Dor de cabeça também é provocada pelos empréstimos milagrosos com exigência de depósito prévio para verificação de crédito.

Por DANIELE MENDES DE MELO da ASCOM PML,
Lages/SC

📷 Nathalia Lima / ASCOM PML
Têm sido recorrentes e praticamente diárias as reclamações formalizadas no Programa de Defesa do Consumidor (Procon) de Lages nas duas semanas mais recentes, referentes à informação de ausência de pagamento em boletos. Consumidores geram um boleto pela Internet e, acreditando estar efetuando o pagamento de uma determinada dívida, como uma parcela de financiamento de veículo, quitam o boleto e após começam a receber ligações da empresa de assessoria de cobrança com relato de boleto cujo pagamento está em aberto. Ao verificar a informação de pendência no site da instituição financeira, realmente não consta o pagamento. Ou seja, o consumidor está pagando boletos falsificados ou até clonados.

Em um dos casos recentes averiguados pelo Procon, o cidadão pagava prestações do carro através de um carnê de um certo banco. Sem o carnê em mãos momentaneamente, resolveu acessar o site de uma instituição financeira e recebeu um boleto com características semelhantes ao valor anteriormente pago e assim o fez, imaginando estar quitando corretamente mais uma parcela do financiamento. “Como começou a receber telefonemas de que o pagamento não havia sido realizado, o cidadão nos trouxe o comprovante de pagamento feito em uma casa lotérica. E para sua surpresa, como beneficiário estava um nome fantasia de pessoa jurídica diferente daquela responsável pela emissão do boleto”, alerta o executivo do Procon, Júlio Borba.

Em um segundo caso, o consumidor retirou um boleto via Internet, pelo site de uma conhecida instituição, porém, o código de barras não correspondia a esta empresa, e acabou efetivando o pagamento direcionado a outra instituição. A suspeita é de que o e-mail destas pessoas possivelmente esteja sendo invadido por algum hacker que obtém as informações do contrato de financiamento e faz a alteração do número correspondente ao código de barras, direcionando o pagamento para outra conta de pessoa jurídica e até pessoa física.

O Procon tem detectado este problema frequentemente e recomenda ao consumidor, ao efetuar o pagamento de boleto originado pela Internet, se certifique de que acessou realmente o site da operadora financeira ou banco com o qual está em débito, confira a presença do cadeado de segurança na linha de digitação no campo de dados da empresa, e se assegure de não abrir e-mails enviados por bancos sem sua autorização ou solicitação, pois normalmente neste local virtual está o linkpelo qual serão acessados os seus dados, desta forma, fraudados os boletos.

Os empréstimos tentadores

Comum e realizada pela Internet, sobretudo pelas redes sociais (FacebookWhatsApp e Instagram), a armadilha das propostas para adquirir bens ou quitar dívidas a preços acessíveis e a baixos percentuais de reajustes no capital, consiste na possibilidade de contratar empréstimos a juros menores do que os mais comuns no mercado, a taxas bem convidativas. O consumidor desavisado acessa o site exposto nestas redes sociais e logo recebe a informação de um número de WhatsApp, canal pelo qual é desdobrada a transação.

Por intermédio das conversações, o cliente manifesta o valor pretendido para contratar e os fraudadores informam o valor das parcelas e o número de divisões para pagamentos, e o consumidor acaba efetivando o serviço. Em seguida atende a ligações e responde mensagens para depósito de determinada quantia para pagar custas de cartório e de verificação e baixa de registro de SPC e Serasa, entre outras despesas.

Há um caso em Lages de que a vítima desembolsou R$ 250 e, desconfiada, procurou o Procon e informou o órgão sobre a cobrança de mais R$ 650 pela empresa criminosa, para prosseguir com a intermediação de crédito. “Orientamos o cidadão de que não pagasse esses R$ 650 porque se tratava de um golpe. Nunca é demais alertar o consumidor que, sempre ao contratar algum empréstimo, nenhuma instituição bancária existente no país, atuante sob as normas legais, irá solicitar ou exigir pagamento antecipado de qualquer valor. Quando isto ocorrer, estranhe e questione porque é fraude, e procure sempre fazer seu empréstimo em instituições financeiras que possuam lojas físicas, facilitando o acompanhamento do empréstimo e até a possibilidade de, em eventual problema, entrar com queixa junto ao Procon”, resume Júlio Borba.

O Procon está situado na rua Martinho Nerbass, nº 29, Centro, próximo ao Terminal Urbano. Recebe os cidadãos de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h, para atendimento com senha. Contato: 3222-3921. O cliente lesado deve apresentar documentos pessoais e comprobatórios do problema que está lhe causando transtornos e /ou prejuízos.