As testemunhas de uma relíquia enterrada há 83 anos em Lages

Filho de operário e escritora se emocionam com algo que sabiam da existência, mas não imaginavam encontrar.
Pote de vidro com possíveis registros históricos de Lages passa por processo técnico de recuperação.

Por ASCOM PML,
em Lages/SC

📷 Pablo Gomes / ASCOM PML

Lages é uma das cidades mais antigas de Santa Catarina, com 251 anos. E com tanta história para contar, não seria insensato pensar que o passado nada mais tinha a revelar. Puro engano. Pois quando menos se esperava, o presente tratou de apresentar uma grata surpresa.

A descoberta de um ponte de vidro com documentos e moedas sob os escombros do antigo Colégio Aristiliano Ramos, no Centro da cidade, na tarde da última quarta-feira, dia 20, chamou a atenção do Estado, aguçou a curiosidade de muitas pessoas e emocionou tantas outras.

📷 Pablo Gomes / ASCOM PML

Entre elas, duas testemunhas desse novo capítulo que passa a ser escrito na história de Lages. O aposentado Hercílio Oliveira da Silva Filho, de 68 anos, cresceu ouvindo o pai, de mesmo nome, falando sobre a construção do prédio, na qual trabalhou como pedreiro.

Porém, o tal pote enterrado no dia do início das obras, em 3 de outubro de 1934, nunca havia sido mencionado até semana passada, quando o senhor de 98 anos, ao tomar conhecimento da demolição, comentou em casa sobre uma lista com os nomes dos operários deixada com a pedra fundamental.

O filho então procurou os responsáveis pela demolição, informou o local exato apontado pelo pai e teve o privilégio de acompanhar de perto a descoberta de um “segredo” de 83 anos.

“Foi muito emocionante, pois meu pai participou daquele momento quando tinha 15 anos, e agora, com 98, tem a oportunidade de ver ainda em vida aquilo que ele ajudou a fazer tanto tempo atrás. E se o nome dele realmente estiver dentro do pote, será um grande presente”.

Pesquisa histórica é concretizada com a descoberta sugerida em livro

📷 Pablo Gomes / ASCOM PML

Outra pessoa particularmente tocada com a descoberta é a professora Flavia Maria Machado Pinto, de 62 anos. Em 1998, por conta de um trabalho acadêmico, ela iniciou uma pesquisa que, em 2014, resultou no livro Primeiras escolas públicas de Lages.

Na página 89, Flavia cita um trecho da ata daquele 3 de outubro de 1934. Ela não podia imaginar que um dia teria contato com o material, e agora, aguarda ansiosa pela abertura do pote para poder tocar o que um dia serviu de base para os seus estudos.

“Durante as pesquisas feitas dentro do Museu Thiago de Castro, descobri peculiaridades muito interessantes sobre a cidade e percebi que as pessoas gostavam de deixar registros sobre momentos especiais. Os dados a que tive acesso confirmam a história, e estou muito emocionada com isso”.

Relíquia recebe cuidados técnicos na Fundação Cultural de Lages

Imediatamente após a retirada dos escombros do antigo prédio, a relíquia foi levada à Fundação Cultural de Lages, onde já nesta quinta-feira, dia 21, começou a receber a devida atenção.

Sob os cuidados de técnicos do Museu Thiago de Castro, o material passa por um processo de secagem, já que o pote de vidro está trincado e ficou vulnerável à umidade durante oito décadas.

O procedimento deve durar de 30 a 40 dias, e se preciso, a Fundação Cultural pedirá ajuda a universidades, à Fundação Catarinense de Cultura e até ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Não se descarta, inclusive, a necessidade de submeter o material do interior do pote à restauração. Mas para algo que permaneceu por 83 anos debaixo da terra, cada dia a partir de agora representa uma nova vida.


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