Prevenção ao câncer de intestino é tema de sessão na Câmara de Lages


A reunião aconteceu no último dia 27 de setembro no Plenário Nereu Ramos.

em Lages/SC

📷 Aline Coldebella / Câmara Lages

Um momento de valorização e amor à vida: assim pode ser definida em linhas-gerais a sessão especial que apresentou a campanha Setembro Verde em Lages, um movimento de prevenção contra o câncer de intestino (colorretal). A reunião aconteceu no dia 27 de setembro, no Plenário Nereu Ramos do Poder Legislativo Lageano, e contou com a presença de especialistas, profissionais, professores e estudantes dos cursos de Enfermagem e Medicina da cidade, além de pessoas da comunidade interessadas no tema.

Um dos proponentes da iniciativa, ao lado dos vereadores Aida Hoffer e Gerson Omar dos Santos, o legislador Jean Pierre Ezequiel (PSD) foi o condutor dos trabalhos: “Dizíamos outro dia que quando se perde a esperança, perde-se a vontade de viver, e o que nós vimos hoje foi justamente isso: uma esperança renovada. Meus parabéns pelo trabalho de todos os profissionais da saúde, obrigado pela presença de vocês e contem com o Legislativo para informar à população sobre ações como que as que tivemos aqui hoje”, destacou Jean Pierre.

Autoconhecimento, consultas e exames: os pilares da prevenção
              
A sessão especial da Câmara de Lages foi um momento de reflexão sobre o câncer de cólon. Médico cirurgião-geral e coloproctologista, Eduardo Palma apresentou uma série de slides a respeito da campanha da Sociedade Catarinense de Coloproctologia e da doença em especifico: o 2º tipo de câncer mais comum entre as mulheres (com quase 19 mil novos casos anualmente) e o 3º entre os homens (com o prognóstico de mais de 17 mil casos só em 2018).
De acordo com Palma, são três pilares para prevenção do câncer de intestino: conhecer-se bem, fazer consultas médicas e exames complementares. A dica do médico é que o indivíduo tenha conhecimento do seu histórico familiar de doenças e evite fatores de risco como o consumo em excesso de carnes vermelhas e industrializadas, gorduras, álcool e a baixa ingestão de cálcio e fibras integrais. Neste contexto também se somam o tabagismo, estresse, sedentarismo, excesso de gordura corporal, constipação e a presença de doenças inflamatórias intestinais.

Entre os sinais e sintomas suspeitos ocorrem dores abdominais, perda ponderal involuntária, anemia inexplicada, alteração do hábito intestinal (cor, odor e calibre das fezes), sangramento na evacuação, cólicas, massa abdominal palpável, astenia e inapetência. Marcelo Palma se emocionou ao relatar o caso de seu próprio pai, que foi diagnosticado com tumor retal, mas de maneira precoce, passou pelo tratamento e se encontrava presente à sessão, saudável.

A doença do ponto de vista de quem a viveu: histórias de superação

Duas pessoas que foram acometidas pela doença e que conseguiram superar esta hora de maior dificuldade contaram suas histórias de enfrentamento à enfermidade. O primeiro deles foi o empresário do setor de tecnologia da informação, Alessander Comandolli. Desde cedo, ele buscou desafios profissionais sem se importar com a própria saúde: trabalhava de 15 a 20 horas diárias, com viagens constantes a outros países. Ao sentir dores na barriga, automedicou-se como é do feitio da maioria dos brasileiros. Após a dor se tornar insuportável, procurou atendimento médico.

Foram três opiniões com análises iniciais de estresse e da “síndrome do viajante”, mas mesmo com uma redução da jornada de trabalho, o problema se agravou. O diagnóstico do doutor Palma foi um baque: câncer intestinal em estágio avançado. Não satisfeito, o empresário procurou uma nova opinião, a qual foi ainda mais severa: 53% de vida. Era o mês de outubro e talvez ele não sobrevivesse até o Natal. Como não houve prevenção, passou-se ao combate da doença: uma longa cirurgia para retirada de mais de um metro do intestino.

Ter sobrevivido a este longo processo de tratamento, dos quais muitas horas dentro de um hospital, fez o empresário repensar a vida mediante novos hábitos alimentares, a prática de exercícios regulares e de uma missão social: a criação do Instituto Dorvalino Comandolli (IDC). “Passei por esta doença com recursos e tempo hábil pra isso, mas quantas pessoas não têm essa chance? Sempre fui uma pessoa de bem, mas nunca havia feito caridade. Hoje dedico minha vida a este ato de ajudar as pessoas dando dignidade a elas”, destacou Alessander.
O Instituto Dorvalino Comandolli (IDC) fica situado na rua Porto União, 235, bairro Sagrado Coração de Jesus, atrás da Receita Federal. Conta com 17 voluntários que auxiliam mais de duas mil pessoas com alimentação, dentistas, médicos, terapeutas, além de oferecer cursos de informática, inglês, corte e costura, manicure e cabelereira às famílias em situação de vulnerabilidade social, com o objetivo da geração de renda e serviços de convivência e fortalecimento de vínculos. Para quem quiser ajudar, o telefone é o (49) 3224-4893 e o site: http://www.idcbrasil.com/

Outra pessoa que passou pela mesma situação é o ex-vereador e atual secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Lages, Mario Hoeller de Souza (Marião). “Estamos aqui representando todos também aqueles que não tiveram a sorte de ter uma UTI na hora, pessoas com capacidade, uma cidade com condições e a estrutura que temos. Fiquei por horas em uma UTI e quando sai só pude aplaudir o trabalho, o que tem de humanidade no trabalho daquelas pessoas, que não tem como mensurar”, agradeceu Marião à equipe médica que atuou para salvar a sua vida: “A saúde é feita por gente, uma profissão de gente grande, gente boa, gente que salva a gente”, definiu.
  


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