A Câmara Municipal realizou na noite da última quarta-feira (26), uma audiência pública para tratar das obras do Complexo.

Por CÂMARA DE LAGES,
em Lages/SC 

📷 Aline Borba / Câmara de Lages

A Câmara Municipal realizou na noite de quarta-feira, 26, uma audiência pública para debater sobre a situação das obras do Complexo Ponte Grande. O projeto, com a finalidade principal de ampliar a rede coletora de esgotamento sanitário em Lages, foi iniciado em 30 de outubro de 2011 e até o momento não teve seus serviços concluídos.

Essa situação tem causado muitos transtornos às áreas atingidas, pois tem dificultado a trafegabilidade e mobilidade urbana dos moradores. Por isso, a reunião buscou reunir autoridades responsáveis pelo andamento das obras buscando esclarecimentos e propondo soluções para o problema. A proposição atendeu ao requerimento 113/2019, de autoria conjunta dos vereadores Lucas Neves (Progressistas), Mauricio Batalha Machado (Cidadania) e Luiz Marin (Progressistas).

Os trabalhos do Complexo Ponte Grande contemplam o alargamento e desassoreamento do rio, construção e urbanização da avenida que interligará 13 bairros: Guarujá, Bates, Dom Daniel e São Sebastião, passando pelos bairros Gethal, Ponte Grande, Santa Maria, Coral, Caravágio, Ferrovia e Popular, e ainda, mais ao sul, pelos bairros Várzea, Habitação e Caça e Tiro até a união com a Avenida Belizário da Silva Ramos e a partir desta ao Centro, além da rede coletora de esgoto em todos esses bairros.

Demandas da comunidade


O principal problema apresentado pela comunidade é em relação a trafegabilidade no Ponte Grande. Os inscritos à fala reclamaram da grande quantidade de lama nos dias chuvosos, situação que dificulta a saída das residências, bem como da poeira excessiva quando sol. Também cobraram mais agilidade nos serviços e questionaram sobre as indenizações e desapropriações às áreas atingidas. Confira algumas manifestações:

Letícia Cardini:
Sou moradora da rua Saldanha do Amaral e a situação lá está precária. Tem muito barro quando chove e preciso passar com carrinho de bebê por ali, tem cadeirante que também utiliza a via. É vergonhoso, nunca chegou cascalho e nem máquina pra melhorar a rua.

Ivone Rodrigues da Silva:
Precisa ter mais agilidade nas obras. As pessoas estão aflitas aguardando por isso.  É preciso cobrar da empresa executora os resultados.

Eurico Zambiaazi
Sou morador do bairro Ferrovia há 20 anos. Em razão das obras, caminhões de tora estão passando pelo bairro e as casas estão tremendo. Por isso, sugiro que seja aberto um novo acesso aos caminhoneiros.

Isabel Cristina
Quero registrar meu descontentamento e indignação com toda essa situação. Abriram o esgoto na rua Joel Linhares da Costa, que danificou as casas. Nunca fomos visitados e avisados sobre a obra.

Adair Flores
Sou morador da região há 45 anos. Peço que seja cobrado da empresa mais qualidade nos serviços. Esse dinheiro é de todos, pois é verba pública.

Tadeu Hoffman
Pelo que se apresentou até agora esse é um projeto vergonhoso. Espero que a gestão possa corrigir os detalhes dessa obra. Sou engenheiro químico aposentado coloco-me à disposição para colaborar com o projeto e ajudar minha cidade.

Hildo Barbosa Kuster
Precisamos acreditar no trabalho dessa administração, desta gestão para que o Ponte Grande seja concluída.

Juvenil dos Santos
Sou morador do bairro Santa Maria há 38 anos. Não querem nos indenizar, prometeram que dariam uma casa do mesmo porte que a minha e não foi o que aconteceu.

Parecer das autoridades

O secretário municipal de Administração e Fazenda, Antônio César Arruda, ressaltou que o Complexo Ponte Grande é uma obra orçada em R$ 57 milhões, recursos provenientes do Governo Federal. A contrapartida da prefeitura serve para desapropriações e aditivos contratuais, reajustes estes honrados pelo Município. Além disso, explicou que para avançar os serviços é necessário que todas as etapas da obra sejam cumpridas.

“Até dezembro deste ano o esgoto, que é o projeto sanitário, deverá chegar até a BR 282. Enquanto essa etapa não avançar a Caixa Econômica não libera o recurso para fazer as calçadas, o asfalto e a ciclovia. Portanto, essas melhorias que as pessoas estão pedindo só vão acontecer quando o esgoto chegar até a 282. [...] Sobre as indenizações tem um rol de pessoas que já foram indenizadas, receberam e saíram das residências. Tem outro grupo que deverá ser indenizado entre julho e agosto”, disse.

Uma apresentação detalhada do saneamento integrado do Ponte Grande também foi exibida pelo engenheiro da Secretaria de Planejamento e Obras, Caetano Palma Neto. Os slides demonstraram que 33,12% da obra de saneamento está pronta, ou seja, de um total de 11.300 metros de extensão de rede de esgoto, 3.500 metros já foram implantados ao longo da avenida Ponte Grande.

Outros dados informam que o número de imóveis atingidos somam 298, sendo 72 particulares com construção; 77 lotes; e 147 a realocar. Sobre os recursos, o repasse federal é o montante de R$ 57.171.070,29, valores cotados em dezembro de 2011, sendo que o valor liberado até o momento foi de R$ 20.657.425,88.  “Com a conclusão dessa obra Lages terá 70% do esgoto coletado e tratado. Também contará com uma nova avenida que interligará 13 bairros da cidade, melhorando a mobilidade urbana”, frisou.

Também participaram da audiência o secretário de Planejamento e Obras, João Alberto Duarte; e os vereadores: Amarildo Farias (PT), que presidiu a sessão; David Moro (MDB); Jair Junior (PSD); Osni Freitas (PDT) e Pedro Figueredo (PSD).