Ex-promotor volta ao antigo fórum para relembrar histórias

O vídeo com o depoimento do promotor Mario Edgar Wolff pode ser acompanhado na íntegra na fanpage da Fundação Cultural de Lages.

Por ASCOM PML,
Lages/SC

📷 Fabricio Furtado / ASCOM PML

A decisão de reabrir o Museu Histórico Thiago de Castro (MTC) aos sábados, feriados e durante as férias já em 2017 tem rendido uma média de 30 visitas por dia (número levantado desde o dia 2 de janeiro deste ano). Durante a primeira semana de 2018, tanto o MTC quanto a Fundação Cultural de Lages (FCL) têm recebido inúmeros turistas de outras cidades, e, uma dessas foi do ex-promotor de justiça, Mario Edgar Wolff (83 anos).

Nascido em Joinville, tem pais lageanos, e em 1944 sua família retornou a Lages. Passou pela Escola Vidal Ramos, Colégio Diocesano e formou-se em direito em Curitiba em 1960. Nos anos 70 foi Promotor de Justiça no Fórum Nereu Ramos. Em 1977 ele foi para Blumenau, onde se aposentou. Agora, 40 anos depois, ele volta para reviver as memórias do antigo Fórum que hoje recebe o Museu Histórico Thiago de Castro e a Fundação Cultural de Lages.

Recebido por Paulinho Guazzelli, funcionário do MTC, e pela assessoria de comunicação da FCL, Mario visitou todas as dependências do prédio do antigo Fórum Nereu Ramos e a cada sala e espaço parava e baixava a cabeça para resgatar os cinco anos em que passou atuando como promotor da segunda vara criminal de Lages – Mario atuou entre os anos de 1972 e 1977 em Lages, depois foi para Blumenau onde se aposentou e mora atualmente.

Das lembranças, recorda com carinho de nomes importantes da justiça lageana, o diretor e juiz do Fórum, Vilson Vidal Antunes, o Juiz José Joaquim Lisboa, Juiz Hélio Veiga Magalhães, Dona Lia (ele não recorda o sobrenome) que era escrivã da segunda vara criminal, o escrivão do cartório da Vara Civil Luiz Carlos Silva (o famoso Tio Lisca) e oficiais de justiça Bráulio e Rogério, entre outros nomes. Ao passar pela sala onde fica o acervo documental do MTC, Wolff lembra que ali ficava a sala do Juiz de Paz, Francisco dos Santos Machado, mais conhecido por Machadinho. “Aqui o Machadinho organizava as filas de casais”, relembra.

Dos advogados ele fala de Cid Couto, Erasmo Furtado e Murad Mussi. Segundo o promotor, Cid Couto era explosivo e incisivo, Furtado era mais calmo e Murad o surpreendeu por sempre ter atuado na área civil, mas em um processo atuou como criminalista dando um verdadeiro “show” de defesa.

O Crime do Hotel do Coral

Ao ser perguntado sobre os casos mais importantes em que participou, Doutor Wolff conta sobre dois fatos. O primeiro foi o assassinato de um empresário do bairro Coral, dono de um hotel, por uma quadrilha do Rio Grande do Sul. Segundo Wolff, o empresário tentou reagir e foi baleado pelo chefe da quadrilha que foi preso pela polícia. “O bandido foi ferido e encaminhado para o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Em frente ao hospital, populares clamavam aos médicos que deixassem o atirador morrer,” recorda.

Depois de recuperado, o assassino foi levado para o julgamento no Fórum. “O que nunca esqueço é que durante o seu julgamento ele olhava fixamente para mim e para o juiz. Perguntei a ele do motivo daquela atitude e ele disse sem pestanejar: quando sair da cadeia, pretendo voltar a Lages!”, cita.

O Golpe da Certidão

Outro fato lembrando foi o golpe aplicado por um funcionário de um cartório de Lages. Segundo o ex-promotor, ele falsificou um atestado de óbito de um cidadão. “Ele fez amizade com um fazendeiro, e disse que em uma visita a esse local, presenciou o falecimento do pai desse amigo que caiu de um cavalo. Foi à delegacia relatou o ocorrido ao delegado.

Durante o inquérito, Wolff lembra que o questionado teria duas testemunhas. “Pedi ao delegado para que levasse as duas pessoas ao local do acidente em viaturas diferentes, no meio do caminho um deles disse não saber direito da história e que estava apenas atendendo a um pedido do funcionário do cartório. Nesse momento eu pensei em homicídio, mas ao investigar com mais afinco, descobri que a pessoa inventou duas certidões, uma de nascimento e uma de óbito do tal pai do amigo. Com esses documentos, pediu os valores referentes ao seguro de vida se passando por filho do falecido. Entrei em contato com os investigadores da seguradora que era de São Paulo e descobrimos que ele tinha duas identidades. Foi uma das confissões que consegui através do meu trabalho,” conta.

A Sala dos Passos Perdidos

Hoje, onde é o auditório Mario Augusto de Sousa, nas dependências da FCL, era o Salão do Júri do antigo Fórum. Mario Wolff circulou pela sala e relatou como era o procedimento. “Haviam os debates, duas horas para cada um, duas horas para acusação, duas horas para defesa. Se eu pedisse réplica, tinha mais uma hora de trabalho, o mesmo valia para a defesa. Então, como dizem os lageanos: nós varávamos as noites debatendo”. Essa sala aqui, nós, promotores e advogados chamávamos de “A Sala dos Passos Perdidos”, pois caminhávamos para lá e para cá durante horas e por muitos quilômetros, e por qual motivo o nome? Por conta de quem perdesse a causa, teria caminhado em vão,” diz.

 O vídeo com o depoimento do promotor Mario Edgar Wolff pode ser acompanhado na íntegra na fan page da Fundação Cultural de Lages.

O Museu Thiago de Castro está aberto para visitação de terça a sexta-feira das 8h30 às 12h, e das 14h às 17h e aos sábados das 9h às 13h. A Fundação Cultural também está atendendo normalmente, inclusive com exposição fotográfica “Revivendo o Passado - Uma Viagem no Tempo”, que mostra a Lages de 1907 até a década de 70.

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