Cerca de 70 detentas se reuniram para ouvir Eloilse de Oliveira, do projeto “lóô, Elô”, falar sobre a experiência com a doença.

Por TAINA BORGES do NCI TJ-SC,
Lages/SC

📷 Taina Borges / NCI TJ-SC

Os laços nos cabelos, batom e as flores da decoração tinham a cor símbolo da campanha que busca alertar as mulheres sobre o câncer que mais mata entre o sexo feminino, o de mama. Nesta quarta-feira (23), o assunto foi este no pátio do Presídio Regional de Lages. Cerca de 70 detentas se reuniram para ouvir Eloilse de Oliveira, do projeto “Alô, Elô”, falar sobre a experiência com a doença.

Uma das primeiras perguntas feitas por Elô às mulheres buscou saber quantas conhecem alguém que teve o câncer. Um grande número levantou a mão porque mães, tias, amigas ou conhecidas receberam o diagnóstico. Umas se curaram, outras não, como uma das colegas de cela morta pela doença.

Presa há quatro meses por roubo, uma das participantes conta que a mãe retirou o seio faz quatro anos. Isso não bastou para que ela se preocupasse com a própria saúde. “O que a Elô falou é certo, sempre temos outras prioridades. É importante a gente ouvir histórias de quem passou por isso para tomar mais atenção. Quando sair daqui vou procurar fazer todos os exames possíveis”, diz a mulher de 31 anos.

Os pais de Elô morreram por conta do câncer. A irmã mais velha teve a doença na mama três vezes. Há nove anos, no dia de natal, ela descobriu um nódulo no peito. A notícia chocou. O tratamento feito inteiramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) deu certo e a cura foi possível. “O assunto é chato, mas não me canso de falar porque essa doença mata”, reiterou para as presas.

O projeto nasceu por incentivo do juiz Silvio Orsatto, da comarca de Lages. E por meio dele, Elô, que foi servidora no Judiciário, tem chegado a mulheres e homens em palestras nas escolas, empresas, instituições e entidades para dar seu depoimento com foco na prevenção e o diagnóstico precoce.   

A enfermeira Luciane Dierksen integra a equipe multiprofissional do presídio. Ela conta que esta foi a primeira vez que todas as mulheres recolhidas na unidade se juntaram para um evento maior. Em outros anos, as ações ocorriam em pequenos grupos e locais distintos. “É importante que elas vivam esse momento. Muitas têm preocupação com a saúde, outras não. Informação nunca é demais”.

O evento no presídio teve o apoio do Conselho da Comunidade, Comissão da Mulher Advogada da  OAB Lages e Secretaria Municipal da Saúde. 
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