A major Naíma Huk Amarante, de 40 anos, lidera desde o início deste mês, uma tropa de 80 homens e mulheres em operações na cidade de Cariacica, no Espírito Santo.

Por FABIANA DE LIZ da SECOM,
Florianópolis/SC

📷 Júnior Bandeira / Força Nacional

Pela primeira vez uma policial militar de Santa Catarina está no comando de um batalhão da Força Nacional de Segurança Pública. Desde o início do mês, a major Naíma Huk Amarante, 40 anos, lidera uma tropa de 80 homens e mulheres em operações na cidade de Cariacica, no Espírito Santo. A policial catarinense é a única comandante mulher no projeto que envolve mais quatro estados: Pará, Goiás, Pernambuco e Paraná.

O apoio à segurança pública capixaba integra o Programa de Enfrentamento à Criminalidade Violenta, para redução dos índices de homicídio. Trata-se de um projeto-piloto do Governo Federal, com duração prevista de quatro meses. Naíma chegou ao Espírito Santo há dois meses.

Antes dela, outra policial militar de Santa Catarina comandou um pelotão da Força Nacional — vários pelotões compõem um batalhão. Em 2010, a então tenente, hoje major, Andreia Cristina Fergitz, atuou na cidade de Cárceres, no Mato Grosso.

📷 Júnior Bandeira / Força Nacional

A comandante

Natural de Campina da Alegria, distrito que pertencia ao município de Catanduvas, no Meio Oeste de Santa Catarina, e hoje faz parte de Vargem Bonita, Naíma ingressou na PMSC em 2004, por influência da irmã, Nanon Rosangela Huk Amarante, que já era policial militar. A comandante da Força Nacional chegou ao posto de major em 2017. Passou pelos batalhões de Joinville, Jaraguá do Sul e da Capital, onde atuava no 4º Batalhão desde 2013. Tem pós-graduação em Administração Pública, Ciências Penais e Educação Física Militar. Passou por funções administrativas e operacionais.

Para Naíma, estar na Força Nacional significa um novo desafio pessoal e profissional. “Eu acredito que nossa função, oficial da PM, deve ser cumprida com intensidade. Em cada função que exerci, dediquei toda minha obstinação. Traço metas e crio objetivos e quando consigo alcançá-los sinto necessidade de outras missões, porque acredito que seja essa a função de um oficial: gerir e comandar com entusiasmo até o mais próximo possível do exaurimento da missão”, ressalta.

📷 Júnior Bandeira / Força Nacional

Ela ainda ressalta que estar à frente de um batalhão da Força Nacional é o resultado da trajetória que percorreu. “Aceitei esse desafio porque me sinto preparada para estar aqui pelo caminho que já trilhei e porque a experiência que estou tendo vai me alçar para outro patamar de atuação. Estou aqui aprendendo e ensinando, e essa é a melhor métrica da vida”, define ela.

Mediadora de conflitos 

Antes de atuar pela Força Nacional, ela era subcomandante do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM. Foi, ainda, instrutora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), de mediação de conflitos, tiro policial, educação física militar, polícia comunitária e de chefia e liderança.

A mediação de conflitos está entre as disciplinas preferidas da instrutora Naíma. “Eu aplico aos alunos e também serve para mim mesma. Serve para tratativa com a sociedade na prevenção da criminalidade, serve para gerir uma ocorrência e ajuda na gestão de comandar homens e mulheres. Serve também para questões de grandeza como esta, da luta das mulheres para obterem oportunidades de fazer aquilo que estão capacitadas a fazer e ocuparem as posições que quiserem ocupar. Todos os dias conflitos novos aparecem e todo dia faço meu melhor para que tudo seja mediado e que possamos dar um passo à frente no combate à criminalidade.”

O desejo de salvar vidas

Ser policial não estava nos planos da major. Desde criança ela sonhava em ser médica para ajudar as pessoas. Na busca por estabilidade financeira para criar uma filha, Naíma percebeu que sendo policial também poderia salvar vidas.

📷 Júnior Bandeira / Força Nacional

“A vida foi acontecendo e a realidade me trouxe imposições e obstáculos. Eu tentei ser médica, mas entendi que também poderia ser feliz sendo policial militar. Nosso objetivo constitucional é fazer polícia ostensiva e preservar a ordem pública, mas também envolve salvar vidas. O prazer de quando participei de ocorrências em que salvamos uma ou algumas vidas que estavam em risco é indescritível”, ressalta. 

Para a irmã policial Nanon, influenciadora de Naíma, a participação na Força transpassa o reconhecimento pessoal, sendo também mérito profissional. “Ela é preparada e acredita no ideal de prevenção ao crime. Reúne um conjunto de conhecimentos que a qualifica como candidata certa para a função de gerenciar localmente esse projeto do Ministério da Justiça”, ressalta.

Preparados para Tudo

A Força Nacional de Segurança Pública é um programa de cooperação entre União, Estados e Órgãos Federais (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ibama, entre outros), criado para preservar a ordem pública. Atua também em situações de emergência e calamidades públicas. Sua criação foi inspirada no modelo da Organização das Nações Unidas (ONU) de intervenção para a paz, baseada na cooperação entre União e estados-membros para a resolução de conflitos.

📷 Júnior Bandeira / Força Nacional

Com o lema Preparados para Tudo, a Força Nacional, uma tropa de pronta resposta, tem capacidade e recurso para atuar de forma imediata em situações diversas e complexas na segurança pública.

As duas semanas frente à tropa já propiciaram uma experiência enriquecedora à Naíma: “Está sendo um grande desafio, que posso dividir em dois grandes vértices. Um é estar longe do conforto do lar, das pessoas que mais prezo e do contato diário da família. O outro foi a adaptação à nova rotina, cidade, função, missão. Posso dizer, com convicção, que estou vivendo um momento ‘sui generis’ expressão muito usada no meio jurídico para dizer sobre um coisa que é ‘única da sua espécie’. Estou feliz, motivada, empolgada”, finaliza a comandante.