Temporal provoca alagamentos em Lages

Rios Carahá, Passo Fundo e Ponte Grande subiram de nível, mas nenhum chegou a transbordar. No bairro Guarujá, moradores alegam que construção de loteamento provocou alagamentos onde antes não ocorria.

em Lages/SC

📷 Rua José Dalagnol, no bairro Guarujá, completamente tomada pelas águas. (Foto: Maurício Santos / Lages Diário)

O temporal que atingiu Lages na tarde deste sábado (15) provocou alagamentos em diversos pontos da cidade. A chuva que começou por volta das 16h40 veio acompanhada de rajadas de ventos que atingiram cerca de 77km/h derrubando galhos, árvores, placas e algumas casas chegaram a ficar destelhadas. Segundo a Defesa Civil, a precipitação foi de 38mm, quase um terço da média esperada para todo o mês de dezembro.

📷 Motoristas se arriscam em passar por parte alagada
da rua Ponte Grande, no bairro Guarujá. (Foto: Maurício
Santos / Lages Diário)
No bairro Sagrado Coração de Jesus, algumas ruas ficaram alagadas casos da rua Cel. Zeca Atanásio e Casemiro de Abreu onde algumas casas foram invadidas pelas águas. Porém, a situação mais grave foi no bairro Guarujá, onde a rua José Dalagnol se transformou em um rio e alagou praticamente todas as casas. A rua Ponte Grande também ficou alagada e poucos motoristas se arriscavam em atravessar a via que é uma das principais de acesso ao bairro Guarujá, na zona Norte de Lages.

Moradores reclamam de construção de loteamento

📷 Água invadiu residência de dona de casa Vera Pereira, no bairro Guarujá. Segundo ela, nesta semana essa é a terceira vez que a casa é invadida pelas águas, coisa que nunca havia ocorrido antes. (Foto: Maurício Santos / Lages Diário)
A situação que chamou a atenção foi na rua Emília Brum, no bairro Guarujá, onde os moradores ao avistar o carro de reportagem do Lages Diário, pediram para mostrar a situação das casas alagadas que começou a ocorrer, segundo os moradores após o início da construção de um loteamento às margens da avenida das Torres, situação esta que não ocorria antes do início das obras de aterro.

📷 Carro que estava na garagem também ficou debaixo
d'água. (Foto: Maurício Santos / Lages Diário)
Na rua Emília Brum, a água invadiu a residência de Vera Pereira, moradora há mais de 25 anos, e que relatou que nunca a água havia invadido a residência, mas que isso ocorreu só nesta semana ao menos três vezes. Até o carro que estava na garagem ficou debaixo d’água.

A mesma situação foi registrada pela moradora Grazieli Jeremias que foi quem abordou nossa reportagem. Segundo ela, na primeira vez que a água invadiu, ela procurou os responsáveis pelo loteamento vizinho ao bairro e foi informada que ela deveria procurar a Secretaria Municipal de Águas e Saneamento (Semasa), mas ao procurar a secretaria foi informada que isso era provocado por problemas no loteamento e desde então fica esse jogo de empurra empurra.

📷 Na casa de Grazieli Jeremias, a água já havia abaixado, mas deixou um rastro de sujeira. Segundo ela, em 15 anos que mora no local, nunca havia sido atingida por alagamento, mas tudo começou quando iniciaram as obras do loteamento. (Foto: Maurício Santos / Lages Diário)
Os moradores da rua José Dalagnol relatada no início da matéria, também informaram que a situação começou a piorar depois das obras de aterro do loteamento.

O que o loteamento disse?

Nesta segunda-feira, os responsáveis pelo empreendimento, o diretor Haroldo Fernandes e o gerente comercial Orlando Dalri, vieram de Tubarão e Florianópolis, respectivamente e nos procuraram para esclarecer a situação. Afirmaram que estão a disposição para resolver os problemas que o loteamento tenha provocado, mas também esclareceram que há outros fatores que contribuíram para o alagamento dessas casas, como o alto volume de chuva em um curto período de tempo e também por algumas das casas estarem abaixo do nível da rua que foi asfaltada pela prefeitura recentemente. Confira a reportagem com os responsáveis pelo loteamento Cristo Rei na íntegra clicando aqui.

📷 Neste sábado, não havia ninguém no canteiro de obras do loteamento Cristo Rei, que segundo os moradores do bairro Guarujá atingidos pelos alagamentos, seria o responsável por provocar a situação. (Foto: Maurício Santos / Lages Diário)

Casas destelhadas e árvores caídas

📷 Defesa Civil / Divulgação
Segundo a Defesa Civil de Lages, mais de 40 ocorrências foram registradas pelo plantão do órgão, a maioria dos registros se dava por conta de destelhamentos de casas e estabelecimentos comerciais, principalmente nos bairros Frei Rogério e São Paulo. Os bairros Vila Mariza, Penha (Loteamento Nadir) e Vila Nova também tiveram registro de ocorrência por causa dos ventos. Ao todo foram distribuídas até o momento cinco lonas para famílias de casas destelhadas nos bairros Frei Rogério e Passo Fundo, informou Mayara Rafaeli Lemos, gerente da Defesa Civil de Lages.

O Corpo de Bombeiros registrou ao menos dois chamados de queda de árvores em Lages durante a chuva. A primeira foi por volta das 16h45 na BR-282 onde uma árvore caiu interferindo no trânsito da via. Cerca de 30 minutos depois, outro chamado, no bairro São Francisco, onde uma árvore atingiu uma residência, em todos os casos ninguém ficou ferido e apenas danos materiais foram registrados.

Cancelamento da programação do Natal Felicidade no Largo da Catedral

A chuva forte provocou o cancelamento da apresentação do espetáculo “Um Sonho de Natal” no largo da Catedral devido “a dificuldade de deslocamento dos artistas e tempo hábil para recuperação do palco e do sistema de som”, esclareceu em nota a Prefeitura de Lages. A programação com a Maria Fumaça, na Estação Ferroviária no bairro Ferrovia, na zona Leste, assim como a apresentação da Orquestra Sinfônica de Lages foram mantidos.




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