Rio 2016

 DA CIDADE DE DEUS PARA O MUNDO 



Do Rio 2016, no Rio
(esporte.ld@hotmail.com)

Rafaela chora com a medalha nas mãos: ninguém pode com ela no Rio de Janeiro (Foto: Getty Images/David Ramos)
A primeira medalha de ouro do Brasil no Rio 2016 tem sotaque carioca. Nascida na comunidade da Cidade de Deus, a judoca Rafaela Silva chegou ao topo do pódio no mesmo Rio de Janeiro onde foi campeã mundial em 2013. Competindo no quintal de casa, a brasileira mostrou que sabe muito bem usar a energia da torcida a seu favor: "A arena chegou a tremer", disse ela após o título.

Campeã mundial e Olímpica, feito que nenhum judoca brasileiro havia alcançado, Rafaela esteve perto de jogar tudo para o alto há quatro anos. "Eu ia largar o judô, mas minha psicóloga fez um trabalho comigo e não deixou", disse, relembrando a traumática derrota em Londres 2012, quando aplicou um golpe ilegal e foi eliminada nas oitavas de final.

Rafaela se ajoelha após a vitória na final Olímpica: renascida (Foto: Getty Images/David Ramos)
Quatro anos após a decepção, Rafaela ressurgiu forte na Arena Carioca 2, a poucos quilômetros de onde nasceu. Lá, nesta segunda-feira (8), a torcida e a judoca estiveram em sintonia desde o primeiro combate até a final, contra a mongol Sumiya Dorjsuren. Os gritos do público, segundo ela, foram fundamentais: "A torcida ajudou bastante, e eu não podia decepcionar as pessoas que vieram torcer por mim dentro da minha casa".

Família unida

Zenilda, Ana Carolina e Luiz Carlos na torcida por Rafaela (Foto: Rio 2016/André Naddeo)
Entre os milhares de torcedores, a família da atleta se destacou. O pai, Luiz Carlos, preferiu não comparecer aos primeiros combates, tamanho o nervosismo. Mas esteve na semifinal e na final, sentado ao lado da mulher Zenilda e da sobrinha da judoca Ana Carolina.

"Não é porque é minha filha, mas ela merece muito. Uma pessoa do bem, humilde", vibrou a mãe. "Ela comprou convite para todo mundo, trouxe família e amigos. Mandou fazer camisetas, bonés... Ela merece. É uma guerreira única. Uma guerreira de ouro".

Mas quem mais festejou a conquista foi a irmã Raquel Silva, também judoca: "Não estou acreditando. Ver a sua irmã realizando o sonho de ser campeã Olímpica é algo que não dá para explicar. É o sonho de uma família toda".

A reação da campeã

Rafaela chegou ainda criança ao Instituto Reação, que promove inclusão social através do esporte. Foi lá que se tormou atleta. E o nome da instituição não poderia ser mais apropriado. A eliminação em Londres e consequentes conflitos com torcedores nas redes sociais colocaram a carreira em risco. Mas ela reagiu.

Após a conquista, Rafaela relembrou sua trajetória e mandou um recado às possíveis sucessoras. "Quero mostrar que uma criança que saiu da Cidade de Deus e começou no judô por brincadeira hoje é campeã mundial e Olimpica. Se elas têm um sonho, têm de acreditar", disse, antes de dedicar a conquista "a todo o povo brasileiro, à família e aos amigos".

A campanha do ouro

Rafaela estreou com uma vitória relâmpago sobre Miryan Roper, da Alemanha, por ippon. Na sequência, venceu por wazari Jandi Kim, da República da Coreia, segunda colocada do ranking mundial. Veio então o combate contra Hedvig Karakas, da Hungria. Um wazari a um minuto do fim decidiu a luta a favor da brasileira.


O confronto mais difícil da campanha Olímpica de Rafaela foi a semifinal contra Corina Caprioriu, da Romênia. O empate persistiu após os quatro minutos regulamentares, e a decisão veio no golden score. Mais uma vez, Rafaela venceu com um wazari e assim foi à final.

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