Durante três meses, 20 detentas do Presídio Regional de Lages tiveram a oportunidade de aprender técnicas para evidenciar a beleza de outras mulheres e mudar a perspectiva de vida fora dos sistemas prisional.

Por TAINA BORGES da NCI TJSC,
Lages/SC

📷 Taina Borges / NCI TJSC

Durante três meses, 20 reeunducandas do Presídio Regional de Lages tiveram a oportunidade de aprender técnicas para evidenciar a beleza de outras mulheres e mudar a perspectiva de vida fora dos sistema prisional. A formatura do curso profissionalizante de cabeleireiro básico e maquiagem foi nesta terça-feira (15), durante solenidade acompanhada por autoridades e familiares.

A mãe de uma jovem detenta de 29 anos estava feliz em saber que filha teve acesso à qualificação profissional e isso fará diferença quando estiver em liberdade. “Ela sempre gostou disso. Tem o dom. Nas festas de natal, maquiava todas as mulheres da família. Terá todo meu apoio se quiser seguir isso para a vida”, diz a mãe.

Foi ela quem maquiou as outras reeduncandas para o evento. Emocionada, lembra da filha pequena. “Saio em fevereiro. Vou fazer outros cursos, abrir um salãozinho na minha cidade e cuidar da minha filha. Ela adora maquiar as bonecas. Sei que existe outro caminho e dá para a gente mudar”, planeja a mulher presa há mais de um ano por tráfico de drogas.

Para o juiz da Vara Regional de Execuções Penais, Juliano Schneider de Souza, a mudança é possível a partir do conhecimento e qualificação. “As pessoas que estão privadas de liberdade não estão privadas de evoluir em seus interesses. Acredito que o conhecimento é transformador, e a qualificação é oportunidade de fazer algo diferente lá fora”.

Um dos objetivos do projeto é diminuir os índices de reincidência criminal. “Queremos oferecer capacitação profissional e treinamento técnico como forma de propiciar às reeducandas um leque maior de alternativas para obtenção de trabalho após ou durante o período de reclusão.  Buscamos desenvolver ações e mecanismos para estimular a criação, valorizando formas de produzir mais e melhor”, destaca o gerente do Presídio Regional de Lages, Diego Costa Lopes.

Em parceria com a prefeitura de Lages, nos próximos dias, homens e mulheres recolhidos no presídio poderão participar do curso de manipulação de alimentos. Outras qualificações serão ofertadas na sequência, conforme estudo de demanda.