Jogando em casa, Tricolor pressiona e cria as melhores chances, mas para em Cássio e na defesa do Timão. Jogo de volta acontece no próximo domingo (21), em Itaquera na Arena Corinthians.

Por FRANCISCO DE LAURENTIIS e RAFAEL VALENTE
da ESPN,
em São Paulo/SP

📷 Gazeta Press 
Diante do maior público do Campeonato PaulistaSão Paulo e Corinthians decepcionaram e apenas empataram sem gols, no estádio do Morumbi, na tarde deste domingo, no primeiro jogo da decisão da competição. Assim, a briga pela taça está em aberta para o próximo domingo, quando eles voltam a se enfrentar, em Itaquera.

A decepção maior nesta tarde foi para o lado tricolor, que teve um incentivo grande das arquibancadas. Mais de 58 mil pessoas ignoraram o aumento no preço dos ingressos e foram ao estádio. A demonstração de apoio já foi dada do lado de fora, quando o ônibus são-paulino foi recebido com uma bela festa.

Também houve pressão da torcida contra o adversário. Ela se limitou ao estádio. Do lado de fora, o esquema de segurança armado pela polícia militar funcionou e ônibus corintiano chegou ao Morumbi sem qualquer torcedor tricolor por perto para agir de maneira hostil ou arremessar objetos.

Mesmo assim os corintianos não mostraram-se intimidados. Tiveram uma atuação segura, com muita marcação na defesa e no meio de campo, mas poucos chutes ao gol. A média da posse de bola foi inferior a 40%. Não exigiu nenhuma grande defesa de Tiago Volpi. Mas saiu satisfeito.

Diferente dos tricolores, que tiveram poucas, mas boas chances de alterar o marcador. Foram duas finalizações perigosas na etapa inicial e mais duas na final. Cássio até apareceu menos do que na semifinal contra o Santos, mas quando precisou deu conta do recado e foi um paredão.

Com o placar sem gols, a taça do Paulistão será entregue para o vencedor do confronto no próximo domingo. Novo empate fará com que a definição seja nos pênaltis. O clássico começa às 16h (de Brasília). Os corintianos buscam o 30º título, enquanto os são-paulinos tentam o 22º.

Times com mudanças

O São Paulo perdeu Lizeiro, que sentiu dores musculares no treinamento do sábado, e começou a partida com Gonzalo Carneiro no lugar do meio-campista. Foi a única mudança que o técnico Cuca fez em relação aos 11 que iniciaram o último jogo, contra o Palmeiras.

O Corinthians teve mais mudanças em relação à equipe usada contra o Santos. Carlos Augusto substituiu Danilo Avelar, machucado. Jadson ficou com a vaga de Sornoza. E Ramiro substituiu Pedrinho, que deixou a última partida com dores musculares.

Mas Carille teve dores de cabeça cedo. Teve de tirar Júnior Urso, com lesão na coxa direita, aos 27 do primeiro tempo. Colocou Richard.

📷 Gazeta Press

Nervosismo

Diferentemente da semifinal do Paulistão, Corinthians e São Paulo não ignoraram seus setores ofensivos neste domingo. Ambos buscaram ter a posse no campo de ataque, criando jogadas ofensivas, mas quem levou a melhor foram os sistemas defensivos.

Tanto que o primeiro chute com perigo foi aos 16 do primeiro tempo. Everton bateu de fora da área e Cássio espalmou. Depois, somente aos 47, houve outro lance. Foi em uma cabeçada de Arboleda, após escanteio, que Cássio defendeu em cima da linha.

O que mais se viu ao longo dos 45 iniciais foram dois times nervosos --a sequência de passes trocadas foi muito baixa--, sem variações de jogada e com muitos jogadores apagados. Casos de Igor Gomes, Everton Felipe, Antony, Jadson, Gustagol, Ramiro...

VAR

Aos 40, o VAR, sigla para árbitro de vídeo, foi acionado para verificar um lance em que a bola tocou na mão de Ralf dentro da área após chute de Everton Felipe. Foram pouco mais de três minutos de espera, mas a arbitragem entendeu que não houve penalidade.

Uma curiosidade é que pouco depois o lance foi reprisado nas televisões em alguns setores do estádio. Os torcedores do São Paulo que estavam nesses espaços ficaram revoltados. Além cobrarem a penalidade, xingaram os membros da arbitragem no Morumbi.

Mais mudanças

Cuca não gostou do São Paulo no primeiro tempo e trocou para a etapa final. Tirou Carneiro e colocou Hernanes, fazendo a festa da torcida. O Profeta não jogava desde o jogo contra o Palmeiras, em 17 de março, período que ficou tratando uma lesão muscular.

O primeiro lance de real perigo para Cássio foi dele, em um chute aos 12. Ele recebeu a bola livre na intermediária e bateu para o gol. O goleiro espalmou.

A melhora não chegou a proporcionar outras finalizações, e Cuca mexeu de novo. Colocou Nenê no lugar de Everton, aos 20. Duas novas chances apareceram. Nenhuma delas terminou em gol para os são-paulinos.

Primeiro, aos 27, Antony cruzou da direita e Nenê quase alcançou a bola. No minuto seguinte, novo cruzamento do garoto, mas Everton Felipe mandou por cima do gol.

A equipe de Carille manteve-se disciplinada e rígida na marcação. Ou seja, a mudança tricolor não complicou tanto a vida corintiana. Aliás, o adversário alvinegro sofria com outro problema. Faltava um escape para o time atacar.

Foi nesse contextou que entrou Mateus Vital na vaga de Jadson. Só que o panorama do jogo mudou pouco para os corintianos.

Aos 37 e aos 39, duas novas chances são-paulinas. Na primeira, Hernanes chutou de fora por cima do gol (a bola passou perto da trave). Na segunda, Luan arriscou a finalização, a bola desviou e enganou Cássio, mas não o suficiente para acabar no fundo do gol.

VAR no fim

Aos 48, o árbitro consultou o VAR para analisar se houve alguma penalidade em lance de escanteio do Corinthians. A torcida são-paulina se irritou e começou a gritar "vergonha, vergonha". Foram quatro minutos de espera. E nada foi marcado.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 0 x 0 CORINTHIANS

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo-SP
Data: 14 de abril de 2019, domingo
Horário: 16h (de Brasília)
Público: 58.713 presentes
Renda: R$ 6.350.830,00
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira
Assistentes: Marcelo Van Gasse e Emerson Augusto de Carvalho
Cartões amarelos: Igor Gomes (SPO); Ramiro (COR)
SÃO PAULO: Tiago Volpi; Hudson, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Luan, Igor Gomes (Helinho) e Everton (Nenê); Antony, Everton Felipe e Carneiro (Hernanes). Técnico: Cuca

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Carlos Augusto; Ralf, Júnior Urso (Richard) e Jadson (Mateus Vital); Ramiro (Vagner Love), Clayson e Gustagol. Técnico: Fábio Carille