A exposição “Nas ruínas de Curitibanos: vestígios de uma invasão durante a Guerra do Contestado” aberta nesta quinta-feira (26), mostra exatamente 105 anos depois, que prédios foram incendiados durante o maior conflito armado do Brasil.

Por TAINA BORGES do NCI/TJSC,
Lages/SC

📷 Adelson André Brüggemann

Esta é primeira vez que documentos históricos sobre a Guerra do Contestado se tornam públicos, saem da capital e retornam para o interior de Santa Catarina para remontar o dia em que Curitibanos foi invadida. "Nas ruínas de Curitibanos: vestígios de uma invasão durante a Guerra do Contestado" é o tema da exposição aberta nesta quinta-feira (26), exatamente 105 anos depois que prédios foram incendiados durante o maior conflito armado do Brasil. O evento é uma realização do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Interessados em conhecer o acervo poderão ir ao Fórum da cidade até o dia 14 de novembro, das 12h às 19h.

Mapas, fotos e documentos revelam parte da história que até então estava guardada. Alguns desses materiais chegaram a Florianópolis cobertos de lama, esterco, rasgados, pisados por cavalos e cachorros, cortados e furados com espadas. Marcas de mãos e pés humanos também foram encontradas. Documentos judiciais do século XXI que estavam no edifício que abrigava o cartório e foram jogados na rua, em meio a lama e chuva, no dia do ataque. Parte deles está em exposição.

“Os documentos tornaram-se, na verdade, ruínas que persistem à passagem do tempo. São ruínas em virtude da sua materialidade e porque se configuram como resíduos que tronam possível vislumbrar a relação do homem com o passado”, explica o Chefe da Divisão de Documentação e Memória do Judiciário e gerente do projeto, Adelson André Brüggemann.

Informações trazidas neste trabalho, com depoimentos registrados nos documentos, não confirmam notícias alarmantes divulgadas à época da invasão.  E isso, segundo Edelson, provoca novos questionamentos sobre a história da cidade e a Guerra do Contestado. A exposição está separada em blocos. Um deles, chamado de “Ruínas”, tem a documentação disponível para o público ver; Em “Vi Alguém dizer” os processos da época traziam afirmações de testemunhas que usavam essa frase para explicar seus depoimentos; e, por fim, “testemunhos” tem processos que poderão ser consultados e os visitantes saberão como a Justiça era feita em séculos passados.

Com o fim do evento em Curitibanos, no mês de novembro, é possível que a exposição se torne itinerante pelas cidades da região do Contestado e em outras de Santa Catarina. A ideia ainda será estudada pelo Judiciário. “Temos aqui um manancial de informação incrível. Rico em detalhes. Os catarinenses precisam conhecer sua história. Especialmente essa que os livros não contam”.