceasa de São José, patamar que deve aumentar com um acesso mais facilitado aos produtos comercializados.

Assunto também é tratado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina

Retornando ao Poder Legislativo Lageano após ter sido vereador por dois mandatos, o deputado estadual Marcius Machado (PL) comenta que a implantação do Ceasa em Lages tem sido um dos 13 pontos para o desenvolvimento da região os quais ele tem se dedicado em seu mandato na Alesc. A localização estratégica de Lages, dotada de aeroporto, cortada por duas rodovias federais que ligam norte-sul e leste-oeste de Santa Catarina, além de outras tantas estradas estaduais, são motivos elencados por ele para atrair investimentos à cidade.

Marcius já havia tratado sobre o assunto com o secretário de estado da Agricultura, do qual o Governo tem interesse, mas que neste primeiro ano ainda está ocorrendo um enxugamento da máquina do estado e que é preciso de um pouco de paciência em relação a esta decisão. O deputado pediu o apoio de todos para que o assunto continue em voga. “Essa pauta não é só do Marcius, não é do Osni, do Ivanildo, mas de todos, se cada um encontrar o seu representante e cobrar por isso, a iniciativa terá mais força e vai fazer com que Lages e a Serra sejam gigantes, como geograficamente os são”, disse.

Municípios se colocam a disposição para tocar em frente o projeto

Secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Mario Hoeller de Souza cumprimentou os proponentes do debate. “Buscando soluções nós vamos ser vereadores de verdade e quero cumprimenta-los por este ato”, destacou Marião, ele próprio ex-vereador de Lages. Ele cobrou que a população serrana precisa ser mais associativa para que projetos como este saiam do papel. “Fazemos questão de fazer parte desta equipe proposta, inclusive, colocamos a estrutura da secretaria de desenvolvimento a disposição para fazermos esse estudo, elaborar uma proposta com números e que convença. Não adianta só o suor, a terra boa, sem jogarmos juntos, não vai dar frutos”.

Diretor administrativo da Secretaria da Agricultura de Lages, Ozair Coelho (Polaco) assegurou que a pasta será parceira e não vai medir esforços para que “vire realidade este sonho de todos nós”. Ele agradeceu o apoio dado pelo presidente da Câmara de Lages, Vone Scheuermann (MDB), que destinou R$ 250 mil do orçamento do Legislativo para o programa “Porteira Adentro”, que leva o cascalhamento para as propriedades do interior, facilitando o escoamento da produção agrícola e também o acesso destes aos aparatos públicos da cidade, como educação e saúde. Com mais este aporte, serão 280 famílias contempladas. O secretário pediu o apoio do deputado Marcius para que, através de emenda parlamentar, o número de propriedades beneficiadas chegue a 500.

Antônio Zilli, prefeito de Urubici, também se fez presente na audiência e afirmou que o município, maior produtor de hortifrúti na região, estará junto nessa iniciativa. “É muito importante para a região, temos que ser consciente que não é um projeto fácil de executar, mas não podemos nos acovardar de encarar um desafio deles. Nosso município está junto para o que der e vier”, declarou.

Confira mais alguns depoimentos da comunidade sobre o tema

“É uma ideia que cai como uma luva para a nossa cidade. Temos as melhores áreas de cultivo para muitas espécies e com o Ceasa teremos um rígido controle de higiene, fitossanitário e que vem melhorar ainda outros mercados da nossa região com o beneficiamento destes produtos”, microempreendedor Mancilio Carvalho.

“Espero que todo mundo apoie porque no campo a vida é difícil, tem muito produtor abandonando e vindo embora pra Lages. Eu gosto daquilo que faço, senão teria vindo embora também”, fruticultor Rafael Pegoraro.

“Esta proposta é muito importante pelo fortalecimento das empresas públicas em Santa Catarina, pela interiorização da comercialização do alimento. Serão beneficiados a região serrana e o meio-oeste, o fomento da geração de emprego em Lages, diretos e indiretos, o oferecimento de um produto de maior qualidade. Todo um processo de agregação de valor que o Ceasa traz aqui”, coordenador de Sindaspi (base dos trabalhadores do Ceasa), Gilmar Espanhol.

“Nosso povo é carente, sofrido, às vezes, não tem nada pra comer, se pega um pouco de alface e tomate já dão risada. O que sobrar da Ceasa vai abastecer a população carente. Os políticos trabalhando em benefício do povo, é isso que a população quer”, presidente da associação de moradores do Morro do Posto, Hélio Antunes da Silva.

“Trabalhei nas operações Safra e conversando com os agricultores eu via que a principal dificuldade que eles tinham era de escoar a produção, que vai pra Curitiba, Porto Alegre, até São Paulo. Que não pare só nesta sessão e se promulgue a ideia pelo próprio Ceasa, para que aconteça da maneira mais rápida possível”, suplente de vereador Sargento Sobrinho.

“Temos uma agricultura familiar forte, mas essa cultura está enfraquecendo pelo custo do transporte. O Ceasa não vem só pra facilitar a vida do empreendedor que depende da comercialização dos produtos, mas também os integrantes da agricultura familiar e ainda a população que teria mais facilidade para adquirir estes produtos”, jovem vereador Isaac Oliveira.