Entre os objetivos do Plano, está apontar aspectos socioeconômicos, demanda de turistas e sensibilizar as pessoas sobre o potencial da atividade turística.

Por ALINE TIVES da ASCOM PML,
Lages/SC

📷 Toninho Vieira / ASCOM PML

O diagnóstico do Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável de Lages foi apresentado na tarde desta quarta-feira (2 de outubro), no Centro Cultural do Sesc, em evento realizado pela Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures), em parceria com a Prefeitura, através Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Lages e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O encontro contou com a presença do ex-ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, que ministrou uma palestra sobre oportunidades de captação de recursos internacionais, voltados ao turismo.

Esta é mais uma etapa do Plano Regional de Turismo, desenvolvido pela Amures englobando todos os municípios da Serra Catarinense. Cada município terá seu diagnóstico realizado pela empresa de consultoria Girus Soluções em Turismo, de Florianópolis. “Temos enorme vontade de trabalhar em conjunto, pois podemos aliar nosso potencial ao trabalho dos demais municípios para alcançarmos patamares maiores. Quando se fala em turismo, o sucesso não acontece com ações isoladas”, comenta o executivo de Turismo do Município, Luís Carlos Pinheiro Filho.

Entre os objetivos do Plano, está fazer uma análise de mercado, apontar aspectos socioeconômicos, a demanda de turistas na região, sensibilizar as pessoas sobre o potencial da atividade turística, podendo gerar renda para o Município, além de orientar a atuação do órgão de turismo competente e facilitar a captação de recursos para o setor. “Esperamos que a partir deste diagnóstico, possamos tornar projetos realidade, buscar soluções para as transformações futuras e dar passos largos em direção ao sucesso”, aponta o vice-prefeito, Juliano Polese.

Para o ex-ministro, Waldeck Ornélas, a crise econômica prolongada que o Brasil tem vivido se reflete diretamente no setor fiscal público e na capacidade de investir. Enquanto isso não for resolvido, é preciso construir alternativas e os municípios, que são o elo fraco da corrente, precisam estar inseridos nesta realidade. “O caminho que Lages está seguindo, na elaboração de um Plano de Turismo, mostra que os municípios assumiram que é necessária uma política de desenvolvimento econômico, ou seja, trabalhar para gerar oportunidades de emprego e renda, atrair investimentos e dinamizar a economia”, diz Ornélas.

Pontos fortes e fracos do turismo em Lages

Durante uma ampla pesquisa, realizada pela empresa Girus Soluções em Turismo para se obter o diagnóstico da atividade em Lages, foram apontadas questões positivas e negativas na relação da cidade com o turista e equipamentos que possam atraí-los para visitar a região.

Um dos pontos positivos é a gama de opções no setor da gastronomia. Lages possui 73 estabelecimentos de alimentos e bebidas, entre restaurantes, lanchonetes, bares e gastrobares. Mas, segundo o consultor Carlos Cappelini, este é um campo que ainda tem muito a ser explorado. “Estes pontos geram cerca de 627 postos de trabalho durante a alta temporada (1,3% da população), número ainda muito baixo comparado a outras cidades de mesmo porte”, destaca. A rede hoteleira também é um ponto forte, com capacidade de atender mais de cinco mil pessoas ao mesmo tempo. São 29 meios de hospedagem na cidade. A ocupação gira em torno de 70% na alta temporada e 40% na baixa.

Um dos pontos negativos é que, dentre as 15 agências que trabalham com turismo em Lages, apenas duas atuam no turismo receptivo. Todas as outras vendem pacotes para que os lageanos façam turismo fora. O município conta com nove guias de turismo.

Quanto aos eventos, equipamentos turísticos, sejam históricos, construídos ou naturais, a cidade possui 31 atrativos ao longo do ano. “É bastante coisa, mas a maioria é gratuita. Precisamos criar uma cultura de captar os recursos deixados pelos turistas para a manutenção dos equipamentos, melhoria dos serviços e criação de novos atrativos. O que acontece é que o turista passa por aqui e não contribui com a atividade turística, limitando o seu crescimento”, finaliza Cappelini.