Outubro Rosa é aberto na Câmara com muita emoção e informação

Plenário da Câmara de Lages ficou completamente cheia para a abertura das ações do mês de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama.

Por EVERTON GREGÓRIO da CÂMARA LAGES,
em Lages/SC

📷 Nilton Wolff / Câmara de Lages

A
abertura da campanha Outubro Rosa em Lages foi com casa cheia no Plenário Nereu Ramos da Câmara de Vereadores. Uma sessão especial proposta pela presidente do Legislativo, Aida Hoffer (PSD), deu início no dia 2 de outubro às ações de conscientização e prevenção ao câncer de mama, que serão desenvolvidas até o fim deste mês pelo poder público e mais de 40 instituições. A programação pode ser conferida no site da Prefeitura de Lages.

“O objetivo é alertar a todos, especialmente nós mulheres, sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. A cada ano a adesão a este movimento vem ganhando força, com a participação de mais pessoas, famílias e entidades, uma prova disso é esta Casa cheia”, disse Aida, no discurso de abertura. A vereadora ressaltou o fato de que não há filas de espera pelo exame de mamografia no município.

“Ninguém é dono desta iniciativa, simplesmente desejamos mudar esta história, rompendo com os estigmas desta doença. A cura é possível, só depende de cada um de nós”, afirma a presidente, que agradeceu a todos que participaram da sessão. Ao final desta, as mulheres presentes receberam flores doadas pelas floriculturas do Rosário, Garden Center, Nativa, Paraíso das Flores, Sempre Verde e Três Rosas, além da Clínica Le Santé.

Depoimentos de mulheres que lutam contra o câncer emocionam a plateia

A sessão foi conduzida por Adriana Couto Spiller, que apresentou um vídeo produzido pela TV Câmara Lages com a história de quatro mulheres na luta contra o câncer: “À Jussara Fonseca, que nos contagiou com sua garra e vontade de viver; à Edi Corso, que tratou o câncer de mama com muita naturalidade e sabedoria; à Angela Lemos, que chamou a nossa atenção pela sua calma; e à Tati Tessarollo, mulher vaidosa, que jamais desistiu; deixo nosso agradecimento a vocês, mulheres guerreiras, que aceitaram o nosso convite”, disse a apresentadora, que também mencionou a presença na sessão dos familiares de Francis Waldrigues, uma batalhadora que infelizmente foi vitimada pela doença.

Outubro Rosa conscientiza, mas as mulheres precisam se prevenir desde cedo

Presidente da Associação Médica da Serra, o mastologista Fernando Vequi Martins aponta que momentos como o do Outubro Rosa servem para repassar mensagens de otimismo e superação, dos quais os participantes são potenciais disseminadores de que esta doença tem tratamento e cura. “Quando se fala em prevenção, o objetivo é fazer um diagnóstico precoce, tentar mudar nosso comportamento e hábitos de vida, e muitas mulheres com o câncer de mama passam por tratamentos extremamente iniciais e pouco agressivos, com uma curabilidade altíssima”.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, somente em 2016, foram quase 58 mil novos casos, cerca de um terço de todos os registros de câncer registrados entre a população feminina. No entanto, este número deve ser maior, segundo Martins, pois o número de mamografias realizadas é aquém do ideal, seja pela falta de iniciativa das mulheres em procurar o auxílio médico ou mesmo por uma orientação inadequada pelos profissionais da saúde.

Na fase inicial, o câncer de mama não apresenta sintomas, o que somado à falta de exames regulares dificulta o processo de diagnóstico da doença. “90% dos casos detectados já são na fase sintomática”, conta o mastologista, que cita o nódulo palpável no seio e nas axilas, alterações na aréola e/ou mamilo e na pele como abaulamentos e retrações como indícios para a procura médica.

Fernando Vequi diz que a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que toda menina, após a primeira menstruação, deve ter a mama examinada anualmente e ser orientada a fazer o autoexame mensal. Caso não apresente nenhum sintoma, a partir dos 40 anos deve começar a fazer o exame de mamografia regularmente. “Este é o único exame que diminui a mortalidade do câncer de mama, que faz o diagnóstico precoce da doença”, ressalta.

Iniciativa busca o acesso ao tratamento para mulheres a partir dos 35 anos

Denise Anselmo teve o primeiro nódulo detectado em 2014, benigno. Após seis meses, inúmeros outros se espalhavam em ambas as mamas. Ela buscou a oncologia e passou por um procedimento de mastectomia bilateral. Entretanto, não foi o diagnóstico que mais impactou a vida de Denise, mas saber que deveria se afastar de seu trabalho como professora. “Me senti inválida porque eu não vivia fora da sala de aula, longe dos meus alunos. Pensei que nunca mais voltaria ao trabalho”. Ela contou sobre o retrocesso e o avanço que a doença teve sobre si, o que levou à mutilação da mama através de uma mastectomia radical. “Um diagnóstico precoce poderia ter evitado tudo isso”, enfatiza.

“Quando a gente sente na pele, a gente veste uma camisa, levanta uma bandeira e abraça uma causa. Eu abracei a causa do câncer de mama e acho que a campanha do Outubro Rosa é uma causa maravilhosa, onde a gente pode conscientizar uma pessoa, informar, mas acima de tudo, participar ativamente de tomadas de decisão para o enfrentamento do câncer de mama. Pensar em maneiras que as pessoas possam ser mais bem atendidas”, disse Denise Anselmo antes de apresentar o projeto de lei de iniciativa popular.

Este consiste na ampliação do acesso aos exames de mamografia e ultrassom às mulheres jovens, a partir dos 35 anos, através das unidades básicas de saúde para a retirada das guias para os exames de rastreamento. “Existem protocolos de conduta de atendimento padronizados, e este acesso se torna difícil para as mulheres mais jovens, que não recebem este benefício. Estas mulheres recebem muitos ‘nãos’, voltam pra casa, não fazem o tratamento”, conta. Ela pediu que as Comissões da Câmara sinalizem positivamente para a deliberação da matéria, que não vai gerar custos, segundo ela, apenas assegurar que a pessoa possa se apoiar em um regulamento que lhe garanta o tratamento.

Município realizou 630 consultas de mastologia em 2017 através do Ceasm

Médica ginecologista e obstetra da Secretaria Municipal da Saúde, Tatyana Stenger Batista relata que o Centro de Estudos e Assistência à Saúde da Mulher (Ceasm) viabiliza atendimento integral no sentido de garantir a saúde da mulher e reduzir a morbimortalidade feminina, especialmente por causas evitáveis em todos os ciclos de vida. O serviço conta com uma equipe multiprofissional com seis médicos ginecologistas obstetras, um mastologista, duas enfermeiras, uma psicóloga, cinco técnicas em enfermagem e duas auxiliares administrativas que atendem a demanda das 27 unidades de saúde do município.

Em 2017 foram realizadas em torno de 7.300 consultas médicas, uma média de 810 por mês, e cerca de 700 consultas de enfermagem, 77 ao mês. De consultas de mastologia, realizadas pelo doutor Fernando Vequi, foram 630, numa média de 70 mensais, do qual 15 mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama e encaminhadas ao serviço de atendimento especializado Unacom, localizado no hospital Tereza Ramos. A parceria com o HTR também se dá nos exames de mamografia, do qual foram realizados 1.600 procedimentos neste ano.

Amor próprio, consciência e envolvimento

Amor próprio e compromisso consigo mesmo e com aqueles a que ama, este foi o tom do discurso da diretora do Hospital Tereza Ramos, Beatriz Montemezzo.  Ela conta que o hospital possui um serviço de oncologia que é referência no estado, mas que apesar de todo o compromisso dos profissionais e a qualidade técnica disponível no HTR, o ciclo se completa com o comprometimento da população, em buscar o atendimento, retornar, envolver-se.

“Neste ano, o foco do Outubro Rosa é o trabalho de formiga, é envolver nossos familiares, nossos vizinhos, de que as pessoas entendam que todos podem correr este risco. (...) Enquanto gestores, estamos lá para fazer o melhor, todos os dias. O compromisso da população é buscar. Aí fechamos um ciclo. Este ciclo de amor envolvendo família, trabalho e gestão vai acontecer da melhor maneira possível. Sem amor próprio nada acontece, pela nossa família, por nós, por aqueles que nos rodeiam. Vamos nos avaliar todos os dias, direitos e deveres, é isso que precisamos”, afirma.

Secretária municipal de Políticas para a Mulher e Assuntos Comunitários, Marli Nacif disse que a pasta que gerencia atua em relação à violência contra a mulher, no entanto, ela também considera esta doença uma violência, da qual as vítimas precisam de atenção e cuidado. “Nós não temos o trabalho valoroso da medicina, de médicos que podem salvar vidas, mas nós temos o ombro amigo, o abraço, para escutar, para encaminhar. Se necessário, nos procure. O que nós, mulheres, precisamos, independente da situação da doença, é nos amar, é nos querer muito, porque nós sabemos como é a nossa vida”.

A doença tem cura

A empresária Luci Mickielin Boscato superou o câncer de mama. Última pessoa a discursar na sessão desta segunda, ela ressaltou a necessidade da mulher estar alerta a tudo que acontece de diferente em seu corpo. Ela descobriu em um exame de rotina que tinha um nódulo na mama esquerda, ao passo que logo iniciou o tratamento.


Luci administrou como lidar com a doença de uma forma planejada, com a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e os cinco anos de medicação até chegar à cura. “Cada vez que eu ia para a quimioterapia, eu agradecia a Deus que era uma sessão a menos. (...) Temos que buscar dentro de nós o amor, de alguma forma, e buscar a cura com paciência, sabedoria, que podemos atingir nosso objetivo”. A empresária agradeceu aos médicos, tanto os de atendimento como os da pesquisa, que atingem a excelência no tratamento, ao seu marido, Silvio, e aos filhos pela parceira em todos os momentos.

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