Lages pode receber usina que transforma lixo em energia elétrica


Em testes na cidade de Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, projeto pioneiro no Brasil foi apresentado ao prefeito Antonio Ceron, que estudará a viabilidade legal e financeira para implantação do sistema.

Por ASCOM PML,
em Lages/SC

📷 Pablo Gomes / ASCOM PML

Lages pode se tornar em breve um dos primeiros lugares do Brasil a resolver problemas energéticos e ambientais ao mesmo com uma única solução. A ideia será amadurecida e a viabilidade legal e financeira estudada ao longo das próximas semanas. Mas é grande a chance de a cidade contar com uma usina que transforma lixo doméstico e industrial em energia elétrica, o que resultaria em benefícios à natureza e aos cofres públicos.

Pioneiro no país, o projeto, de autoria da Serrana Engenharia, empresa responsável pela coleta e destinação do lixo em Lages, foi apresentado ao prefeito Antonio Ceron. O chefe do Executivo lageano esteve pessoalmente na última terça-feira, dia 27, em Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, onde o empreendimento é testado no aterro sanitário também de responsabilidade da Serrana e que acolhe o lixo de 22 municípios daquela região.

A usina recebe os resíduos que chegam pelos caminhões. O material reciclável que pode ser comercializado, como garrafas plásticas e latas de alumínio, é separado. Outros produtos metais e minerais, como a terra, também são retirados, pois não gaseificam. Todo o restante passa por uma secagem, é triturado e entra no processo de gaseificação. O calor do procedimento gera gás rico em combustível que, por sua vez, é convertido em energia.

Em uma sala de comando que, assim como a máquina, funciona 24 horas por dia, sempre com o monitoramento de profissionais devidamente capacitados para o trabalho, são controlados por computador itens vitais como entrada de oxigênio, pressão e temperatura.

O proprietário da Serrana, engenheiro Odair José Mannrich, diz que a usina está em teste há um ano no aterro sanitário de Mafra e já conta com todas as licenças ambientais. Todo o processo foi previamente testado em laboratório, inclusive com a participação de uma universidade de Curitiba (PR), e passa por rigorosa fiscalização.

O investimento da empresa no projeto chegará a R$ 30 milhões, e agora a Serrana busca outros parceiros e uma linha de crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar a implantação de cinco usinas em Santa Catarina, nas cidades de Mafra, Lages, Jaraguá do Sul e duas em Tubarão.

“O nosso grande desafio é produzir energia pelo calor do lixo sem poluir o meio ambiente. E, com isso, todos ganham”, diz Odair Mannrich.

Projeto proporciona ganhos ambientais e econômicos à cidade

Como o aterro sanitário de Lages recebe quatro mil toneladas de lixo por mês, sendo 2,8 mil só de Lages e 1,2 mil de outros sete municípios, o proprietário da Serranacalcula que a usina, se instalada na cidade, poderia gerar 2,5 megawatts de potência.

De toda esta energia, 20% seria destinado ao consumo próprio da usina e os outros 80% disponibilizados à rede de energia elétrica. Este montante de 2 megawatts, segundo Odair, é o suficiente para abastecer até oito mil residências.

“O Brasil está crescendo e vai faltar energia elétrica. E esta é uma das formas mais baratas de geração”, destaca o engenheiro.

Outro benefício direto proporcionado pela usina seria a destinação final de praticamente todo o lixo, o que reduz os impactos e prolonga em vários anos a vida útil do aterro. Além disso, a pequena sobra, estimada em apenas 7% a 10%, poderia ser utilizada comercialmente para outros fins, como a produção de adubos.

E, por fim, o município, como local de origem da energia gerada, poderia arrecadar impostos com o serviço. Se a implantação da usina for viabilizada, o empresário da Serrana Engenharia acredita que o investimento se paga em um prazo de oito a dez anos.

“O projeto me surpreendeu positivamente. Os testes realizados até agora em Mafra apontam para a viabilidade técnica e econômica. E existe o nosso interesse em ter o sistema em Lages. A empresa vai concluir os testes e nós estudaremos a possibilidade legal e financeira da implantação em nossa cidade”, conclui o prefeito Antonio Ceron.



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