599 empresas são ligadas à indústria, com aproximadamente 8.480 postos de trabalho ativos nesta atividade econômica, nas áreas de móveis e madeira, celulose e papel, construção civil, metalmecânica, agroalimentício, têxtil e confecção e gráfica.

Por DANIELE MENDES DE MELO da ASCOM PML,
Lages/SC





📷 Parte central de Lages. (Foto: Toninho Vieira / ASCOM PML)

Enraizada na tradição da negociação de produtos alimentícios, iguarias e artigos regionais, como o charque e o couro, pelos Caminhos das Tropas entre as taipas da Coxilha Rica, sob o lombo das mulas, no trajeto até São Paulo, nascida em 22 de novembro de 1766 como a vila de Nossa Senhora das Lajens, e fundada pelo bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo. Lages, este que é o maior município de Santa Catarina em extensão territorial, com seus 2.644 quilômetros quadrados e atuais 158 mil habitantes (conforme estimativa de 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE), berço do turismo rural, esteve rendido à produção e à lucratividade estrondosa gerada pelo ciclo da madeira a partir da exploração extrativista de reflorestamentos de pinheiro americano (pinus) e matas de pinheiro araucária nas décadas 1960 e 1970. E com o surgimento e aperfeiçoamento da ascensão industrial e tecnológica, novas aptidões econômicas apareceram, e Lages passa a despontar como celeiro multifacetado, incluindo-se a tecnologia e a inovação, sem deixar de lado seu poderio natural da riqueza florestal, pois a espécie pinus se desenvolve extremamente bem em locais frios e úmidos como a Serra Catarinense, e a versátil madeira engenheirada ganha o mercado interno e externo. Geograficamente favorecida por estar centralizada às rodovias federais BR-116 e 282, e localizada ao centro do Sul do Brasil, Lages colhe os frutos de estrategicamente poder escoar seus produtos de diversas vertentes industriais via terrestre, alinhando-se com o restante do país em uma intensidade de atividade rodoviária frenética e incessante, além de usufruir dos meios ferroviário, marítimo e aéreo.

De acordo com o departamento da Diretoria de Fiscalização Tributária da prefeitura de Lages, dados reportam que existem aproximadamente 16.500 mil empresas em atividade em Lages, entre autônomos, Microempreendedores Individuais (MEIs), micro, pequenas, médias e grandes. Deste montante, 599 são ligadas à indústria. Conforme dados colhidos junto ao Portal da Indústria/Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), aproximadamente 8.480 postos de trabalho estão ativos nesta atividade econômica, nas áreas de móveis e madeira, celulose e papel, construção civil, metalmecânica, agroalimentício, têxtil e confecção e gráfica.

O vice-presidente Regional da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), para Assuntos da Serra Catarinense, Israel José Marcon, explica que o setor industrial é fundamental para o desenvolvimento econômico de uma cidade, pois é fato histórico que as cidades onde este segmento atua apresentam maior crescimento econômico, e o seu desenvolvimento ajuda na melhora da renda local e promove aumento no nível de vida da população. “O desenvolvimento industrial desempenha um papel relevante na elevação econômica: Aumenta a capacidade produtiva das pessoas e cria oportunidades crescentes de emprego”, dando como destaque os seguintes pontos: Melhoria do padrão de vida, pois a industrialização ajuda a aumentar o valor da produção por trabalhador. A renda do trabalho aumenta, devido a aumentos de produtividade. Portanto, o aumento na renda eleva o padrão de vida das pessoas; Estímulo à implantação e o progresso de outras indústrias, já que o desenvolvimento de uma indústria leva ao desenvolvimento e expansão de outras indústrias, e, por fim, promoção da especialização, a partir da busca por novos conhecimentos e competências através da qualificação e profissionalização da mão de obra, utilizando como ferramentas os cursos e capacitações disponibilizados pelas três casas: Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

Cidade próspera, gente trabalhando, consumo e dinheiro no bolso

Lages está entre as cidades de Santa Catarina que mais abriram empresas em 2019. Se comparados apenas dados dos três primeiros meses de 2018 e 2019, o município aparece como um dos maiores crescimentos do Estado. O número de empresas cresceu 28% em Lages.

Em 2017 foram 149 novas empresas; em 2018 181, e em 2019 já são mais de 240. Os dados são da Junta Comercial de Santa Catarina. A indústria configura como um dos maiores responsáveis.

No que Lages é boa?

📷 Uma das áreas industrias na parte alta de Lages. (Foto: Greik Pacheco / ASCOM PML)
Lages abriga filiais de verdadeiras potências nacionais e internacionais, pioneiras e/ou ícones no aproveitamento da madeira como matéria-prima de seus produtos de alcance brasileiro e estrangeiro, como a Klabin Papel e Celulose (está em Lages a maior fábrica de sacos industriais do mundo), Ekomposit, Sanovo Geenpack, Madeireira Olímpio e Berneck Painéis e Serrados S/A, esta última em processo de instalação de uma megaestrutura à margem da BR-116, com investimentos na ordem de R$ 800 milhões na estrutura física com quase 99 mil metros quadrados, e geração de 550 empregos diretos.

A megaunidade de Lages terá como produto final a fabricação do volume de 500 mil metros cúbicos de MDF por ano e 400 mil metros cúbicos ao ano em serrados. A maioria, 70% da produção de MDF, será destinada ao mercado interno regional e nacional, e o restante ao mercado externo - países da América do Sul, Estados Unidos e China. O mercado de serrados varia, mas estima-se que 80% sejam direcionados para exportação a diversos países, principalmente China. O foco de mercado é a indústria de móveis, construção civil, automotiva, eletrônica e embalagens.

Na unidade de co-geração a ser implantada junto à indústria, a potência de consumo será de 20 megawatts e geração de 30 megawatts. De água serão consumidos 18 metros cúbicos por hora. O fluxo de caminhões será de 376 ao dia (recebimento de toras, toretes, biomassa e resina, almoxarifado e diversos, e expedição de cinzas, serrados e de painéis).

Outro segmento em constante ascensão é o da indústria de implementos agrícolas e florestais, em marcas expoentes como a GTS do Brasil, J de Souza, Mill Serras, Minusa e Potenza, comercializados em todo o país, também com exportação para outros continentes, e expostos em feiras nos quatro cantos do Brasil. Na tecnologia, genuinamente de Lages, destaque para o arrojo da NDD, especialista em desenvolvimento de softwares com clientes em vários pontos do planeta. E não para por aí, no ramo do esporte, o município também se enobrece, com indústria de troféus e medalhas da Zanoello, fornecedora para as maiores competições, principalmente as automobilísticas mais importantes do cenário. No ramo têxtil, a Planalto confecciona para a moda de grandes etiquetas.

No gênero alimentício e de bebidas, Lages se consagra por sediar a mundialmente forte Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), a alemã Vossko, JBS Foods e a lageana Belo Peixe. Enquanto isto, o plantel agropecuário de Lages é modelo pela qualidade de primeira linha e cultivo com tecnologia de ponta e os melhores insumos. Raças nobres e famosas, vendidas a cifras milionárias, como NeloreDevonHerefordBraford, Crioula e Senepol, criadas principalmente nos campos da Coxilha Rica, última fronteira no cultivo de grãos, como soja e milho, armazenados e processados em silagens de cooperativas para posterior escoamento.

Orion Parque: A fortaleza do conhecimento na Serra

📷 Toninho Vieira / ASCOM PML

O município de Lages é reconhecido, aliás, pelas experiências com o surgimento e evolução de startups, principalmente as incubadas residentes e virtuais no Orion Parque. Abriga empresas de Tecnologia da Informação (T.I.), biotecnologia e outros serviços agregadores de tecnologia e inovação, além de pesquisas avançadas na área tecnológica.

O pioneiro entre os 13 Centros de Inovação idealizados e a serem construídos no toal em Santa Catarina pelo Governo do Estado, o Orion Parque Tecnológico consiste em uma área aproximada de 90 mil metros quadrados. Além de possuir terrenos para instalação de novas empresas, abriga o Centro de Inovação público. Oferece estrutura física do Centro de Inovação - incubação de empresas e projetos inovadores, 12 mentorias e programas de fomento à inovação e ao empreendedorismo, espaços de coworking, auditórios e laboratórios, eventos e treinamentos, aceleração, endereço fiscal e networking, além de doação de terrenos para empresas e equipamentos que contribuem ao ecossistema de inovação. É possível participar do Órion através de algum dos sete editais e concessão de terreno.

Mais de 90% do seu espaço estão ocupados, o qual utiliza metodologias de nível mundial. Possui em torno de 50 empresas residentes e virtuais, com mais de 60 empreendedores e mais de 140 trabalhadores.

Orion possui 15 programas, entre eles Gênesis, OrionLab, Reuni, Reuni Experience e Orion Connect. O Orion tem tudo a ver como o Programa Sinapse da Inovação, com premiações em dinheiro na finalidade de impulsionar iniciativas que deverão modernizar e melhorar a vida da sociedade.

O rápido crescimento do Orion faz com que atraia cada vez mais interessados. Em outubro de 2017 o Parque abrigava apenas quatro empresas residentes e fechou 2018 com 27, um salto sêxtuplo. São mais de R$ 2 milhões de faturamento, mais de R$ 250 mil em impostos recolhidos e mais de R$ 650 mil investidos em pesquisa, desenvolvimento e engenharia não-rotineira, além das patentes.

Lages é solo do primeiro Centro de Inovação a ser entregue à sociedade, isto em 2016. Ao todo, haverá unidades em Jaraguá do Sul, Blumenau, Brusque, Chapecó, Itajaí, Joaçaba, São Bento do Sul, Tubarão, CriciúmaJoinvilleRio do Sul e Florianópolis. O setor de Tecnologia e Inovação representa mais de 6% da economia de Santa Catarina, com mais de R$ 15 bilhões de faturamento. São em torno de 13 mil empresas, que faturam em média R$ 1,2 milhão, com 16 mil empreendedores e que empregam 48 mil colaboradores.

A 8ª economia

Um cenário de sucesso em meio à crise econômica, embora a passos comedidos, Lages se coloca em posição de respeito, comemorando o 8º lugar no ranking da economia estadual e apresenta saldos positivos em relação à empregabilidade, além de contar com o apoio direto de instituições referenciais no desenvolvimento, como a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

Lages coleciona um portfólio de projetos tirados do papel com inclinação ao empreendedorismo. O Poder Público Municipal, através da prefeitura, tem interferência direta nesta mudança de paradigma: Facilitar a vida do empreendedor que escolhe Lages como cenário de sua indústria, comércio e prestação de serviços, criando, consequentemente, o desenvolvimento econômico, humano e social do município e de sua gente. Além disto, tem reconhecida sua capacidade administrativa dos gestores públicos que tenham implantado projetos com resultados positivos, de estímulo ao surgimento e ao desenvolvimento de pequenos negócios e à modernização da gestão pública.

As razões de Lages ser padrão

Lages, principal cidade da Serra e uma das mais pulsantes do Estado, alimenta as propostas do Programa Cidade Empreendedora, parceria entre prefeitura e SEBRAE, composto por 34 ações, das quais podem ser evidenciadas cinco grandes iniciativas já avançadas: Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), que aguça em mais de oito mil crianças e adolescentes o gosto pelo feeling empreendedor através da teoria em salas de aula da rede municipal de ensino e do exercício de vendas e atração de clientes em simulações na instituição de ensino; o Plano Estratégico de Desenvolvimento Municipal (PEDEM), documento que deve preparar o futuro de Lages com segurança, pelos eixos do agronegócio, madeira, metalmecânico, turismo e tecnologia e inovação; o Plano de Gestão Estratégica Municipal (PEGEM), sobre o qual gestores públicos da prefeitura e servidores estão debruçados na corrida por soluções e mudanças de métodos para otimizar procedimentos e enxugar gastos de recursos públicos, e a Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor), para mensuração de resultados, gerar ganhos de produtividade à gestão pública, permitir a inspeção intensiva dos projetos e conquistar vantagens em nível estratégico, tático e operacional. Por fim, a Sala do Empreendedor (uma das subdivisões da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico e Turismo), inaugurada em março de 2018, mantida pela prefeitura, com os serviços aos Microempreendedores Individuais (MEIs) - informações para a abertura, alteração e baixa de empresas; formalização; emissão de alvará, certidões e de guias diversas (inclusive a guia DAS-MEI - Documento de Arrecadação do Simples Nacional); declaração anual de faturamento (MEI); auxílio para emissão de notas fiscais; apoio, divulgação e incentivo para a participação das micro e pequenas empresas do município nas compras governamentais; orientação e auxílio na parte burocrática e documental para processos licitatórios, e cursos, capacitações e consultorias. 

No município, o Programa Cidade Empreendedora basicamente explora três eixos: Educação empreendedora com a implantação do JEPP; a desburocratização, facilitando a abertura e encerramento de pequenos negócios, e o tema da gestão pública, principalmente a introdução de uma gestão orientada para resultados nos projetos da prefeitura, com melhor qualidade dos serviços aos cidadãos.

Outro forte movimento em Lages consiste no Projeto Criaticidade, mobilização pioneira em Santa Catarina a fim de buscar diagnosticar a identidade e uma marca com valor de Lages. Foi delineado um panorama do município e ações especiais serão propostas para alcançar tal objetivo, elevando os talentos de Lages em quesitos como turismo e lazer. Nove empresas, entre locais, nacionais e multinacionais, são as investidoras da ideia, cujo projeto deverá ser entregue em setembro de 2019. Estão engajadas mais de 200 pessoas de esferas multidisciplinares nos seis eixos de desenvolvimento econômico: Cadeia da madeira, Inova Serra SC (eixo de Tecnologia da Informação - T.I.), turismo e comércio, eletrometalmecânico, agroalimentar e saúde. A executora da proposta é a empresa Glóbulo.

Preocupação com terrenos utilizados para a real finalidade

A Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico e Turismo atua na busca de terrenos para doação a empresas para instalação e ampliação. A reversão de áreas doadas em anos anteriores, atualmente inertes, é uma das formas de trabalho para colaborar com o desenvolvimento de quem realmente pretende construir um empreendimento de acordo com a Lei Municipal 3.626, dispondo sobre incentivos econômicos e fiscais para empresas que se estabeleçam, ampliem a capacidade produtiva, ou desenvolvam projetos de tecnologia e inovação. Tudo baseado na lei.

Banco do Emprego de mãos dadas com a empregabilidade da mão de obra 

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), geralmente o ramo que encabeça a maioria das vagas preenchidas e Lages é o da construção civil, seguida pela indústria de transformação. Lages tem apresentado saldo positivo nos últimos meses. O Banco do Emprego, também um dos serviços prestados pela prefeitura, ajuda a encorpar as estatísticas com os serviços de cadastramento de currículos, pré-seleção e encaminhamento para processos seletivos. Entre 2017 e junho de 2019 o Banco do Emprego viabilizou 2.071 contratações. Em junho de 2019, Lages teve saldo de 71 empregos entre admissões e desligados, um saldo de 1.084 no ano.

Atenção ao empreendedor e capacitação para o trabalhador

Tornar o mercado mais competitivo com trabalhadores mais ousados e profissionalizados. O Programa Qualifica Melhor Lages, iniciativa da prefeitura, oferece cursos gratuitos em diversas áreas de atuação, entre as quais a indústria metalmecânica. O Programa se mostra relevante. Em 2017 foram capacitadas 378 pessoas, e em 2018 foram formados 1.148 alunos em 30 cursos pelo Qualifica, ministrados por empresários e autônomos voluntários. Em 2019 já foram formados e/ou aperfeiçoados mais de 580 profissionais, aptos a terem registro em carteira ou abrir o próprio negócio como MEI. A previsão para 2019 é a certificação de aproximadamente 1.800 pessoas.

Este Programa mantém núcleos em bairros, mais perto das pessoas, e em uma medida inédita introduziu qualificação profissional dentro dos dois presídios de Lages, incluindo o público feminino, através do inédito Programa Qualifica Mulher.