Carnaval: 1ª noite do Rio tem protestos,carro quebrado e duas escolas despontando ao título

Desfilaram na Sapucaí nesta primeira noite: Império Serrano, São Clemente, Vila Isabel, Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Mangueira e Mocidade.

Por LD,
Rio de Janeiro/RJ

📷 1ª noite de beleza, perrengue e protestos. (Fotos: Reuters e Estadão)

A primeira noite do carnaval do Rio de Janeiro trouxe duas fortes candidatas ao título (Vila Isabel e Mangueira), um carro quebrado que pode fazer com que a Grande Rio acabe rebaixada a Série A do carnaval, e críticas ao prefeito Marcelo Crivella e a escravidão do passado e dos dias atuais.

Império retorna à elite para falar sobre a China

📷 Império retorna à elite do carnaval carioca e fala sobre a China. (Foto: Reprodução / TV Globo)

A Império Serrano foi a primeira escola a desfilar na Sapucaí. Tradicional escola de samba da Serrinha, em Madureira, na zona Norte do Rio de Janeiro, retornou ao Grupo Especial após passar oito anos sem desfilar no pelotão da elite. O enredo da escola, batizado de “O Império do Samba na Rota da China”, narra as viagens de Marco Polo pelo país. Um dos momentos mais emocionantes foi uma homenagem ao cantor e compositor Arlindo Cruz que está internado há quase um ano vítima de AVC.

São Clemente fala da Escola de Belas Artes

📷 Raphaela Gomes, rainha de Bateria da São Clemente. (Foto: Wilton Júnior / Estadão)

A São Clemente trouxe para o sambódromo as origens e os 200 anos da Escola Nacional de Belas Artes. As alegorias e as fantasias foram inspiradas em um Rio de Janeiro do século 19.

Unidos de Vila Isabel apresenta um olhar futurista na Sapucaí

📷 Sabrina Sato à frente da bateria da Vila Isabel. (Foto: Pilar Olivares / Reuters)

Com o carnavalesco multicampeão do carnaval carioca – Paulo Barros – a Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, já adentrando a madrugada de segunda-feira (12), a escola de samba trouxe um enredo futurista, contando as histórias das invenções da humanidade até os dias atuais, além disso homenageou o cantor e compositor Martinho da Vila – que completa 80 anos nesta segunda.

Muito aplaudida pelo público, a escola desponta como sendo uma das favoritas ao título do carnaval carioca deste ano.

Paraíso do Tuiuti falou sobre a escravidão

📷 Paraíso do Tuiuti falou sobre a escravidão. (Foto: Pilar Olivares / Reuters)

📷 Presidente vampiro foi retratado pela
escola, que criticou a reforma trabalhista.
(Foto: Wilton Júnior / Estadão)
Com uma mensagem de que a escravidão infelizmente não acabou no Brasil, a Paraíso do Tuiuti foi a quarta escola a desfilar no carnaval deste ano.

A escola sob o comando do carnavalesco Jack Vasconcellos partiu dos navios negreiros do século 16 e chegou ao “cativeiro social” dos dias de hoje, marcado por desigualdades sociais e precarização do trabalho. As últimas alas e o último carro alegórico, bastante aplaudidos, faziam críticas à reforma trabalhista e sugeria o presidente Michel Temer (MDB) como vampiro.

Carro acaba com a alegria da Grande Rio

📷 A Grande Rio homenageou o "Velho Guerreiro", Chacrinha, mas carro quebra e coloca a escola com risco de rebaixamento. (Foto: Marcos Arcoverde / Estadão)

A quinta escola a desfilar na noite foi a Acadêmicos do Grande Rio, a escola de Duque de Caxias, na baixada fluminense trouxe à Sapucaí uma homenagem ao centenário do apresentador Chacrinha (celebrado em 2017), recorrendo a seu apelo popular mesmo passadas três décadas de sua morte. Mas o que era para ser alegria, se tornou em um grande sufoco, devido ao problema no sexto e último carro, que empacou na Avenida Presidente Vargas e não entrou no sambódromo, derrubando a escola. O desfile terminou com os integrantes em prantos. O tempo foi estourado em cinco minutos, o que trará penalidades à agremiação.

O problema teria sido ocasionado na roda maluca do veículo, equipamento que serve para dar direcionamento à alegoria. A alegoria em questão falava sobre o carnaval no Recife (PE), onde Abelardo Barbosa brincou o carnaval quando jovem. O problema paralisou a evolução da escola, sendo que um enorme buraco abriu-se e alas precisaram passar à frente para que o desfile pudesse ser encerrado. O carro foi rebocado ao fim da apresentação, o trabalho levou mais de uma hora.

Mangueira vem forte para brigar pelo título

📷 Mangueira trouxe para a Sapucaí críticas ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella. (Foto: Wilton Júnior / Estadão)

Uma das postulantes ao título deste ano é a Estação Primeira de Mangueira, a verde e rosa foi a penúltima escola a entrar no sambódromo e com um discurso combativo e muito belo, exaltou o carnaval carioca defendendo tanto as escolas de samba quanto os blocos de rua, a escola criticou o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), que apareceu em uma das alegorias na figura de um boneco enforcado, como um Judas, junto aos dizeres, extraídos do samba-enredo: “Prefeito, pecado é não brincar o carnaval”. Foi uma alusão ao apoio que o mundo do carnaval deu ao então candidato em sua campanha de 2016 e ao corte que ele, eleito, fez posteriormente nas verbas para os desfiles.

Com alegorias e fantasias de grande beleza plástica, a Mangueira trouxe o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” e sob o comando do carnavalesco Leandro Vieira. Algumas alas homenagearam os blocos tradicionais do Rio, como o Bola Preta, o Cacique de Ramos e o Bafo da onça, além de grupos do novo carnaval de rua do Rio, que trazem outros estilos musicais ao samba.

As críticas à Crivella se dão pelo fato de ele ser um bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e procura se manter afastado do carnaval para não desagradar sua base de apoio evangélica, que condena a festa. Essa semana, ele disse que valoriza o carnaval, mas ressaltou que a cidade tem outras prioridades.

Atual campeã fala sobre a Índia

📷 Já era dia quando a Mocidade - atual campeã - desfilava na Sapucaí. (Foto: Wilton Júnior / Estadão)

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a última escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. Atual campeã – após dividir o título de 2017 com a Portela – a escola discorreu sobre a Índia e destacou elementos típicos daquele país que chegaram ao Brasil e se tornaram famosas por aqui, como frutas e animais. O carnavalesco Alexandre Louzada é quem comandou a escola que desfilou bonito, mas menos luxuoso do que Vila Isabel e Mangueira, outras escolas que desfilaram na noite.

Segunda noite terá outras seis escolas

A Unidos da Tijuca abre a segunda noite trazendo o enredo “Um coração urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúde o povo e pede passagem”.

A atual campeã ao lado da Mocidade, a Portela trás para o sambódromo o enredo “De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá”.

A União da Ilha do Governador fala sobre o “Brasil bom de boca”. Já adentrando a madrugada de terça-feira, a Acadêmicos do Salgueiro vem com o enredo “Senhoras do ventre do mundo”. A Imperatriz Leopoldinense fala sobre o “Uma noite real no Museu Nacional”.


Encerrando a noite, a Beija-Flor vem com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”. 

Nenhum comentário