Embora estocagem esteja dentro do controle, população deve economizar água

Lages gasta 50 milhões de litros de água por dia, ou seja, uma média de 1,5 bilhão d de litros de água ao mês. São 160 mil habitantes. Segundo a Aresc, Lages tem a melhor água do Estado.

Por ASCOM PML,
em Lages/SC


A informação correta é a seguinte: O consumo diário de água em Lages é em torno de 50 milhões de litros, o que resulta em uma média de 1,5 bilhão de litros ao mês.
Os 20 reservatórios existentes garantem 15 milhões de litros de capacidade de RESERVAÇÃO, o que significa que estão em constante enchimento devido ao processo de entrada e saída de água.


Agradecemos a compreensão e nos desculpamos pelo equívoco.

📷 Toninho Vieira / ASCOM PML

Os ventiladores e garrafas de água parecem não ser suficientes para aliviar o calor excessivo dos últimos dias em Lages. Todo ano é assim, mas o alerta sobre o desperdício é recorrente: regular o consumo de água dentro e fora de casa e nos estabelecimentos comerciais e industriais. O consumo aumenta em mais de 40% no verão. Os 160 mil habitantes de Lages gastam três milhões de metros cúbicos de água por dia, ou seja, três bilhões de litros. Na Estação de Tratamento de Água (ETA), bairro Popular, é produzida capacidade para abastecer o dobro - pouco mais de 300 mil habitantes. Se os 20 reservatórios do município estivessem com sua capacidade atingida ao mesmo tempo, se chegaria a 15 milhões de litros estocados.

Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc), Lages tem a melhor água do Estado. A Secretaria Municipal de Águas e Saneamento (Semasa) efetuou, de janeiro a outubro deste ano, 1.002 instalações e substituições de hidrômetros, além de realizar 4.719 reparos em cavaletes danificados.

Lages não tem problemas de água na etapa de captação, pois o lençol é suficiente. O consumo com desperdício sim é preocupante, por ser anormal neste período do ano. Nesta época é comum as famílias encherem suas piscinas para divertimento das crianças e para que se refresquem. A orientação da Semasa é para que as pessoas tentem utilizar menos volumes de água potável e mantenham a água purificada com pastilhas de cloro, bem como diminuam o número de lavações de automóveis e calçadas e tentem reduzir o tempo de banho. Uma campanha será lançada pelo Município e deverá servir como conscientização entre os meses de janeiro e fevereiro. “É compreensível que todos querem a casa limpa, mas o problema é a falta de chuva. Quanto menos gastar, menos vai faltar”, aconselha o secretário da Semasa, Jurandi Agustini.

Em caso de vazamento do lado de fora do lote, o cidadão deverá comunicar à Semasa por telefone: 3224-4855/115, este com funcionamento todos os dias da semana, 24 horas por dia, e plantões. Uma licitação está em andamento para que novos serviços de linhas sejam disponibilizados à população. Os casos de vazamento na parte interna do terreno devem ser resolvidos por profissional acionado pelo morador.

Investigações em ligações clandestinas

Diariamente, vistorias são feitas com a finalidade de detectar ligações clandestinas ou fraudes em hidrômetros. Se houver problemas, o morador é notificado e na reincidência há corte do fornecimento e aplicação de multa, com valor variável de acordo com a repetição da desobediência. Ligações em descumprimento às normas e vazamentos são responsáveis por uma perda de 32%, considerado um índice alto, lembrando que órgãos isentos e com taxa menor somam 52% (prefeitura, hospitais, escolas, asilos).

Calcula-se que Lages possui cerca de 1.500 ligações fora dos padrões. Regulares são em torno de 45 mil. De janeiro a outubro deste ano foram efetuados 12 mil cortes e destes, 10 mil religações. No mesmo período foram feitas 249 vistorias de ligações irregulares. Os motivos do corte são inadimplência com o pagamento de fatura, ligações clandestinas e moradia em terrenos institucionais, as populares “áreas verdes”.

Quatro novos reservatórios

Em alguns dias de semanas passadas houve faltas pontuais de água devido a problemas na captação, com entrada de ar, provocando atraso no seu desempenho. No Jardim das Camélias, Acesso Norte, houve falta de água por conta de uma nova ligação feita há cerca de um mês para uma empresa, com alto consumo, porém, a questão já foi resolvida e a comunidade está com água nas torneiras.

A Semasa requisitou uma área de 200 metros quadrados da sede do Clube de Jipeiros, no Acesso Norte, para que seja construído um novo reservatório com capacidade para cerca de 1,5 milhão de litros, para abastecer casas e empresas naquela região. Ao todo serão quatro novos reservatórios, no bairro Morro do Posto, junto ao já existente, outro na região do bairro São Francisco, um no Cidade Alta e Jardim das Camélias. O incremento será de oito milhões de litros aos 15 já existentes.

O edital de licitação para esta finalidade já está em andamento e a abertura das propostas será no dia 30 de janeiro de 2018. Os tanques serão fabricados com revestimento interno e externo de epóxi ou vitrificado, com base de concreto. Este material possibilita que a estrutura fique pronta mais rapidamente, em aproximadamente 120 dias. Serão investidos em torno de R$ 6 milhões de recursos próprios da Semasa.

Outra boa notícia é a previsão de ampliação da estrutura da ETA, aumentando a capacidade de produção e chegar a 1.200 litros por segundo. A dotação orçamentária da Semasa para quatro anos é de R$ 58 milhões. 

Três bombas na captação e os 20 reservatórios

Uma terceira bomba de água foi instalada recentemente na estação de captação, localizada no rio Caveiras, próximo à Ambev, a 4,5 quilômetros da ETA, no Popular, o que significa o acréscimo de 40 litros por segundo, dos 600 litros anteriores. Ao todo são três bombas no local. E de reservatórios são 20.  Os maiores são o R1, no Morro do Posto, ao lado da Epagri; R2 no Morro Grande, e R3, no bairro Penha. Cada um destes tem capacidade de 4.500 metros cúbicos para armazenamento de água. Atualmente estão ligados 31 motores e 18 desligados por não haver necessidade de sua ativação.

Ampliação da ETA

Em 2017, o investimento focou as redes novas. No planejamento, a Estação de Tratamento de Água (ETA), situada na sede da Semasa, bairro Popular, deverá ser ampliada, com aplicação de R$ 2 milhões. Está na fase de projetos. No hall de melhorias, no dia 15 de janeiro será feita a troca da tubulação antiga da rede de água esgoto na rua Governador Jorge Lacerda, Centro, que receberá asfalto.

Nova captação

A ideia é implantar uma segunda captação próximo à já existente, porém, a 12 quilômetros da ETA. Esta seria com transporte de água por gravidade e não por bombeamento elétrico, o que gera atualmente uma despesa mensal de quase R$ 1 milhão em energia elétrica.

Passo a passo da água limpa

Processos químicos e mecânicos são os responsáveis pela qualidade da água que chega para quem vive em Lages. O engenheiro químico, Altherre Branco, explica as etapas pelas quais a água passa desde a captação no rio Caveiras, onde estão três bombas com 350 cavalos de potência cada uma, e uma tubulação de 800 milímetros de ferro fundido ao longo de 4,5 quilômetros até a ETA. Na Estação é feita a introdução do produto químico policloreto de alumínio na água, fazendo a floculação (aderência de sujeira, lodo e areia).

A mistura ocasiona a interligação da sujeira, formando flocos. Após, a água segue para decantadores, quando o lodo ficará aderido no fundo. Então a água passa pela filtração com areia, pedras e carvão ativado, retendo-se a sujeira restante. Para estar apta ao consumo, a água passa por novas inoculações com produtos exigidos por portaria e para isenção total de microorganismos, com cloro. Depois há injeção de gel cálcio, para regulação de ph (em torno de 7), além do flúor (eliminador de cáries) por questões de legislação. Na sequência segue para os reservatórios e para as moradias.

As análises são feitas a cada uma hora e meia. O tratamento é de excelência, ao passo da existência de um manancial altamente sadio, por ser a Serra uma região ainda pouco habitada.